Array

Array

Navegue por assunto


Confira o que aconteceu no mercado na última semana (03/05 a 07/05) e quais são as perspectivas futuras

Em sua 238ª reunião, o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu, por unanimidade e sem surpresas, elevar a taxa Selic em 0,75 ponto percentual para 3,50% a.a. O que não foi consenso para o mercado foi o tom do comunicado.

A comunicação do Comitê é muito importante para alinhar as expectativas dos investidores e desta vez tivemos aspectos dovish e hawkish no mesmo comunicado, lembrando que no último e até mesmo na ata havia um certo desespero no combate à inflação e na necessidade do aperto monetário (hawkish).

Nada contra mudanças de comunicação, afinal o mercado e a economia são organismos vivos e não se adaptar é um erro, mas sempre é importante manter uma coerência na estratégia de política monetária, uma vez que o rumo da Selic guia diversas decisões de investimento.

O que foi bastante coerente foi o rumo do juro neste ano, com o Copom contratando mais um aumento de 0,75 p.p para a reunião de 16 de junho e deixou bem claro que o compromisso do Bacen no momento é “assegurar o cumprimento da meta de inflação”.

Sobre a inflação, mais especificamente sobre o último dado importante que foi o IPCA-15, foi uma grata surpresa a desaceleração de 0,93% para 0,60% na passagem de março para abril, mas, quando olhamos o acumulado de 12 meses, que serve como base para projetar o ano, já estamos em 6,17%, acima do teto da meta de inflação de 6%.

Outro ponto importante nesse discurso de combate à inflação foi admitir que o preço das commodities não deve arrefecer tão cedo e bater na tecla que sem responsabilidade fiscal qualquer esforço vai ser jogado no lixo.

“Por outro lado, novos prolongamentos das políticas fiscais de resposta à pandemia que piorem a trajetória fiscal do país, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem pressionar ainda mais os prêmios de risco do país. O risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária”

Até aqui temos um Copom bem coerente com seu último comunicado mais duro, fato que muda completamente com esse trecho e que justifica o aspecto dovish do comunicado.

“O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2022. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de estabilização de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”

Quando o Copom fala em “suavização das flutuações do nível de atividade e fomento do pleno emprego”, ele sinaliza que pretende subir a Selic em um nível que não prejudique o já lento processo de recuperação da economia, que ele mesmo cita que está sendo prejudicado pela segunda onda da pandemia.

Portanto, levando em conta esse raciocínio, o Comitê quer dar uma pancada logo nos juros para ser suficiente para coibir o avanço da inflação, mas sem trazer danos para uma potencial recuperação econômica.

Atitude louvável, mas o Copom não pode esquecer que está subindo juros, ou seja, o efeito vai ser frear de qualquer jeito e ficou mais do que provado pelo mundo que somente a vacinação acelerada que resolverá essa crise econômica, assim como medidas fiscais, mas aqui estamos quebrados.

Para justificar esse afrouxamento quanto ao combate à inflação no curto prazo, o Copom reduziu a expectativa de inflação para 2022 para 3,4%, abaixo do centro da meta, assim como ressalta que as medidas tomadas são “compatíveis com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante”, enquanto no comunicado passado citava “acima” do intervalo.

Então, em um mesmo comunicado que o compromisso com a meta de inflação é prioridade, uma redução de um mês no ritmo de inflação apontado pelo IPCA-15 e outras medidas + colocando na conta os aumentos para esse ano foram suficientes para mudar o tom sobre o ritmo dos preços e ter braço para acelerar o ritmo econômico.

No final das contas, nesse comunicado o Copom sinalizou que esse processo de “normalização parcial”, que seria o aumento de juros pelo Copom, deve ser intenso de junho até setembro, com mais 3 aumentos e Selic em pelo menos 5,5%, mas suavizou o discurso sobre a inflação em 2022 e voltou ponderar crescimento nas decisões.

Para mim, crescimento envolve vacinação para “voltar ao normal” e não vai ser o Copom que vai resolver isso, da mesma forma que espero que o Comitê se concentre em realizar sua missão de conservar as metas de inflação, afinal, como minha mãe sempre dizia: “faça bem feito e fará uma vez só”.

Agora que você já sabe o que aconteceu no mercado essa semana, abra sua conta na Clear para começar a investir e fazer seu dinheiro render!

Clique e abra sua conta na Clear

Array

Array

Navegue por assunto


Confira o que aconteceu no mercado na última semana (26/04 a 30/04) e quais são as perspectivas futuras

Na próxima quarta-feira (5), o Copom irá definir o rumo da Selic e tudo indica que será repetida a dose de +0,75 ponto, com a taxa básica de juros chegando aos 3,5% ao ano.

Isso literalmente está na conta do mercado, uma vez que está precificado na curva de juros, ao passo que a comunicação sobre os próximos aumentos, sendo mais didático, até onde o Copom pretende apertar a corda, será o principal assunto desta reunião de maio.

Para entender isso, o investidor deverá ficar ligado em qual será o tom do Comitê sobre o ritmo da inflação, se vai reforçar sua preocupação (ideal) ou aliviar um pouco depois do último dado do IPCA-15, como será interessante observar a postura com relação ao fiscal vide a “matemágica” feita no Orçamento deste ano.

Sobre a inflação, mais especificamente sobre o IPCA-15, foi uma grata surpresa a desaceleração de 0,93% para 0,60% na passagem de março para abril, mas, quando olhamos o acumulado de 12 meses, que serve como base para projetar o ano, já estamos em 6,17%, acima do teto da meta de inflação de 6%.

