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Abril: muita expectativa e pouco movimento [Resumo Semanal 05/04]

Abril: muita expectativa e pouco movimento [Resumo Semanal 05/04]

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (05/04 a 09/04) e quais são as perspectivas futuras

Depois de um março bastante agitado, quando no começo do mês o mercado ofereceu uma bela oportunidade de compra ao retorno dos 107 mil pontos (veja mais aqui), iniciamos abril com muita expectativa e pouco movimento na Bolsa.

As expectativas estão concentradas, basicamente, no rumo da economia brasileira e isso engloba ritmo de crescimento vs pandemia, assim como sobre o rumo do rombo fiscal e o Orçamento “inexequível” deste ano.

Falando primeiro sobre o momento econômico, estamos literalmente na contramão do mundo e os últimos dados de atividade industrial e serviços refletem isso. Enquanto o PMI Industrial chinês e norte-americano superaram as expectativas em março com 51,9 e 59,1, respectivamente, por aqui ficou abaixo da expectativa ao marcar 52,8.

Nesta semana, as bolsas pelo mundo renovaram máximas históricas com os PMIs de Serviços, com EUA marcando 60,4, o maior nível desde julho de 2014, enquanto China encerrou março aos 54,3, patamar mais alto desde dezembro do ano passado. No Brasil,  caiu de 47,1 para 44,1 e a justificativa: avanço da pandemia.

Isso acabou criando “dois mundos” na bolsa brasileira e reflete os seguidos fechamentos de lado. Um do lado positivo, com as empresas do setor de commodities/exportadoras aproveitando a alta das commodities e as perspectivas de crescimento para esse ano, enquanto do outro lado temos as empresas com maior exposição doméstica que não evoluem de preço e de certa forma travam o Ibovespa.

Obviamente existem as exceções, os cases que andaram, como o setor elétrico e outros mais, mas o que quero dizer é que se houvesse de fato uma tendência de alta generalizada dos setores, como quando saímos dos 94 mil pontos, não tenho dúvidas que estaríamos em 130 mil pontos ou até mais como exemplo do S&P 500 que está em 4 mil pontos.

Indo para o lado fiscal, o Orçamento de 2021 foi aprovado com diversas inconsistências em prol de emendas parlamentares, o que não é novidade alguma independente de partido ou presidente, mas neste momento a situação é um pouco mais grave que o normal, pois aparentemente não há saída viável ao não ser decretar Calamidade e preserva a relação política ou vetar o que foi acordado e abortar a agenda econômica até 2023.

O governo terá que decidir até o dia 22, prazo final para sancionar a matéria, com vetos ou sem vetos, e, como tudo na política, nada é trivial e fácil de resolver.

Essas dúvidas sobre o rumo da economia brasileira e do fiscal acabam impactando negativamente no apetite por risco do investidor e ajuda explicar a dificuldade do mercado de finalmente romper os 117/118 mil pontos, seguir com sua tendência de alta de curto prazo e, assim como as bolsas pelo mundo, ir em busca da máxima histórica (125 mil pontos).

Como reflexo, na comparação anual, o volume médio diário na Bolsa até o último dia 6 de abril caiu 30%, enquanto o de negócios recuou 17%, segundo últimos dados da B3. Nem precisa ir tão longe, basta abrir uma plataforma gráfica e ver o volume do Ibovespa vs média dos últimos 21 dias que está muito abaixo da média.

Essa incerteza do cenário interno sustenta descontos em ativos que possuem sólidos fundamentos, como setor de construção e shoppings, ou até mesmo os grandes bancos, mas o que me deixa muito intrigado é donde virá essa expectativa de crescimento para lucros esse ano para sustentar o valuation atual que está barato, mas não desenvolve. Aí chego na seguinte hipótese: será preciso uma revisão para baixo dos lucros.

Nesse momento de mercado em região de topo intermediário que não consegue romper desde março, sem volume para corroborar a tendência de alta de curto prazo e muitas dúvidas sobre o rumo da economia brasileira, quem conseguir essa pergunta irá ter um ótimo começo de segundo trimestre: vide os fundamentos descontados, será ajustado o preço para cima (força de compra) ou o lucro para baixo (estabilidade ou queda)?

Eu, sinceramente, tenho muitas dúvidas e não sei responder essa questão nesse momento, mas, em breve, as primeiras prévias operacionais/relatórios de prévias de resultados do 1T21 vão sair e vamos ter uma melhor visão do cenário. Enquanto isso, sem uma convicção do que fazer, sigo com a mesma estratégia: comprar perto do fundo e fazer parcial perto do topo.