Copom: o que esperar para a próxima reunião? [Resumo Semanal 08/03]

Copom: o que esperar para a próxima reunião? [Resumo Semanal 08/03]

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Por: Time Master Clear

12/03/2021 • Atualizado: 10/12/2021

5 minutos

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (08/03 a 12/03) e quais são as perspectivas futuras

Na próxima semana, entre os dias 16 e 17 de março, teremos a 237º reunião do Copom e a expectativa majoritária é por um aumento da Selic depois de cinco decisões de manutenção em 2% ao ano.

Se a alta está dada, sua magnitude não é consenso, assim como existem grandes dúvidas sobre as sinalizações do colegiado em vista do cenário macro bastante conturbado entre aumento da inflação e redução de expectativa de crescimento.

Por isso, essa reunião promete mudar bastante a percepção do mercado sobre o rumo da política monetária e principalmente responder: faz sentido a curva de juros estar tão inclinada?

Para se ter uma ideia, na fotografia atual a curva de juros precifica alta de 0,75 ponto percentual (p.p) na próxima quarta-feira e para encerrar o ano na marca de 6%, o que representa uma alta 2 p.p em relação a última projeção do Boletim Focus. Ou seja, temos um prêmio bem razoável na curva e esse tipo de assimetria de percepção de risco que vale ficar de olho.

Mas o que mudou de janeiro (última reunião) até agora para o mercado colocar tanto risco na mesa? Entre vários fatores, vou destacar dois mais “recentes”: 

i) pressão inflacionária (risco já monitorado);

ii) risco político com a Lula elegível (totalmente inesperado). Não vou colocar aqui em destaque o risco fiscal, pois esse nunca saiu (ou vai sair) da mesa, só aumenta e não vai ser retirado da curva tão cedo.

Risco inflacionário

Começar falando do risco inflacionário, que não é novidade para ninguém, mas essa semana deu um susto com o IPCA subindo para 0,86% em fevereiro, acima da expectativa do mercado de 0,70% e na sua maior variação para o mês desde 2016. Se for usar o IGP-M como referência, em dois meses o índice já acumula alta de 5,17%.

Nos dois casos, o aumento dos custos de transporte, em outras palavras, a alta dos combustíveis, foi o grande responsável pelo salto. Os preços dos alimentos também seguem em alta no ritmo dos preços das commodities, assim como a desvalorização da nossa moeda frente as principais economias do mundo com efeito direto nos insumos.

No caso da inflação, não existem perspectivas de uma queda brusca do preço das commodities no curtíssimo prazo para justificar um alívio dos preços dos alimentos, assim como do lado do câmbio o mesmo ficará depreciado enquanto não houver um movimento para o avanço real das reformas.

Porém, existe um outro ponto importante sobre a inflação que é o ritmo de crescimento da economia. Tendo em vista o agravamento da pandemia no Brasil e o compasso lento de vacinação, o mercado segue revisando para baixo sua perspectiva de crescimento e isso levando em conta o cenário-base do Bacen não tenho dúvidas que isso será argumento para não acelerar o ritmo de alta da Selic como o mercado está projetando.

A projeção sobre o ritmo de crescimento e como o colegiado irá relacionar isso com o aumento da Selic vai ser parte importante do comunicado do próximo dia 17.

Indo agora para o risco político, esse aí estava “descansando” para o ano que vem, mas com a reviravolta no caso Lula x Lava Jato já começa entrar na conta.

Se pensar friamente, não existem motivos (no momento) para acreditar que esse risco irá diminuir, pois haverá uma forte polarização e se a popularidade de Bolsonaro cair forte não tem como duvidar que novas medidas populistas serão lançadas e aí vamos cair no aumento do risco fiscal.

No final das contas, para essa reunião espero a retirada do grau “extraordinário” de estímulo tão falado nos comunicados e o começo da normalização da Selic, como o próprio Copom anunciou na última ata, com uma alta de 50 p.p para dar um recado forte ao mercado.

Em complemento, um comunicado bastante hawkish e preocupado com o rumo da inflação, uma vez que é o mandato, mas não deve abandonar o discurso de economia fraca e que ainda precisa de certo grau de estímulo. Sobre o fiscal, a preocupação constante e crescente.

Esse último componente (crescimento) que, na minha opinião, deve levar a uma correção da curva de juros que projeta Selic em 6% ao final do ano e um retorno para a faixa de 5%. Foi por essa assimetria de risco que compramos no retorno para 107 mil pontos — veja aqui.

Agenda da próxima semana

No domingo, às 23h00, teremos a produção industrial e vendas no varejo chinês do mês de fevereiro.

Na segunda teremos o tradicional Boletim Focus às 8h00 e vale lembrar que devido ao início horário de verão nos Estados Unidos (uma hora de diferença frente ao horário de Brasília) a B3 voltará fechar às 17h00.

Na terça, às 9h30, nos EUA teremos as vendas no varejo, produção industrial e utilização da capacidade instalada todos de fevereiro.

Na quarta, às 7h00, serão divulgados os índices de inflação da Zona do Euro de fevereiro, enquanto às 15h00 teremos a reunião do Fed e às 15h30 a coletiva do presidente do Fed, Jerome Powell. Mais tarde, às 18h00, será a vez do Copom.

Quinta e sexta não serão divulgados dados relevantes.