Obviamente, o Copom não irá se basear nisso para reduzir seu ritmo de aperto, mas o que vale atenção é como o Comitê observará a trajetória de inflação no curto prazo para comunicar se nesse horizonte existe risco da meta de inflação ser ultrapassada ou não.

Em outras palavras, se ele vai voltar com aquele discurso de inflação controlada ou vai seguir com sua mudança de tom da última reunião de cruzada contra a inflação.

Esse trecho do comunicado justificando o aumento em 0,75 em abril e a sinalização de novas altas ao longo do ano ajuda ilustrar o que estou dizendo:

“O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2021 e, principalmente, o de 2022”

Além da inflação, outro ponto que será bastante curioso e sem dúvida controverso será a posição do Copom em relação ao rumo da política fiscal, componente de risco importante para o aumento da taxa de juros.

Se levar ao pé da letra, o Orçamento de 2021 não piorou a trajetória fiscal, como os membros do Comitê gostam de falar no comunicado, mas todas as mudanças feitas para acomodar esse Orçamento e as consequências para o ano que vem com as despesas extras colocadas “em anexo” não vão evaporar, tanto que não que a curva de juros precifica Selic em 6,5% ainda esse ano.

O mercado, que não gostou da contabilidade criativa feita para driblar o teto de gastos, ficará atento uma vez que existe um prêmio gigante na curva justamente por conta disso. Se o Copom ignorar a piora do sentimento sobre o rumo do fiscal, uma correção deve ser vista ou os players seguirão pagando para ver até onde vai essa responsabilidade fiscal.

Vale lembrar que depois da reunião de maio teremos mais 5 encontros e pelo relatório Focus as expectativas para esse ano giram em torno de 5,5%, ou seja, colocando na conta a alta de 0,75 ponto de agora e seguindo com o ritmo, o Comitê deverá parar em setembro, enquanto na curva precifica alta  até pelo menos outubro.

O Copom precisará ditar muito bem o ritmo de jogo.


Clique e abra sua conta na Clear

Array

Array

Navegue por assunto


Confira o que aconteceu no mercado na última semana (19/04 a 23/04) e quais são as perspectivas futuras

1T21: começa a temporada de resultados

Nesta sexta-feira (23) começa a temporada de resultados do primeiro trimestre deste ano (1T21) e há uma grande expectativa para entender como as empresas e os setores se comportaram no trimestre de aumento exponencial de casos de Covid no Brasil (novas restrições), alta da inflação (pressão de custo) e tudo isso com uma ajuda mais enxuta por parte do governo nos estímulos.

Os últimos dados do IBC-Br de fevereiro, indicador apelidado como a “prévia do PIB”, mostraram uma boa melhora das vendas no varejo e do lados de serviços, sendo que o indicador subiu 1,7% na passagem de janeiro para fevereiro, bem acima da estimativa do mercado de 0,9% e aumentando a possibilidade do PIB fechar positivo no primeiro trimestre do ano.

No outro extremo, temos uma taxa de desemprego estacionada em 14%, segundo dados de janeiro, ou seja, extremamente atrasados por parte do IBGE, enquanto a confiança do consumidor e do empresário seguem em queda, com a primeira atingindo em março (68,2) o menor valor desde maio de 2020, enquanto a segunda amargando o quarto mês consecutivo de queda em abril e atingindo 53,7.

Sim, poderia ter citado outros indicadores econômicos e ficar traçando paralelos para chegar em alguma conclusão sobre o rumo da economia no 1T21 como um artigo de econometria, mas a ideia não é essa e trouxe alguns dos indicadores que mais gosto de olhar.

Por isso, se faltou seu indicador favorito, peço desculpas antecipadamente e vamos ao que interessa: o que ficar de olho nessa temporada de resultados.

Sem dúvida alguma, o setor de commodities será mais uma vez destaque positivo nessa temporada de resultados, com a alta dos preços compensando o aumento de custos e resultando em aumento de margem. O desempenho em bolsa do setor, que vem carregando o Ibovespa, já revela a tendência.

Do lado das metálicas, a forte demanda da China e a oferta ainda restrita pelos players sustenta a tese de manutenção dos preços, com possibilidade grande de novos aumentos no preço do aço.

Para papel & celulose, o dólar forte e preços de celulose mais altos devem gerar mais um trimestre forte do lado da receita, sendo a mesma tendência para o lado das agrícolas, com restrição de oferta pelos EUA com a inesperada redução da área plantada esse ano e a forte demanda da China, um combo que resultou (e deve seguir assim) em redução de estoque e aumento de preço.

Esse apetite global, com as economias desenvolvidas em franco processo de recuperação após 2020, deve beneficiar os frigoríficos em mais um trimestre de boas vendas de carne in natura e preços em alta, combinação que irá minimizar o aumento dos custos de produção. Os produtores de frango devem sofrer mais do que a média.

Partindo para a economia doméstica, começar falando sobre os grandes bancos listados
em bolsa. O ano passado foi muito complicado e olhando as perspectivas econômicas de agora não parece que o primeiro trimestre será tranquilo.

Por isso, temas como aumento da inadimplência, ainda mais com os programas de auxílio do governo enxutos e consequente extensão de dívida, corte de receita de custos para lidar com a concorrência digital e o open banking batendo na porta, não sugerem um excelente início de ano. Sem dúvida, as Tesourarias vão precisar mostrar serviço ou se houver uma reversão gigante de provisão, o que não parece o caso, para surpreender o mercado.

