1T21: começa a temporada de resultados [Resumo semanal 23/04]

1T21: começa a temporada de resultados [Resumo semanal 23/04]

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Por: Time Master Clear

23/04/2021 • Atualizado: 09/12/2021

5 minutos

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (19/04 a 23/04) e quais são as perspectivas futuras

1T21: começa a temporada de resultados

Nesta sexta-feira (23) começa a temporada de resultados do primeiro trimestre deste ano (1T21) e há uma grande expectativa para entender como as empresas e os setores se comportaram no trimestre de aumento exponencial de casos de Covid no Brasil (novas restrições), alta da inflação (pressão de custo) e tudo isso com uma ajuda mais enxuta por parte do governo nos estímulos.

Os últimos dados do IBC-Br de fevereiro, indicador apelidado como a “prévia do PIB”, mostraram uma boa melhora das vendas no varejo e do lados de serviços, sendo que o indicador subiu 1,7% na passagem de janeiro para fevereiro, bem acima da estimativa do mercado de 0,9% e aumentando a possibilidade do PIB fechar positivo no primeiro trimestre do ano.

No outro extremo, temos uma taxa de desemprego estacionada em 14%, segundo dados de janeiro, ou seja, extremamente atrasados por parte do IBGE, enquanto a confiança do consumidor e do empresário seguem em queda, com a primeira atingindo em março (68,2) o menor valor desde maio de 2020, enquanto a segunda amargando o quarto mês consecutivo de queda em abril e atingindo 53,7.

Sim, poderia ter citado outros indicadores econômicos e ficar traçando paralelos para chegar em alguma conclusão sobre o rumo da economia no 1T21 como um artigo de econometria, mas a ideia não é essa e trouxe alguns dos indicadores que mais gosto de olhar.

Por isso, se faltou seu indicador favorito, peço desculpas antecipadamente e vamos ao que interessa: o que ficar de olho nessa temporada de resultados.

Sem dúvida alguma, o setor de commodities será mais uma vez destaque positivo nessa temporada de resultados, com a alta dos preços compensando o aumento de custos e resultando em aumento de margem. O desempenho em bolsa do setor, que vem carregando o Ibovespa, já revela a tendência.

Do lado das metálicas, a forte demanda da China e a oferta ainda restrita pelos players sustenta a tese de manutenção dos preços, com possibilidade grande de novos aumentos no preço do aço.

Para papel & celulose, o dólar forte e preços de celulose mais altos devem gerar mais um trimestre forte do lado da receita, sendo a mesma tendência para o lado das agrícolas, com restrição de oferta pelos EUA com a inesperada redução da área plantada esse ano e a forte demanda da China, um combo que resultou (e deve seguir assim) em redução de estoque e aumento de preço.

Esse apetite global, com as economias desenvolvidas em franco processo de recuperação após 2020, deve beneficiar os frigoríficos em mais um trimestre de boas vendas de carne in natura e preços em alta, combinação que irá minimizar o aumento dos custos de produção. Os produtores de frango devem sofrer mais do que a média.

Partindo para a economia doméstica, começar falando sobre os grandes bancos listados
em bolsa. O ano passado foi muito complicado e olhando as perspectivas econômicas de agora não parece que o primeiro trimestre será tranquilo.

Por isso, temas como aumento da inadimplência, ainda mais com os programas de auxílio do governo enxutos e consequente extensão de dívida, corte de receita de custos para lidar com a concorrência digital e o open banking batendo na porta, não sugerem um excelente início de ano. Sem dúvida, as Tesourarias vão precisar mostrar serviço ou se houver uma reversão gigante de provisão, o que não parece o caso, para surpreender o mercado.

Partindo para o varejo, as novas restrições impostas pelo aumento da pandemia no Brasil vão prejudicar os números, mas, quando olhamos para a bolsa de valores, muitas empresas do setor já estão descontadas e somente um desastre para afetar ainda mais o setor. Neste caso em especial, o investidor deve focar nas soluções propostas para diversificar receita e investimento / execução no e-commerce.

Ainda falando sobre o setor de varejo, o segmento de supermercados, que foi destaque no último trimestre, deve sofrer com o aumento da inflação, agravamento da pandemia e programas de auxílio mais enxutos.

Sobre o setor de construção, expectativa bastante positiva após as prévias operacionais do primeiro trimestre revelarem um ritmo robusto de lançamentos e vendas, mas um consumo de caixa um pouco maior do que o esperado por conta do aumento dos custos de construção, algo que deve ser monitorado a partir deste ano.

Para finalizar e não deixar o texto ainda maior, o setor elétrico deve surpreender positivamente, com os últimos dados de consumo de energia apontando alta mesmo com as restrições (comércio e indústria) da pandemia, sendo que vale ficar muito atento à evolução da inadimplência.