[xp_hellobar][/xp_hellobar]

Copom: o bêbado e o equilibrista [Resumo Semanal 03/05]

Copom: o bêbado e o equilibrista [Resumo Semanal 03/05]

Navegue por assunto


Confira o que aconteceu no mercado na última semana (03/05 a 07/05) e quais são as perspectivas futuras

Em sua 238ª reunião, o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu, por unanimidade e sem surpresas, elevar a taxa Selic em 0,75 ponto percentual para 3,50% a.a. O que não foi consenso para o mercado foi o tom do comunicado.

A comunicação do Comitê é muito importante para alinhar as expectativas dos investidores e desta vez tivemos aspectos dovish e hawkish no mesmo comunicado, lembrando que no último e até mesmo na ata havia um certo desespero no combate à inflação e na necessidade do aperto monetário (hawkish).

Nada contra mudanças de comunicação, afinal o mercado e a economia são organismos vivos e não se adaptar é um erro, mas sempre é importante manter uma coerência na estratégia de política monetária, uma vez que o rumo da Selic guia diversas decisões de investimento.

O que foi bastante coerente foi o rumo do juro neste ano, com o Copom contratando mais um aumento de 0,75 p.p para a reunião de 16 de junho e deixou bem claro que o compromisso do Bacen no momento é “assegurar o cumprimento da meta de inflação”.

Sobre a inflação, mais especificamente sobre o último dado importante que foi o IPCA-15, foi uma grata surpresa a desaceleração de 0,93% para 0,60% na passagem de março para abril, mas, quando olhamos o acumulado de 12 meses, que serve como base para projetar o ano, já estamos em 6,17%, acima do teto da meta de inflação de 6%.

Outro ponto importante nesse discurso de combate à inflação foi admitir que o preço das commodities não deve arrefecer tão cedo e bater na tecla que sem responsabilidade fiscal qualquer esforço vai ser jogado no lixo.

“Por outro lado, novos prolongamentos das políticas fiscais de resposta à pandemia que piorem a trajetória fiscal do país, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem pressionar ainda mais os prêmios de risco do país. O risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária”

Até aqui temos um Copom bem coerente com seu último comunicado mais duro, fato que muda completamente com esse trecho e que justifica o aspecto dovish do comunicado.

“O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2022. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de estabilização de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”

Quando o Copom fala em “suavização das flutuações do nível de atividade e fomento do pleno emprego”, ele sinaliza que pretende subir a Selic em um nível que não prejudique o já lento processo de recuperação da economia, que ele mesmo cita que está sendo prejudicado pela segunda onda da pandemia.

Portanto, levando em conta esse raciocínio, o Comitê quer dar uma pancada logo nos juros para ser suficiente para coibir o avanço da inflação, mas sem trazer danos para uma potencial recuperação econômica.

Atitude louvável, mas o Copom não pode esquecer que está subindo juros, ou seja, o efeito vai ser frear de qualquer jeito e ficou mais do que provado pelo mundo que somente a vacinação acelerada que resolverá essa crise econômica, assim como medidas fiscais, mas aqui estamos quebrados.

Para justificar esse afrouxamento quanto ao combate à inflação no curto prazo, o Copom reduziu a expectativa de inflação para 2022 para 3,4%, abaixo do centro da meta, assim como ressalta que as medidas tomadas são “compatíveis com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante”, enquanto no comunicado passado citava “acima” do intervalo.

Então, em um mesmo comunicado que o compromisso com a meta de inflação é prioridade, uma redução de um mês no ritmo de inflação apontado pelo IPCA-15 e outras medidas + colocando na conta os aumentos para esse ano foram suficientes para mudar o tom sobre o ritmo dos preços e ter braço para acelerar o ritmo econômico.

No final das contas, nesse comunicado o Copom sinalizou que esse processo de “normalização parcial”, que seria o aumento de juros pelo Copom, deve ser intenso de junho até setembro, com mais 3 aumentos e Selic em pelo menos 5,5%, mas suavizou o discurso sobre a inflação em 2022 e voltou ponderar crescimento nas decisões.

Para mim, crescimento envolve vacinação para “voltar ao normal” e não vai ser o Copom que vai resolver isso, da mesma forma que espero que o Comitê se concentre em realizar sua missão de conservar as metas de inflação, afinal, como minha mãe sempre dizia: “faça bem feito e fará uma vez só”.

Agora que você já sabe o que aconteceu no mercado essa semana, abra sua conta na Clear para começar a investir e fazer seu dinheiro render!