Partindo para o varejo, as novas restrições impostas pelo aumento da pandemia no Brasil vão prejudicar os números, mas, quando olhamos para a bolsa de valores, muitas empresas do setor já estão descontadas e somente um desastre para afetar ainda mais o setor. Neste caso em especial, o investidor deve focar nas soluções propostas para diversificar receita e investimento / execução no e-commerce.

Ainda falando sobre o setor de varejo, o segmento de supermercados, que foi destaque no último trimestre, deve sofrer com o aumento da inflação, agravamento da pandemia e programas de auxílio mais enxutos.

Sobre o setor de construção, expectativa bastante positiva após as prévias operacionais do primeiro trimestre revelarem um ritmo robusto de lançamentos e vendas, mas um consumo de caixa um pouco maior do que o esperado por conta do aumento dos custos de construção, algo que deve ser monitorado a partir deste ano.

Para finalizar e não deixar o texto ainda maior, o setor elétrico deve surpreender positivamente, com os últimos dados de consumo de energia apontando alta mesmo com as restrições (comércio e indústria) da pandemia, sendo que vale ficar muito atento à evolução da inadimplência.


Clique e abra sua conta na Clear

Array

Array

Navegue por assunto


Confira o que aconteceu no mercado na última semana (12/04 a 16/04) e quais são as perspectivas futuras

Quem acompanha meus vídeos de Fechamento de Mercado sabe da minha relutância em comprar esse rompimento de 117/118 mil pontos em vista do fraco volume no mercado como um todo, e, levando em conta que entrada de fluxo é muito importante nesse tipo de estratégia, não paguei para ver e na rolagem do Ibovespa Futuro chegamos ao topo intermediário de fevereiro na faixa de 121 mil pontos.

Poderia, em minha defesa, ficar aqui glorificando os calls de compra em TAEE11, EQTL3, CESP6, EGIE3, WEGE3, EZTC3 e DIRR3 quando o mercado testou 108 mil pontos, mas, nada mais instrutivo (e de lição própria) que usar esse espaço para explorar minha tomada de decisão e aproveitar para fazer um paralelo com um viés comportamental que assombra qualquer analista: Falácia do Jogador.

Em termos teóricos, a falácia é um raciocínio que parece lógico e verdadeiro, porém existe alguma falha de interpretação no meio do caminho que, no final das contas, torna-lhe falso.

Deste conceito, a Falácia do Jogador nos concede o seguinte conceito: é uma falácia acreditar que os eventos passados vão influenciar os eventos futuros.

Esse viés cognitivo é primo da teoria do random walk do livro “A Random Walk Down Wall Street”, que discute a aleatoriedade do preço das ações e bate de frente com vários conceitos da análise técnica.

No final das contas e sem entrar na história do cassino de Monte Carlo que deu origem ao termo Falácia do Jogador, o tema em discussão é:

i) estudar o mercado em busca de padrões é uma perda de tempo?

ii) não existe a possibilidade de identificar janelas de oportunidades para investir?

Em termos práticos de tomada de decisão no mercado financeiro, cair na Falácia do Jogador é acreditar que a ocorrência de um fator, que, por pressuposto, é aleatório, irá gerar um aumento da probabilidade deste resultado nas próximas ocorrências. Ou seja, é um erro acreditar que haverá a repetição de um padrão uma vez que tudo é aleatório.

Colocando isso no meu exemplo, começamos abril indo testar pela terceira vez a faixa de 117 mil pontos com volume muito abaixo da média, e, levando em conta os conceitos dentro da análise técnica de resistência (força vendedora) e do giro financeiro para corroborar um movimento (no caso rompimento), minha análise caiu na Falácia do Jogador uma vez que coloquei maior probabilidade do não rompimento.

Pensando em um jogo de dados, seria acreditar que se caiu o número 3 por 8 vezes, seria mais provável cair o número 3 do que qualquer outra face do dado, sendo, na verdade, que a probabilidade é igual e realmente não faz sentido pensar nisso. E neste ponto que entra a minha defesa que DEVEMOS estudar o mercado antes de investir para ter uma tomada de decisão mais racional possível e NÃO deixar o acaso decidir sua hora de investir (comprar todo dia 15).

Errei? Sem dúvida, mas não foi nenhuma aleatoriedade que fez isso, mas sim o setor de commodities, em especial metálicas, que levou sozinho o mercado para 121 mil pontos. Então, o erro foi não estar posicionado no setor correto que está intimamente ligado à recuperação global, em especial da China. Ou seja: faltou diversificar melhor a carteira. Como ter feito isso? Faltou acreditar na manutenção da tendência de alta das commodities e dos papéis.

Na verdade, cair na Falácia do Jogador é comprar apenas pelo fato de ter caído ou vender por ter subido muito, na crença que tudo vai retornar para a média ou coisa do tipo, ignorando fatores macro, fundamentos da empresa ou até mesmo um início de uma reversão de tendência.

Por fim, sou muito mais errar, mas, acima de tudo, respeitar minha estratégia e quando desconfigurada aceitar o erro para recomeçar/identificar novas oportunidades, do que simplesmente me render a tal aleatoriedade do mercado.

Hoje, de fato perdi boas oportunidades de compra entre 117 – 121 mil pontos, como em commodities metálicas e agrícolas, mas, meses atrás, foi esse mesmo estudo de cenário que evitou comprar aos 125 mil pontos e entrar com maior tranquilidade em 108 mil pontos.

