Copom: ditando o ritmo de jogo [Resumo Semanal 26/04]

Confira o que aconteceu no mercado na última semana (26/04 a 30/04) e quais são as perspectivas futuras

Na próxima quarta-feira (5), o Copom irá definir o rumo da Selic e tudo indica que será repetida a dose de +0,75 ponto, com a taxa básica de juros chegando aos 3,5% ao ano.

Isso literalmente está na conta do mercado, uma vez que está precificado na curva de juros, ao passo que a comunicação sobre os próximos aumentos, sendo mais didático, até onde o Copom pretende apertar a corda, será o principal assunto desta reunião de maio.

Para entender isso, o investidor deverá ficar ligado em qual será o tom do Comitê sobre o ritmo da inflação, se vai reforçar sua preocupação (ideal) ou aliviar um pouco depois do último dado do IPCA-15, como será interessante observar a postura com relação ao fiscal vide a “matemágica” feita no Orçamento deste ano.

Sobre a inflação, mais especificamente sobre o IPCA-15, foi uma grata surpresa a desaceleração de 0,93% para 0,60% na passagem de março para abril, mas, quando olhamos o acumulado de 12 meses, que serve como base para projetar o ano, já estamos em 6,17%, acima do teto da meta de inflação de 6%.

Obviamente, o Copom não irá se basear nisso para reduzir seu ritmo de aperto, mas o que vale atenção é como o Comitê observará a trajetória de inflação no curto prazo para comunicar se nesse horizonte existe risco da meta de inflação ser ultrapassada ou não.

Em outras palavras, se ele vai voltar com aquele discurso de inflação controlada ou vai seguir com sua mudança de tom da última reunião de cruzada contra a inflação.

Esse trecho do comunicado justificando o aumento em 0,75 em abril e a sinalização de novas altas ao longo do ano ajuda ilustrar o que estou dizendo:

“O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2021 e, principalmente, o de 2022”

Além da inflação, outro ponto que será bastante curioso e sem dúvida controverso será a posição do Copom em relação ao rumo da política fiscal, componente de risco importante para o aumento da taxa de juros.

Se levar ao pé da letra, o Orçamento de 2021 não piorou a trajetória fiscal, como os membros do Comitê gostam de falar no comunicado, mas todas as mudanças feitas para acomodar esse Orçamento e as consequências para o ano que vem com as despesas extras colocadas “em anexo” não vão evaporar, tanto que não que a curva de juros precifica Selic em 6,5% ainda esse ano.

O mercado, que não gostou da contabilidade criativa feita para driblar o teto de gastos, ficará atento uma vez que existe um prêmio gigante na curva justamente por conta disso. Se o Copom ignorar a piora do sentimento sobre o rumo do fiscal, uma correção deve ser vista ou os players seguirão pagando para ver até onde vai essa responsabilidade fiscal.

Vale lembrar que depois da reunião de maio teremos mais 5 encontros e pelo relatório Focus as expectativas para esse ano giram em torno de 5,5%, ou seja, colocando na conta a alta de 0,75 ponto de agora e seguindo com o ritmo, o Comitê deverá parar em setembro, enquanto na curva precifica alta  até pelo menos outubro.

O Copom precisará ditar muito bem o ritmo de jogo.