Déjà vu [Fechamento semanal 04/10]

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Por: Time Master Clear

04/10/2019 • Atualizado: 13/12/2021

4 minutos

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (30/09 a 04/10) e quais são as perspectivas futuras

Depois de cinco semanas consecutivas de alta, o Ibovespa não foi capaz de romper a faixa de 105 mil pontos e encerrou com queda de 2,4%, mas o estrago chegou ser ainda maior ao longo da semana, vide que na mínima o índice atingiu os 98.826 pontos (-5%).

Toda essa dor de estômago, que também tomou conta do mercado internacional, basicamente foi gerada pelo temor de recessão econômica após dados muito ruins vindos da atividade industrial europeia e norte-americana.

Tudo começou na terça, quando os PMIs (Purchasing Managers Index) da Zona do Euro e dos EUA atingiram os piores níveis nos últimos 10 anos, sendo que o sentimento ficou ainda mais pesado com a contração de 0,1% dos novos pedidos às fábricas norte-americanas e o resultado abaixo do esperado do ADP Employment Report (número de vagas criadas no mercado de trabalho privado), que serviu (de fato) como proxy do Relatório de Emprego publicado nesta sexta.

Em meio todo esse clima de recessão e as bolsas aprofundando as perdas, logo bateu um déjà vu nos investidores das últimas crises e sua solução mais óbvia (pelo menos nos últimos anos) — manutenção da política monetária expansionista pelos bancos centrais.

Quando caiu a ficha, mais precisamente no começo da tarde de quinta quando mais um dado ruim ruim de atividade econômica foi publicado nos EUA, tivemos uma verdadeira “corrida da precificação” nas curvas de juros norte-americanas, que resultou em um aumento de 75% para 90% da probabilidade de novo corte de 25 pontos-base pelo Fed na próxima reunião no final do mês.

Isso impactou diretamente o comportamento do dólar no mundo inteiro, que entrou em processo de desvalorização contra seus pares e ajudou muito o mercado brasileiro, em especial na nossa expectativa de corte para a Selic este ano.

A forte alta da moeda norte-americana nas últimas semanas, que chegou flertar com a máxima de R$ 4,20, gerou dúvidas sobre a agressividade do Bacen em seus cortes pelo contágio da inflação.

Até o começo da semana não era óbvio um corte abaixo de 5% a.a para a Selic, o que na verdade já estava precificado na curva de juros futuros, sendo que a queda do dólar gerou mais conforto sobre o rumo da inflação e isso foi refletido na curva, que já indica boa probabilidade da taxa de juro encerrar o ano em 5,75% a.a e muito disposta de buscar 5,5% a.a.

Como sempre dito por aqui, essa inclinação negativa da curva de juros eleva o apetite dos investidores pela renda variável e justificou em boa parte a recuperação vista mesmo em meio todo imbróglio político da aprovação da reforma da Previdência no 1º turno no Senado, que, pelo andar da carruagem, só deve ser assunto encerrado no final do mês.

Agora sobra para o investidor ver se de fato os bancos centrais estarão dispostos em manter sua política monetária expansionista, pois, do contrário, a sombra da desaceleração econômica promete assombrar o mercado neste final de ano e trazer bastante volatilidade para até então cenário claro de alta.

Destaques de alta/baixa do Ibovespa

Com valorização de 8%, a Marfrig (MRFG3) figura mais uma vez como destaque de alta entre as ações que fazem parte do Ibovespa, impulsionada pela revisão (para cima) dos analistas quanto aos próximos resultados em vista do aumento das exportações, em especial para a China, puxadas pelo surto de peste suína africana na Ásia.

Na ponta negativa, o BTG (BPCA11) recuou 11% com mais uma notícia envolvendo o banco e a Lava Jato. Desta vez, as investigações da Polícia Federal apontam que a instituição foi beneficiada por vazamentos de resultados de reuniões do Copom entre 2010 e 2012, o que acabou gerando resultados extraordinários para seus fundos de investimento.

Calendário econômico para próxima semana

A segunda semana de outubro pode até chamada da “semana da inflação”. Na terça (9h30), teremos a inflação ao produtor norte-americano de setembro, ao passo que o indicador de preços ao consumidor referente o mesmo mês será publicado na quinta (9h30).

Por aqui, as atenções estarão divididas entre o IPCA de setembro na quarta (9h00) e o andamento da agenda de reformas do governo, que vem tirando o sono do mercado, como também para a atividade do varejo de agosto na quinta (9h00).

Para finalizar a agenda, vale lembrar que a China “volta ao normal” depois do feriado nacional de uma semana (Golden Week).