Portanto, vou seguir gastando meu tempo para criar um cenário e na busca da melhor relação de risco x retorno para meus investimentos, mesmo que, por vezes, caia na Falácia do Jogador.

Clique e abra sua conta na Clear

Array

Array

Navegue por assunto


Confira o que aconteceu no mercado na última semana (05/04 a 09/04) e quais são as perspectivas futuras

Depois de um março bastante agitado, quando no começo do mês o mercado ofereceu uma bela oportunidade de compra ao retorno dos 107 mil pontos (veja mais aqui), iniciamos abril com muita expectativa e pouco movimento na Bolsa.

As expectativas estão concentradas, basicamente, no rumo da economia brasileira e isso engloba ritmo de crescimento vs pandemia, assim como sobre o rumo do rombo fiscal e o Orçamento “inexequível” deste ano.

Falando primeiro sobre o momento econômico, estamos literalmente na contramão do mundo e os últimos dados de atividade industrial e serviços refletem isso. Enquanto o PMI Industrial chinês e norte-americano superaram as expectativas em março com 51,9 e 59,1, respectivamente, por aqui ficou abaixo da expectativa ao marcar 52,8.

Nesta semana, as bolsas pelo mundo renovaram máximas históricas com os PMIs de Serviços, com EUA marcando 60,4, o maior nível desde julho de 2014, enquanto China encerrou março aos 54,3, patamar mais alto desde dezembro do ano passado. No Brasil,  caiu de 47,1 para 44,1 e a justificativa: avanço da pandemia.

Isso acabou criando “dois mundos” na bolsa brasileira e reflete os seguidos fechamentos de lado. Um do lado positivo, com as empresas do setor de commodities/exportadoras aproveitando a alta das commodities e as perspectivas de crescimento para esse ano, enquanto do outro lado temos as empresas com maior exposição doméstica que não evoluem de preço e de certa forma travam o Ibovespa.

Obviamente existem as exceções, os cases que andaram, como o setor elétrico e outros mais, mas o que quero dizer é que se houvesse de fato uma tendência de alta generalizada dos setores, como quando saímos dos 94 mil pontos, não tenho dúvidas que estaríamos em 130 mil pontos ou até mais como exemplo do S&P 500 que está em 4 mil pontos.

Indo para o lado fiscal, o Orçamento de 2021 foi aprovado com diversas inconsistências em prol de emendas parlamentares, o que não é novidade alguma independente de partido ou presidente, mas neste momento a situação é um pouco mais grave que o normal, pois aparentemente não há saída viável ao não ser decretar Calamidade e preserva a relação política ou vetar o que foi acordado e abortar a agenda econômica até 2023.

O governo terá que decidir até o dia 22, prazo final para sancionar a matéria, com vetos ou sem vetos, e, como tudo na política, nada é trivial e fácil de resolver.

Essas dúvidas sobre o rumo da economia brasileira e do fiscal acabam impactando negativamente no apetite por risco do investidor e ajuda explicar a dificuldade do mercado de finalmente romper os 117/118 mil pontos, seguir com sua tendência de alta de curto prazo e, assim como as bolsas pelo mundo, ir em busca da máxima histórica (125 mil pontos).

Como reflexo, na comparação anual, o volume médio diário na Bolsa até o último dia 6 de abril caiu 30%, enquanto o de negócios recuou 17%, segundo últimos dados da B3. Nem precisa ir tão longe, basta abrir uma plataforma gráfica e ver o volume do Ibovespa vs média dos últimos 21 dias que está muito abaixo da média.

Essa incerteza do cenário interno sustenta descontos em ativos que possuem sólidos fundamentos, como setor de construção e shoppings, ou até mesmo os grandes bancos, mas o que me deixa muito intrigado é donde virá essa expectativa de crescimento para lucros esse ano para sustentar o valuation atual que está barato, mas não desenvolve. Aí chego na seguinte hipótese: será preciso uma revisão para baixo dos lucros.

Nesse momento de mercado em região de topo intermediário que não consegue romper desde março, sem volume para corroborar a tendência de alta de curto prazo e muitas dúvidas sobre o rumo da economia brasileira, quem conseguir essa pergunta irá ter um ótimo começo de segundo trimestre: vide os fundamentos descontados, será ajustado o preço para cima (força de compra) ou o lucro para baixo (estabilidade ou queda)?

Eu, sinceramente, tenho muitas dúvidas e não sei responder essa questão nesse momento, mas, em breve, as primeiras prévias operacionais/relatórios de prévias de resultados do 1T21 vão sair e vamos ter uma melhor visão do cenário. Enquanto isso, sem uma convicção do que fazer, sigo com a mesma estratégia: comprar perto do fundo e fazer parcial perto do topo.


Clique e abra sua conta na Clear

Array

Array

Navegue por assunto


Confira o que aconteceu no mercado na última semana (22/03 a 26/03) e quais são as perspectivas futuras

Se você acompanha o Fechamento de Mercado, sabe da minha resistência em encher a mão no nível atual mesmo com setores bem interessantes, como construção e shoppings. Na verdade, neste momento estou aproveitando para fazer parcial das compras feitas em 107 mil pontos no começo do mês e nem um pouco animado para voltar a comprar nesse nível.

Do outro lado, a “onda da oportunidade de ouro”, aquela mesma que pendurou muitos nos 125 mil pontos e mandou zerar nos 107 mil pontos, a cada retorno aos 117 mil pontos me lembra via redes sociais que é óbvio comprar.

