Contra o fluxo não há argumento [Resumo Semanal 27/11]

Contra o fluxo não há argumento [Resumo Semanal 27/11]

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Por: Time Master Clear

27/11/2020 • Atualizado: 10/12/2021

4 minutos

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (23/10 a 27/10) e quais são as perspectivas futuras

Com a quarta semana consecutiva de alta e uma valorização beirando a casa de 15% em novembro, o Ibovespa confirmou fundo sobre os 93 mil pontos e está cerca de 10% da máxima histórica cravada na antepenúltima semana de janeiro em 119.593 mil pontos.

Se for para nomear um grande responsável por esse rali de final de ano sem dúvida podemos colocar na conta dos investidores estrangeiros.

No final de outubro, quando “tudo iria acabar” por conta das eleições dos EUA e foi esquecido de todo avanço com relação as vacinas contra o COVID, os gringos já marcavam presença por aqui com fluxo positivo (compras > vendas) de R$ 2,87 bilhões.

No mesmo sentido, o número médio de negócios diário na B3 subiu 7,6% frente setembro e isso refletiu diretamente no OBV (On Balance Volume), que é um dos medidores de fluxo mais eficientes dentro da análise técnica e com base neste interesse na compra sobre 93 mil pontos que saiu a recomendação de compra dada no InfoTrade — confira tudo aqui.

Se em outubro foi iniciado o movimento sobre 93 mil pontos, neste mês foi consolidada toda expectativa positiva com o rompimento da faixa de 100 mil pontos e a entrada maciça dos investidores estrangeiros na bolsa brasileira. Até o último dia 24, as compras dos gringos superaram as vendas em R$ 29,5 bilhões e a participação deles na B3 saltou para 48,1%, sendo que neste ano a média está em 46,7%.

Para se ter uma ideia da magnitude do fluxo o valor até então computado neste mês supera a saída de R$ 24,2 bilhões em março, mês marcado pelo auge da crise gerada pelo COVID.

No ano o saldo ainda está negativo em R$ 35,8 bilhões (considerando IPO) e pela magnitude tem tudo para encerrar 2020 no vermelho e marcar o maior saldo negativo anual desde 2008 quando as vendas superaram as compras em R$ 8,56 bilhões. Porém, isso pouco importa para o rumo do mercado neste final de ano, pois com a forte entrada em novembro tivemos uma mudança radical na estrutura gráfica e que eleva a chance do mercado zerar as perdas de 2020.

Como pode-se observar pelo gráfico mensal do Ibovespa acima, esse forte fluxo comprador pelo lado dos gringos resultou no rompimento da faixa de 105 mil pontos, principal resistência de curto prazo, fato esse que consolidou um pivô de alta (linhas verdes) e sacramentou o início de uma tendência de alta no curto prazo, ou seja, retomamos o viés positivo que vinha desde meados de 2017 com o rompimento da faixa de 70 mil pontos e que foi interrompido com a brusca queda em março até justamente essa faixa de 70 mil pontos, onde no final das contas o mercado encontrou o fundo do ano.

Obviamente ninguém prevê o futuro, mas em vista da tendência de alta existe uma grande chance do mercado retornar pelo menos para a abertura do ano na faixa de 115 mil pontos. Contudo, seguir o movimento das bolsas internacionais, ou seja, romper o topo histórico e engatilhar um novo momentum de alta no gráfico mensal vai depender da evolução do quadro fiscal no começo do ano que vem, pois isso será gatilho para justificar a queda da curva de juros e gerar upside para a renda variável — entenda os motivos aqui.

Agenda econômica da próxima semana

No domingo será divulgado o PMI Industrial (oficial) chinês de novembro (22h00), enquanto na segunda, às 22h45, o PMI Industrial medido pelo instituto Caixin.

Na terça será a vez do PMI da Zona do Euro (6h00) e dos EUA (11h45) de novembro, sendo que por aqui os dados industriais de outubro serão publicados na quarta (9h00). Ainda neste dia, às 10h15, teremos o ADP Employment de novembro e o Livro Bege (16h00).

Na quinta, às 9h00, atenção especial para o PIB brasileiro do terceiro trimestre e mais uma rodada de PMIs na Zona do Euro (6h00) e nos EUA (11h45), todos dados de novembro.

Para fechar a semana, às 10h30, será divulgado o Relatório de Emprego de novembro.