[xp_hellobar][/xp_hellobar]

Aversão ao risco, “Hotel Califórnia” e a importância dos 100k [Fechamento Semanal 16.08]

Aversão ao risco, “Hotel Califórnia” e a importância dos 100k [Fechamento Semanal 16.08]

Navegue por assunto


Confira o que aconteceu no mercado na última semana (12/08 a 16/08) e quais são as perspectivas futuras

Aversão ao Risco. De fato essa foi a palavra de ordem da semana, que iniciou com um baque vindo da Argentina com o retorno praticamente certo do peronismo após a vitória acachapante (15 pontos de vantagem) da chapa liderada por Cristina Kirchner contra Macri nas primárias do país, temor esse que levou o Merval, principal índice acionário da Argentina, desabar 30% e o peso argentino cair mais de 30% frente ao dólar só na segunda, o que forçou o Banco Central argentino subir sua taxa de juro para 74% ao ano para conter a fuga de capital.

Como não poderia ser diferente, a novela da guerra comercial entre EUA x China teve mais um capítulo, mas, desta vez, com um desfecho considerado positivo. Diante dos avanços das conversas entre as equipes econômicas das duas potências mundiais, os EUA adiaram para 15 de dezembro a tarifação de alguns produtos chineses, basicamente periféricos eletrônicos, correspondente a cerca de US$ 40 bilhões dos US$ 300 bilhões que Trump anunciou que taxaria.

Entretanto, o alívio do mercado com o adiamento das tarifas por parte dos EUA durou pouco e na quarta-feira as bolsas mundiais literalmente derreteram diante dos sinais de desaceleração da economia chinesa e europeia, com especial atenção para o retrocesso registrado pela Alemanha, acendendo um sinal de alerta em todo mundo e colocando mais uma vez o Fed, como outros bancos centrais, na parede, pois economia fraca + inflação estagnada são ingredientes para a manutenção da política monetária expansionista, que foi um dos propulsores do mercado nos últimos anos e defendida veementemente por Trump em sua guerra particular com o presidente do Fed.

Prova que ainda estamos vivendo no “Hotel Califórnia”*, uma analogia utilizada pelo ex-presidente do Fed de Dallas, Richard Fisher, para descrever a dificuldade dos BCs em reverter o processo da política monetária expansionista, com o PIB alemão entrando no terreno negativo no segundo trimestre, rumores apontam que o chanceler, Angela Merkel, está pronta para lançar um pacote de estímulo fiscal para não entrar em uma recessão.

Em meio tanta tensão, o mercado de renda variável acaba sem afetado e mesmo “blindado” pela queda dos juros futuros o Ibovespa passou operar no negativo em agosto (-2%) após a queda de 4% nesta semana. Apesar disso, ainda seguimos “tranquilos” sobre os 100 mil pontos, que será decisivo para o rumo do mercado. Se perder esse suporte, aí de fato vamos entrar em uma tendência de baixa no curtíssimo prazo, pois vamos deixar para trás a média móvel de 21 semanas ascendente, fato que abrirá caminho para testar a faixa de 95 mil pontos, onde vale buscar uma nova compra. Lembrando que o cenário de alta no curto prazo para o mercado somente será anulado se 90 mil ponto for perdido, algo pouco provável neste momento. Seguindo acima de 100 mil pontos, desafio é romper 105 mil pontos e buscar o topo histórico em 106.650 pontos.

Destaques de alta/baixa do Ibovespa

Com a desaceleração da economia mundial em voga, as empresas ligadas às commodities figuraram entre os destaques de baixa do índice, ainda mais com os altos estoques dos metais na China, mas foi a temporada de resultados que machucou muita empresa. Com queda de 19,5%, a Kroton liderou as perdas entre as ações que fazem parte do Ibovespa, após dados operacionais fracos e projeções no mínimo conservadoras para os próximos trimestres, segundo a visão dos analistas do setor.

Na outra ponta, com o combo resultado forte + queda da desalavancagem + aumento de fluxo de caixa, a JBS foi o destaque de alta da semana com alta de 6,1%, lembrando que o ativo já sobe 16% no mês. O otimismo com o futuro da empresa esse ano animou o mercado e parece que essa onda compradora tem tudo para ficar.

Calendário econômico para a próxima semana

Na agenda econômica, a semana promete ser agitada, não necessariamente pelos dados econômicos, mas sim pela realização do Simpósio Econômico de Jackson Hole entre os dias 22 e 24, sendo que o momento é o mais oportuno possível. Neste encontro, que é organizado pelo Fed e que reúne as principais autoridades dos BCs mundiais, o tema será “os desafios da política monetária”, justamente a discussão que está “quente” neste mês.

Além disso, na quarta (15h00) teremos a ata da última reunião do Fed, quando o BC dos EUA cortou o juro pela primeira vez desde 2008, sendo que na quinta (5h00) será a vez do BCE (Banco Central Europeu) apresentar a ata do último encontro, como haverá o resultado da atividade industrial de agosto. No Brasil, não estão previstos dados econômicos relevantes para a próxima semana.

*Analogia referente a estrofe final da canção da banda Eagles que diz: “You can check out any time you like / but you can never leave”. 

Para mais informações, inscreva-se no canal da Clear e fique por dentro de todas as novidades do mercado.

Rafael Ribeiro
Analista de Investimentos – Clear Corretora
CNPI-T EM-946