Eu não sou de seguir manada, na verdade raramente encontro assimetrias interessantes para investir onde todo mundo está, mas quando as opiniões são tão antagônicas x meu cenário projetado para Brasil / bolsa brasileira gosto de refletir e perguntar: existe uma relação de risco x retorno favorável? Minha análise está com viés?

A questão aqui não é chegar a conclusão que estou certo ou errado, mas sim se estou viesado com alguma coisa e exagerando em alguma medida, seja super/subestimando o risco ou super/subestimando o retorno.

Por isso, quero usar esse espaço do Blog e mostrar para você o que estou pensando para chegar à conclusão que não encontro uma relação de risco x retorno interessante no mercado. Sugiro que faça o mesmo, afinal de contas estamos perto do último fundo em 109/107 mil pontos, ou seja, se for para comprar está aí uma boa oportunidade.

Cenário Gráfico

Vale começar falando sobre o básico da análise técnica, que é a tendência do mercado. No momento, o Ibovespa está em baixa no curtíssimo prazo e acabou de falhar em romper o topo intermediário em 117 mil pontos, mas falhou com muito sucesso, pois o volume na compra para esse rompimento foi pífio, sem falar da saída constante dos investidores estrangeiros neste mesmo nível.

Do outro lado, no curto prazo a tendência de alta está bem clara, o problema que ela foi iniciada em novembro do ano passado, quando marcou Fundo Duplo em 94 mil pontos, sendo que consolidada no rompimento de 100 mil pontos. Ou seja, estamos longe dos principais pontos e nem mesmo realizamos pullback dessa perna de alta.

Neste cenário gráfico atual, o que me assustou muito foi a falta de força na compra para romper 117 mil pontos e a consequente manutenção da tendência de baixa no curtíssimo prazo, a mesma que pode ser vista no EWZ (Ibovespa Dolarizado), sendo, que por lá, o viés de baixa pode ser visto no curto prazo.

Em vista desta tendência de baixa iniciada pelo Ibovespa no curtíssimo prazo + falta de força em romper 117 mil pontos + EWZ ainda em baixar = graficamente não tenho interesse em aumentar posição em Bolsa no nível atual e por isso adotei a estratégia de fazer parcial de posição.

O que pode mudar minha opinião?

O rompimento de 117 mil pontos com volume forte na compra. O que revelará que estou certo? A perda de 107 mil pontos e um novo momentum de baixa a favor da tendência recém iniciada.

Cenário Macro

Olhando agora para o cenário macro, temos redução de perspectiva de crescimento econômico por conta do avanço da pandemia, com metrópoles importantes, como São Paulo, entrando em lockdown. A solução aqui passa por uma coisa: aceleração do processo de vacinação e isso eu não tenho ideia como prever.

Deste processo, o que pode ser retirado para o cenário é perspectiva menor de crescimento, inclusive menor do que o projetado no final do ano passado, quando a bolsa estava em 100 mil pontos.

Um dos fatores que motivaram o boom da bolsa de valores, a queda da taxa de juros, entrou em um processo acelerado de aumento na luta contra o também aumento acelerado da inflação. Os conservadores projetam Selic em 6% ainda esse ano e para fechar em 2002 na casa de 7%.

Se há exagero ou não, acredito que existe uma boa discussão, mas o que virou consenso é que haverá aumento do prêmio de risco. A curva de juros inclinada para cima e sem motivos para reverter é um sinal claro disso e aí fica a pergunta: com esse nível de risco na mesa, vale encher a mão com Ibovespa cerca de 10% da máxima histórica? Existem fatores de upside que justificam essa entrada vs atual nível de risco?

O que pode mudar essa perspectiva?

Um arrefecimento da inflação e aí é preciso acreditar que as commodities vão recuar forte no curtíssimo prazo, assim como o dólar despencar com a melhora da percepção do investidor sobre os rumos do governo, em especial do lado fiscal. Se você acredita nisso, temos agora um nível de compra muito interessante para ficar 100% alocado em Bolsa, uma vez que, neste cenário otimista, de fato há um exagero no prêmio de risco “cobrado” pelo mercado.

Olhando para o rumo da política fiscal, essa me parece cada vez mais perdida e o rombo fiscal parece infindável, vide a agenda de reformas parada e falar em reformas em ano de eleição nunca foi vocação dos políticos brasileiros, ao mesmo tempo que a pressão por novas medidas fiscais para o Covid segue forte e uma nova rodada tem tudo para furar o teto de gastos.

Onde posso estar errado? Uma melhora abrupta do cenário econômico pós-pandemia, avanço na agenda de reformas, contenção de gastos em época de eleição e redução da dívida pública pela queda da Selic.

Conclusão

Olhando esse cenário de agora, fico totalmente confortável em encher o carrinho perto dos 100 mil pontos, uma vez que já comprei 107 mil pontos e não evoluiu, muito pelo contrário, confirmou topo na região.

Existem setores interessantes?

Sem dúvida alguma e por isso vale muito estudar caso a caso. Assim como encontramos no setor elétrico ótimas oportunidades de compra, como EQTL3 em 20,00, TAEE11 em 30,00 e CESP em 26,00, não posso negar que CYRE3 em 22,00, IGTA3 em 32,00 e RAIL3 em 18,00 são interessantes.

