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Copom muda o tom (para melhor) [Resumo Semanal 11/12]

Copom muda o tom (para melhor) [Resumo Semanal 11/12]

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (07/12 a 11/12) e quais são as perspectivas futuras

Em sua 235ª reunião, o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu, por unanimidade, manter a Selic em 2,00% a.a, mas desta vez mudou drasticamente sua comunicação e saiu de um tom dovish para hawkish.

Em poucas palavras, o Comitê não está mais propenso em manter os estímulos monetários e temos um viés de alta para a taxa de juros. Isso não significa que a Selic vai subir de uma hora para outra, mas sim uma adaptação ao cenário de que a política monetária começará a se normalizar gradualmente.

A decisão do Copom em mudar seu tom foi em vista do forte avanço da inflação, que talvez não está sendo tão sentida no IPCA, mas nos IGPs a variação anual de dois dígitos assusta bastante e hora ou outra vai contaminar a inflação oficial. A sinalização ficou clara no penúltimo parágrafo do comunicado:

“O Copom avalia que, desde a adoção do forward guidance, observou-se uma reversão da tendência de queda das expectativas de inflação em relação às metas para o horizonte relevante. Além disso, ao longo dos próximos meses, o ano-calendário de 2021 perderá relevância em detrimento ao de 2022, que está com projeções e expectativas de inflação em torno da meta. A manutenção desse cenário de convergência da inflação sugere que, em breve, as condições para a manutenção do forward guidance podem não mais ser satisfeitas, o que não implica mecanicamente uma elevação da taxa de juros pois a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo extraordinariamente elevado frente às incertezas quanto à evolução da atividade. No cenário de retirada do forward guidance, a condução da política monetária seguirá o receituário do regime de metas para a inflação, baseado na análise da inflação prospectiva e de seu balanço de riscos”

Quando o Comitê diz que “as condições para a manutenção do forward guidance podem não mais ser satisfeitas”, ele afirma que não se compromete mais em manter a Selic estável, já que vislumbra no seu cenário um avanço da inflação que reduz a probabilidade de ficar abaixo do centro da meta em um horizonte relevante e, desta forma, retorna para o bom e velho regime de metas de inflação. Em grosso modo, o regime tem como objetivo utilizar os instrumentos de política monetária para coibir o avanço dos preços.

No último blog comentei da possibilidade do Copom mudar seu tom, mas sinceramente não esperava por isso, ao passo que fico muito feliz com essa decisão e acredito que boa parte do mercado também, pois o Comitê alterou o tom de forma apropriada para refletir esse aumento contínuo da expectativa de inflação e ao mesmo tempo não foi truculento (ou mesmo incoerente) no seu discurso sobre a inflação.

O Copom segue com seu prognóstico que a economia não vai crescer em V como alguns projetam e que esse choque de preços atual, basicamente guiado pela disparada das commodities, é um efeito temporário e “é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui os anos-calendário de 2021 e 2022”.

Traduzindo tudo isso em perspectiva para a curva de juros, acredito que um avanço de curto prazo da inflação ao longo de 2021 irá motivar o Copom subir a Selic antes do esperado pelo mercado, que majoritariamente projeta alta para o começo de 2022, percepção essa derivada da mudança para metas de inflação. O que, assim como o Comitê, acho difícil pois a desaceleração da economia / retirada dos estímulos de renda devem frear essa inflação e ela ficar mais próximo do centro da meta que o projetado pelo mercado.

Subindo no final de 2021 ou começo de 2022 (o que é muito mais provável), acredito que o mais importante desta última reunião do ano foi o Copom entender que o cenário inflacionário de curto prazo mudou e que está pronto para atuar, pois parecia que o Comitê estava em outro mundo e que iria se adaptar quando as coisas estivessem no limite.

Isso ajuda muito na precificação da curva e quando estamos tratando de economia melhor sair do nível conservador (de olho para subir Selic) para o nível agressivo (manter Selic estável), ou seja, se a inflação eventualmente explodir o Copom já sinalizou que está de olho nisso e vai atuar instantaneamente através do aumento efetivo da taxa ou um tom mais duro no comunicado.

Se um dos riscos para o aumento da Selic está bem mapeado pelo Copom, o lado fiscal ainda é uma verdadeira incógnita e a parte mais longa da curva ainda possui prêmio em vista desta preocupação. Assim, as sinalizações do governo serão extremamente importantes para reduzir esse prêmio (sinalizações positivas) ou aumentar o prêmio na curva toda (a curta já devolveu bastante) — entenda mais aqui.