[xp_hellobar][/xp_hellobar]

“Corrida pela liquidez” [Resumo semanal 20/03]

“Corrida pela liquidez” [Resumo semanal 20/03]

Navegue por assunto


Confira o que aconteceu no mercado na última semana (16/03 a 20/03) e quais são as perspectivas futuras

“Corrida pela liquidez”

Em tempos de crise um substantivo ganha muito poder entre os agentes econômicos: a liquidez.

No mundo das finanças, liquidez é a capacidade de um determinado ativo ou bem ser convertido em dinheiro. Portanto, quanto maior a velocidade de conversão desse ativo, mais líquido será.

Em um mundo no qual o total da dívida pública e privada cresce ano após ano, atingindo US$ 188 trilhões no fim de 2018, uma alta de US$ 3 trilhões frente 2017, segundo dados do FMI (Fundo Monetário Internacional), onde a relação global média entre a dívida e o PIB — ponderada pelo PIB de cada país — atingiu 226% em 2018, um arrefecimento da atividade econômica abre uma corrida pela liquidez.

Isso ajuda explicar a velocidade e volatilidade nunca antes vistas em meio a toda essa queda das bolsas, algo que nem mesmo no auge da crise de 2008 foi presenciado, assim como o desespero dos Bancos Centrais (BCs) em prover liquidez.

Somente nesta semana o Fed (Federal Reserve) zerou sua taxa de juro e anunciou diversas intervenções no mercado financeiro. A mais notável em valores foram os US$ 4,5 trilhões em recompra de ativos públicos e privados pelo período de um mês, como também adotou medidas vistas no caos de 2008 como o compromisso da compra de dívidas corporativas de curto prazo, esse em especial que mais preocupa.

Esse mercado de dívida, conhecido como commercial paper e que pode ser traduzido para o nosso mercado como nota promissória, é uma fonte importante de financiamento de curto prazo para inúmeras empresas de todos os tamanhos, mas a liquidez secou nas últimas semanas com poucos querendo tomar esse risco de liquidez e esse financiamento de curto prazo, que ajuda justamente no giro de caixa da empresa, estancou e foi o Fed dar liquidez para efetivamente não quebrar o sistema.

Na mesma linha de estímulos, o Fed anunciou um programa de swaps entre 9 BCs, incluindo o Brasil, para garantir a liquidez do mercado e também ajudar minimizar a pressão do dólar na desvalorização das moedas. Neste contrato de swap, o Fed oferece dólares em troca das moedas (desvalorizadas) desses BCs em um negócio acredito que pouco rentável para o Fed. Serão destinados até US$ 450 bilhões via esse instrumento que também somente foi usado em 2008.

Novas medidas de estímulos monetário pelo BCE (Banco Central Europeu) também foram anunciadas: foi confirmado um programa de compra de títulos públicos e privados de € 750 bilhões e a presidente da instituição, Christine Lagarde, garantiu que “não há limites para o comprometimento do BCE com a Zona do Euro”, ou seja, ainda há munição para um estresse maior do lado da liquidez de crédito.

Por aqui também tivemos medidas extraordinárias pelo Bacen. O Copom (Comitê de Política Monetária) cortou a Selic em 0,5 ponto percentual que agora está em 3,75% ao ano e deixou claro que vai dançar conforme a música, ou seja, se a situação do lado da liquidez de crédito e expectativa de crescimento deteriorar ainda mais, deveremos ver um novo corte e “continuará fazendo uso de todo o seu arsenal de medidas de políticas monetária, cambial e de estabilidade financeira no enfrentamento da crise atual”.

Agenda econômica da próxima semana

Além de acompanhar os desdobramentos da crise e a guerra de preços do petróleo, na terça será divulgado o PMI industrial da Zona do Euro (6h00) e o norte-americano (10h45)  de março, enquanto por aqui teremos a Ata do Copom (8h00).

Na quarta (9h30) teremos os Pedidos de Bens Duráveis de fevereiro nos EUA, enquanto na quinta (9h30) será revelada a versão final do PIB norte-americano. Por fim, na sexta (9h30), será divulgada a inflação medida pelo PCE do mês passado.

CLIQUE AQUI para acessar a sua conta e investir agora mesmo!