O ponto é que não posso entrar no meio do caminho ou perto da resistência, mas ter paciência no retorno para esses suportes, pois, pela análise, a tendência de baixa de curtíssimo prazo ainda vai ganhar força e enquanto não se provar ao contrário vou seguir cauteloso perto de topo.


Clique e abra sua conta na Clear

Array

Array

Navegue por assunto


Confira o que aconteceu no mercado na última semana (15/03 a 19/03) e quais são as perspectivas futuras

Surpreendendo o mercado, o Copom subiu a Selic de 2% para 2,75% ao ano e deixou bem claro duas coisas:

“O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2021 e, principalmente, o de 2022”

Esses dois aumentos, vide que já foi sinalizado que na reunião de 5 de maio pelo menos vamos para 3,5% ao ano, tem exclusivo objetivo de reduzir a probabilidade de não cumprimento da meta para a inflação deste ano em 5,25%, como manter a ancoragem das expectativas para horizontes mais longos e, assim, ajustar a inclinação da parte longa da curva.

Se o problema é inflação, o que faz todo sentido uma vez que estamos no regime de Metas de Inflação, então o Copom tem realmente um grande problema. Ao observar o comportamento de alta das commodities, que estão longe de dar um alívio no curtíssimo prazo, os próximos dados de inflação ainda devem se mostrar bastante pressionados pelo atacado, o que vai forçar o Bacen aumentar o ritmo de alta da Selic no curtíssimo prazo (esse ano).

Portanto, um aumento de 1,00 p.p na próxima reunião não deve ser descartado, ainda mais com dados de inflação acima do esperado ao longo de março/abril. No ritmo que está caminhando a inflação e como a parte curta da curva não para de subir, pensar em Selic em 5,50% ao fim deste ano para “zerar o juro real” é um cenário-base conservador vide tudo que foi dito pelo Copom e pensar em 6% não está fora da realidade.

A sinalização que precisa agir rápido e com intensidade para não prejudicar as perspectivas para os próximos anos ajuda a conter especulações, mas, sem dúvida, mostra um descompasso com toda a comunicação passada. O bom de tudo isso é que o mercado queria uma resposta rápida do Copom e aceitousem problemas. Do contrário….

O Copom classificou essa mudança de postura como um “processo de normalização parcial” e observou que as perspectivas atuais não pedem mais estímulos monetários “extraordinários”. Aqui é preciso um comentário importante sobre 2022 (até o fim da eleição): será dada uma porrada agora, mas isso não significa que o Copom não está de olho na economia. Digo isso, pois os “estímulos monetários” ainda estão no comunicado.

Por isso, o desenrolar da pandemia será muito importante para o rumo do curtíssimo prazo (1-2 anos), pois, se a economia não andar a inflação por força da demanda irá perder um pouco de força e o Copom não vai apertar tanto o passo em 2022 para não travar ainda mais a economia.

Isso será bom? Muito longe disso, pois 2021/2022 será marcado por anos de estagnação econômica e inflação, a situação desastrosa do Dilma II.

O Copom segue muito preocupado com o rumo do fiscal e deixou novamente bem claro que sem reforma = mais um motivo para subir a Selic além do combate à inflação: “o risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária”.

Array

Array

Navegue por assunto


Confira o que aconteceu no mercado na última semana (08/03 a 12/03) e quais são as perspectivas futuras

Na próxima semana, entre os dias 16 e 17 de março, teremos a 237º reunião do Copom e a expectativa majoritária é por um aumento da Selic depois de cinco decisões de manutenção em 2% ao ano.

Se a alta está dada, sua magnitude não é consenso, assim como existem grandes dúvidas sobre as sinalizações do colegiado em vista do cenário macro bastante conturbado entre aumento da inflação e redução de expectativa de crescimento.

Por isso, essa reunião promete mudar bastante a percepção do mercado sobre o rumo da política monetária e principalmente responder: faz sentido a curva de juros estar tão inclinada?

Para se ter uma ideia, na fotografia atual a curva de juros precifica alta de 0,75 ponto percentual (p.p) na próxima quarta-feira e para encerrar o ano na marca de 6%, o que representa uma alta 2 p.p em relação a última projeção do Boletim Focus. Ou seja, temos um prêmio bem razoável na curva e esse tipo de assimetria de percepção de risco que vale ficar de olho.

Mas o que mudou de janeiro (última reunião) até agora para o mercado colocar tanto risco na mesa? Entre vários fatores, vou destacar dois mais “recentes”: 

i) pressão inflacionária (risco já monitorado);

ii) risco político com a Lula elegível (totalmente inesperado). Não vou colocar aqui em destaque o risco fiscal, pois esse nunca saiu (ou vai sair) da mesa, só aumenta e não vai ser retirado da curva tão cedo.

Risco inflacionário

Começar falando do risco inflacionário, que não é novidade para ninguém, mas essa semana deu um susto com o IPCA subindo para 0,86% em fevereiro, acima da expectativa do mercado de 0,70% e na sua maior variação para o mês desde 2016. Se for usar o IGP-M como referência, em dois meses o índice já acumula alta de 5,17%.

Nos dois casos, o aumento dos custos de transporte, em outras palavras, a alta dos combustíveis, foi o grande responsável pelo salto. Os preços dos alimentos também seguem em alta no ritmo dos preços das commodities, assim como a desvalorização da nossa moeda frente as principais economias do mundo com efeito direto nos insumos.

