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Cenário atrativo para compra? [Resumo Semanal 22/03]

Cenário atrativo para compra? [Resumo Semanal 22/03]

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (22/03 a 26/03) e quais são as perspectivas futuras

Se você acompanha o Fechamento de Mercado, sabe da minha resistência em encher a mão no nível atual mesmo com setores bem interessantes, como construção e shoppings. Na verdade, neste momento estou aproveitando para fazer parcial das compras feitas em 107 mil pontos no começo do mês e nem um pouco animado para voltar a comprar nesse nível.

Do outro lado, a “onda da oportunidade de ouro”, aquela mesma que pendurou muitos nos 125 mil pontos e mandou zerar nos 107 mil pontos, a cada retorno aos 117 mil pontos me lembra via redes sociais que é óbvio comprar.

Eu não sou de seguir manada, na verdade raramente encontro assimetrias interessantes para investir onde todo mundo está, mas quando as opiniões são tão antagônicas x meu cenário projetado para Brasil / bolsa brasileira gosto de refletir e perguntar: existe uma relação de risco x retorno favorável? Minha análise está com viés?

A questão aqui não é chegar a conclusão que estou certo ou errado, mas sim se estou viesado com alguma coisa e exagerando em alguma medida, seja super/subestimando o risco ou super/subestimando o retorno.

Por isso, quero usar esse espaço do Blog e mostrar para você o que estou pensando para chegar à conclusão que não encontro uma relação de risco x retorno interessante no mercado. Sugiro que faça o mesmo, afinal de contas estamos perto do último fundo em 109/107 mil pontos, ou seja, se for para comprar está aí uma boa oportunidade.

Cenário Gráfico

Vale começar falando sobre o básico da análise técnica, que é a tendência do mercado. No momento, o Ibovespa está em baixa no curtíssimo prazo e acabou de falhar em romper o topo intermediário em 117 mil pontos, mas falhou com muito sucesso, pois o volume na compra para esse rompimento foi pífio, sem falar da saída constante dos investidores estrangeiros neste mesmo nível.

Do outro lado, no curto prazo a tendência de alta está bem clara, o problema que ela foi iniciada em novembro do ano passado, quando marcou Fundo Duplo em 94 mil pontos, sendo que consolidada no rompimento de 100 mil pontos. Ou seja, estamos longe dos principais pontos e nem mesmo realizamos pullback dessa perna de alta.

Neste cenário gráfico atual, o que me assustou muito foi a falta de força na compra para romper 117 mil pontos e a consequente manutenção da tendência de baixa no curtíssimo prazo, a mesma que pode ser vista no EWZ (Ibovespa Dolarizado), sendo, que por lá, o viés de baixa pode ser visto no curto prazo.

Em vista desta tendência de baixa iniciada pelo Ibovespa no curtíssimo prazo + falta de força em romper 117 mil pontos + EWZ ainda em baixar = graficamente não tenho interesse em aumentar posição em Bolsa no nível atual e por isso adotei a estratégia de fazer parcial de posição.

O que pode mudar minha opinião?

O rompimento de 117 mil pontos com volume forte na compra. O que revelará que estou certo? A perda de 107 mil pontos e um novo momentum de baixa a favor da tendência recém iniciada.

Cenário Macro

Olhando agora para o cenário macro, temos redução de perspectiva de crescimento econômico por conta do avanço da pandemia, com metrópoles importantes, como São Paulo, entrando em lockdown. A solução aqui passa por uma coisa: aceleração do processo de vacinação e isso eu não tenho ideia como prever.

Deste processo, o que pode ser retirado para o cenário é perspectiva menor de crescimento, inclusive menor do que o projetado no final do ano passado, quando a bolsa estava em 100 mil pontos.

Um dos fatores que motivaram o boom da bolsa de valores, a queda da taxa de juros, entrou em um processo acelerado de aumento na luta contra o também aumento acelerado da inflação. Os conservadores projetam Selic em 6% ainda esse ano e para fechar em 2002 na casa de 7%.

Se há exagero ou não, acredito que existe uma boa discussão, mas o que virou consenso é que haverá aumento do prêmio de risco. A curva de juros inclinada para cima e sem motivos para reverter é um sinal claro disso e aí fica a pergunta: com esse nível de risco na mesa, vale encher a mão com Ibovespa cerca de 10% da máxima histórica? Existem fatores de upside que justificam essa entrada vs atual nível de risco?

O que pode mudar essa perspectiva?

Um arrefecimento da inflação e aí é preciso acreditar que as commodities vão recuar forte no curtíssimo prazo, assim como o dólar despencar com a melhora da percepção do investidor sobre os rumos do governo, em especial do lado fiscal. Se você acredita nisso, temos agora um nível de compra muito interessante para ficar 100% alocado em Bolsa, uma vez que, neste cenário otimista, de fato há um exagero no prêmio de risco “cobrado” pelo mercado.

Olhando para o rumo da política fiscal, essa me parece cada vez mais perdida e o rombo fiscal parece infindável, vide a agenda de reformas parada e falar em reformas em ano de eleição nunca foi vocação dos políticos brasileiros, ao mesmo tempo que a pressão por novas medidas fiscais para o Covid segue forte e uma nova rodada tem tudo para furar o teto de gastos.

Onde posso estar errado? Uma melhora abrupta do cenário econômico pós-pandemia, avanço na agenda de reformas, contenção de gastos em época de eleição e redução da dívida pública pela queda da Selic.

Conclusão

Olhando esse cenário de agora, fico totalmente confortável em encher o carrinho perto dos 100 mil pontos, uma vez que já comprei 107 mil pontos e não evoluiu, muito pelo contrário, confirmou topo na região.

Existem setores interessantes?

Sem dúvida alguma e por isso vale muito estudar caso a caso. Assim como encontramos no setor elétrico ótimas oportunidades de compra, como EQTL3 em 20,00, TAEE11 em 30,00 e CESP em 26,00, não posso negar que CYRE3 em 22,00, IGTA3 em 32,00 e RAIL3 em 18,00 são interessantes.

O ponto é que não posso entrar no meio do caminho ou perto da resistência, mas ter paciência no retorno para esses suportes, pois, pela análise, a tendência de baixa de curtíssimo prazo ainda vai ganhar força e enquanto não se provar ao contrário vou seguir cauteloso perto de topo.