Por que o coronavírus gerou tanto pânico? [Resumo Semanal 31/01]

Por que o coronavírus gerou tanto pânico? [Resumo Semanal 31/01]

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Por: Time Master Clear

31/01/2020 • Atualizado: 11/12/2021

6 minutos

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (27/01 a 31/01) e quais são as perspectivas futuras

Depois da sequência de sete altas semanais em um intervalo de oito semanas, o Ibovespa passou por um processo de correção na última semana de janeiro, algo normal (e saudável) dentro da estrutura de alta de curto prazo, movimento que vem sendo creditado pelos temores do impacto do coronavírus no crescimento global.

Porém, isso foi “apenas” um gatilho dentro de uma conjectura de queda mais complexa.

Com mais de mais de 8 mil pessoas infectadas somente na China em poucas semanas e com pelo menos 20 países que registraram infectados, o coronavírus gerou uma onda de aversão ao risco global, tanto do lado da saúde, como do lado da capacidade de crescimento.

Não preciso falar aqui sobre a importância da economia chinesa para o mundo, ainda mais para nós, já que a China é a maior parceira comercial do Brasil.

Em vista do elevado risco de contaminação, não é exagerado falar que boa parte da população chinesa (ao menos os grandes centros) estão vivendo um período de quarentena para evitar a proliferação dos contágios e isso tem impacto direto na expectativa de crescimento do gigante asiático.

A China anunciou que estenderá o feriado do Ano Novo Lunar por mais três dias, até 2 de fevereiro, sendo que neste ano foi registrado um dos menores fluxos de pessoas/financeiro em décadas.

Imagine essa situação no Carnaval e terás um pequeno paralelo da situação.

Em Xangai, maior cidade do país, as atividades comerciais vão voltar a partir de 10 de fevereiro, decisão que também foi acatada no polo industrial de Suzhou, onde estão as fábricas da Samsung e da Foxconn (terceirizada da Apple).

Só neste parágrafo dá para entender que o setor varejista e hoteleiro, que dependem diretamente deste fluxo, serão os grandes afetados pelo coronavírus, assim como deveremos ver uma desaceleração da atividade industrial.

Em um mundo que a cada ano está crescendo menos, a baixa da segunda maior economia mundial sem dúvida nenhuma não é uma boa notícia.

Aqui chegamos na parte que o vírus foi “apenas um gatilho”.

Diante de um problema grave como esse, os investidores/gestores revisitaram suas estratégias e começaram as contas para entender o risco x retorno para seguir colocando mais dinheiro no mercado acionário.

Obviamente não fiz uma pesquisa com os principais gestores/investidores brasileiros, quiçá estrangeiros, para tirar uma conclusão, mas vou mostrar para você o que pensei e que evitou o pior nesta queda do mercado – o Fechamento de Mercado está aí para provar.

Sabemos que o PIB chinês vai desacelerar no começo do ano e o gigante asiático é um dos maiores consumidores de commodities metálicas do globo.

Com as cotações do aço/minério de ferro nas recentes máximas, o que justamente guiou a forte alta do setor de mineração/siderúrgica nos últimos tempos, existe uma chance considerável de correção.

Desde que os casos começaram ganhar força, existem inúmeras dúvidas sobre a nível de proliferação da doença, ou seja, quando esse risco será estancado e o vírus entrará na lista de “sob controle” da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Para efeitos de comparação, o SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave) entrou neste status após 1 mês e meio, mas os boletins da própria Organização Mundial de Saúde apontam que o coronavírus está em um nível muito mais avançado.

Olhando para esse quadro macro, no mínimo se pode colocar em xeque o ritmo de crescimento, um componente chave para manter o ritmo de aceleração do mercado acionário internacional e doméstico, que em diversas praças (inclusive aqui) iniciou 2020 superando máxima histórica.

Olhando tudo isso, sem falar no compasso de redução dos estímulos monetários pelos principais BCs do mundo e o nosso muito próximo do piso da Selic, existe uma relação de risco x retorno favorável para comprar bolsa na máxima histórica?

Não. E isso abre espaço para uma realização de lucros natural dentro de uma tendência de alta de curto prazo consolidada desde junho do ano passado.

Isso significa o fim? Obviamente não, pois no curto prazo esse “efeito vírus” será superado e os fundamentos que sustentam de fato o crescimento aqui no Brasil, como juro estruturalmente baixo (deve ajustar para cima o lucro das empresas e deixar a bolsa barata) e a agenda de reformas vão prevalecer e uma ótima oportunidade será gerada.

Como já disse por aqui e não canso de falar: momento é tudo.

E agora estamos passando por um período turbulento de curtíssimo prazo, mas o curto prazo é extremamente promissor e por isso não há motivo para pânico.

Agora é hora de olhar os setores, correlacionar com as expectativas de crescimento do Brasil e monitorar o melhor momento para voltar às compras.

Agenda Econômica

A primeira semana de fevereiro será bastante agitada.

Na China, o mundo estará mais do que ligado nas novidades sobre o coronavírus e na reabertura das bolsas, que prometem um gap de baixa gigantesco.

Nos EUA, teremos o primeiro Relatório de Emprego do ano na sexta (10h30) e o ADP Employment na quarta (10h15).

A semana será marcada por diversos dados do setor industrial, com o nível de atividade medido pelo PMI (Purchasing Managers’ Index) referente ao mês de janeiro publicado na segunda (11h00).

No Brasil, teremos na terça (9h00) a Produção Industrial acumulado de 2019, mas o grande destaque fica para a reunião do Copom na quarta (18h00), com o mercado colocando na conta um corte de 25 pbs para a Selic na primeira reunião do ano.

Por fim, na sexta (9h00) será divulgado o primeiro IPCA do ano e começa ganhar corpo a temporada de resultados do quatro trimestre.

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