No caso da inflação, não existem perspectivas de uma queda brusca do preço das commodities no curtíssimo prazo para justificar um alívio dos preços dos alimentos, assim como do lado do câmbio o mesmo ficará depreciado enquanto não houver um movimento para o avanço real das reformas.

Porém, existe um outro ponto importante sobre a inflação que é o ritmo de crescimento da economia. Tendo em vista o agravamento da pandemia no Brasil e o compasso lento de vacinação, o mercado segue revisando para baixo sua perspectiva de crescimento e isso levando em conta o cenário-base do Bacen não tenho dúvidas que isso será argumento para não acelerar o ritmo de alta da Selic como o mercado está projetando.

A projeção sobre o ritmo de crescimento e como o colegiado irá relacionar isso com o aumento da Selic vai ser parte importante do comunicado do próximo dia 17.

Indo agora para o risco político, esse aí estava “descansando” para o ano que vem, mas com a reviravolta no caso Lula x Lava Jato já começa entrar na conta.

Se pensar friamente, não existem motivos (no momento) para acreditar que esse risco irá diminuir, pois haverá uma forte polarização e se a popularidade de Bolsonaro cair forte não tem como duvidar que novas medidas populistas serão lançadas e aí vamos cair no aumento do risco fiscal.

No final das contas, para essa reunião espero a retirada do grau “extraordinário” de estímulo tão falado nos comunicados e o começo da normalização da Selic, como o próprio Copom anunciou na última ata, com uma alta de 50 p.p para dar um recado forte ao mercado.

Em complemento, um comunicado bastante hawkish e preocupado com o rumo da inflação, uma vez que é o mandato, mas não deve abandonar o discurso de economia fraca e que ainda precisa de certo grau de estímulo. Sobre o fiscal, a preocupação constante e crescente.

Esse último componente (crescimento) que, na minha opinião, deve levar a uma correção da curva de juros que projeta Selic em 6% ao final do ano e um retorno para a faixa de 5%. Foi por essa assimetria de risco que compramos no retorno para 107 mil pontos — veja aqui.

Agenda da próxima semana

No domingo, às 23h00, teremos a produção industrial e vendas no varejo chinês do mês de fevereiro.

Na segunda teremos o tradicional Boletim Focus às 8h00 e vale lembrar que devido ao início horário de verão nos Estados Unidos (uma hora de diferença frente ao horário de Brasília) a B3 voltará fechar às 17h00.

Na terça, às 9h30, nos EUA teremos as vendas no varejo, produção industrial e utilização da capacidade instalada todos de fevereiro.

Na quarta, às 7h00, serão divulgados os índices de inflação da Zona do Euro de fevereiro, enquanto às 15h00 teremos a reunião do Fed e às 15h30 a coletiva do presidente do Fed, Jerome Powell. Mais tarde, às 18h00, será a vez do Copom.

Quinta e sexta não serão divulgados dados relevantes.

Clique e abra sua conta na Clear

Array

Array

Navegue por assunto


O mês de março (encerramento do trimestre) será decisivo para o rumo do mercado em todos os sentidos.

Do lado gráfico, ao perder a faixa de 116 mil pontos, pela primeira vez desde o movimento de alta vindo de novembro, o Ibovespa engatilhou uma tendência de baixa no curtíssimo prazo e isso implica em mudar toda relação de como carregar as posições nesse tempo.

Com essa sinalização, para quem utiliza a análise técnica como referência de parciais e stop loss, o retorno para o último fundo perdido + uma reação negativa = oportunidade de zerar pelo menos 25% da posição se for a favor da tendência de curto prazo ou 50% se a entrada foi contra a tendência de curto prazo.

Está vendo no gráfico do Ibovespa as setas vermelhas na faixa de 116 mil pontos? Esse foi o ponto perdido que abriu caminho para a tendência de baixa no curtíssimo prazo e neste ponto que vale pensar na parcial. Agora faça o mesmo exercício com os papéis em sua carteira e procure pelo último fundo perdido + por onde passam as médias móveis exponenciais de 21 e 72 dias. Encontrou? Essa será sua referência.

Do lado do macro, o grande estresse político entre intervenções em diretorias de estatais e PEC Emergencial levou a curva de juros inclinar relembrando os picos da crise do COVID, não que a situação esteja melhor, na verdade muito longe disso vide que em São Paulo, por exemplo, está na Fase Vermelha e o Brasil batendo recordes de óbitos, mas estou falando aqui sobre o nível de precificação da Selic.

No pico de estresse de quarta (3), a curva colocava na conta uma probabilidade alta de aumento de 0,75 ponto percentual para a Selic na reunião de 16/17 de março, sendo que boa parte dos economistas acreditam em um aumento de 0,25 p.p ou os mais agressivos 0,50 p.p. Ou seja, uma gordura bem considerável do cenário-base.

Olhando o miolo da curva, para os vencimentos de 3 – 5 anos, o estresse foi tão grande que a projeção chegou marcar Selic em 8% em 2024, ao passo que o Boletim Focus a projeção está em 6%.

Todo o estresse dessa semana foi uma amostra que os investidores (pelo menos eu) estão verdadeiramente preocupados com o rumo do fiscal e qualquer sinalização de irresponsabilidade com as contas públicas, como foi especulado com o Bolsa Família fora do teto de gastos e relembrando os trevosos tempos da contabilidade criativa, será refletido diretamente em maior risco.

Se nada de bizarro nesse sentido acontecer, o mercado vai corrigir essa distorção momentânea do nível de risco, mas muito longe de olhar como caso solucionado, uma vez que a PEC Emergencial não está discutindo uma solução para o rombo fiscal, mas sim uma maneira de não aumentá-lo ainda mais vide as necessidades de estímulos de renda com a pandemia longe de acabar + ritmo lento de vacinação = perspectiva menor de crescimento.

Justamente pela menor perspectiva de crescimento e essa espada na cabeça que se chama fiscal, acredito em apenas uma acomodação do nível de risco depois de um exagero e não uma virada que resultaria em belíssima oportunidade de compra uma vez que o risco x retorno está muito atrativo.

Neste sentido, tivemos um bom nível de retorno (preço das ações) oferecido, com diversas empresas voltando aos níveis de meados do ano passado e múltiplos atrativos, tanto que aproveitamos para comprar — veja aqui –, mas com tantos problemas do lado macro e sem contrapartida aparente não acredito em um grande potencial de valorização. Por isso, não estou 100% alocado e comprei setor elétrico para rentabilizar minha carteira com dividendos e por ser um setor com beta baixo.

Para ficar 100% alocado diante desse cenário, que seria colocar ações com maior beta na carteira, será preciso um nível de retorno maior, pois, na minha visão, o risco ainda está muito alto e olhando o macro nada sugere uma melhora.


Clique e abra sua conta na Clear

Array

Array

Navegue por assunto


Quando você está diante da tomada de decisão de investimento, você pensa primeiro na rentabilidade ou no risco envolvido?

Eu não tenho em mãos uma pesquisa para apontar o percentual, mas acredito que a esmagadora maioria pensa na rentabilidade e tiro essa conclusão com base na “febre dos ganhos rápidos” que tomou conta do mercado financeiro.

Obviamente, ninguém entra em qualquer negócio ou toma uma decisão na vida pensando em perder, não estou questionando positividade nas atitudes, mas acreditar piamente que vai dar certo e não considerar as margens de erro gera um viés cognitivo chamado de ilusão de controle.

O que é “ilusão de controle”?

Em poucas palavras, ilusão de controle é a “capacidade” de controlar situações futuras, ou seja, simplesmente acreditar que vai dar certo e ponto final. Isso, dentro da economia comportamental, esbarra em outro viés conhecido como excesso de confiança.

Poderia ficar aqui citando inúmeros exemplos desses dois vieses, mas a ideia aqui é trazer uma ideia para enfrentar esse problema. Por isso, vou deixar apenas uma pequena reflexão: se você tem o hábito de SUPERestimar seus acertos e SUBestimar seus erros, sem dúvida você está preso nesse viés.

“Não seja um herói. Não tenha ego. Sempre questione a si mesmo e as suas habilidades. Nunca pense que você é muito bom. O momento em que pensar. Você está morto.” Paul Tudor Jones

Falar sobre o viés de ilusão do controle foi um gancho para explorar um tema que gosto muito e muitas vezes é negligenciado uma vez que não dá clique, pois implica em algo negativo: possibilidade de erro.

No final das contas, ninguém consegue prever o futuro e a única opção que sabemos quando entramos em qualquer investimento é o risco que estamos tomando.

Parece uma coisa óbvia, mas quando a operação está indo ao contrário do esperado, a primeira coisa que o investidor vai buscar são notícias para corroborar sua tese e cego nesta convicção não raro compra mais fora do seu preço, ou seja, provavelmente não está obedecendo seu setup.

Neste exato momento, você coloca a camisa e vira torcedor.

Como evitar isso?

Eu sei, você pensou stop loss.

Sem dúvida ele é a salvação de tudo isso, mas não estou aqui para ser fiscal de trading e dar lição de moral para quem não encerrou uma posição perdedora, mas sim mostrar uma abordagem diferente sobre construção de setup.

Ao invés de pensar no lucro, porque não começar pensando no prejuízo? Ao invés de pensar em projetar Fibonacci para imaginar que aquela operação vai dar certo, porque não pensar em quanto posso perder nessa operação?

Quando você começa olhar o mercado por esse prisma e desenvolver um setup, seja de day trade ou de position trade, a primeira coisa que você vai pensar na hora de investir é se aquela operação tem boa probabilidade de acerto, sendo que neste conceito entra operar a favor da tendência, teste de importante suporte gráfico e volume (interesse do mercado).

Se sim qual o risco se tudo der errado? Se ele está compatível com seu gerenciamento de risco e aqui entram conceitos como tamanho de lote operado e tamanho do stop loss x tolerância de risco por trade, essa operação se encaixa no seu setup e você pode executar sem medo. Sabe por quê?

Porque, se perder, vou perder pouco, mas se estiver trabalhando com a probabilidade ao meu favor tenho um bom potencial de valorização para aproveitar.

Na minha opinião, quando você muda a chave de “vou ganhar” para “quanto posso perder”, a chance de comprar nos momentos de baixa do mercado, ou seja, quando o risco x retorno é bastante atrativo, é extremamente grande e por isso eu prefiro pensar em investimento desta forma.

Tendo isso como base, minha sugestão para quem está construindo um setup ou está revistando seu sistema (sempre faça isso) é focar no quanto você perde/ganha nas operações, pois não adianta (na minha visão) ter um nível de acerto alto com rentabilidade pequena e quando o stop loss é acionado o prejuízo financeiro é igual ou até maior que o lucro.

Por isso, pense primeiro no risco, pois, inevitavelmente, o retorno deve ser maior quando a operação caminhar ao seu favor.

Clique e abra sua conta na Clear