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Uma questão de timing [Fechamento semanal 20/09]

Uma questão de timing [Fechamento semanal 20/09]

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (16/09 a 20/09) e quais são as perspectivas futuras

Com alta de 1,27% na semana, o Ibovespa está pouco mais de 2% do topo histórico cravado em 106.650 pontos, movimento guiado justamente pela expectativa de corte da Selic, que de fato foi concretizada na última quarta (veja mais aqui).

A questão agora é: existem motivos para acreditar no rompimento do topo histórico neste momento?

Pelo comunicado do Copom, ficou bem claro que mais um corte de 50 pontos-base será realizado na reunião de 30 de outubro, sinalização tão gritante que os vencimentos mais curtos da curva de juros futura precificam (último fechamento) uma probabilidade de 65% que isso ocorra e conforme os dados econômicos sigam decepcionando, assim como a inflação estagnada, dois sintomas clássicos de uma estagflação, esse percentual deve aumentar gradualmente e isso implicará em maior upside para a renda variável, levando o mercado para novas máximas.

Porém, esse sonho pode demorar um pouco por conta da sinalização do Fed, que, ao contrário do Copom, deixou bem claro que irá pisar no freio (veja mais aqui) em sua política monetária e isso acaba impactando diretamente na valorização do dólar frente seus pares, sendo que também temos um outro agravante aí: o carry trade.

Para explicar de forma bem simplificada, o carry trade nada mais do que tomar dinheiro em um país com taxa de juro baixa, vindo muito fluxo dos EUA, para aplicar essa quantia em uma economia que ofereça maiores retornos, como o caso dos mercados emergentes e tradicionalmente o Brasil.

A combinação entre Fed pisando no freio e Copom de portas abertas para novos cortes ajuda manter o dólar forte, pois ocasiona a redução do diferencial das taxas nos EUA e no Brasil, deixado o carry trade menos atrativo e isso gera uma migração de recursos para outros países emergentes – entenda mais sobre o assunto neste link.

Todo esse raciocínio para explicar que sem dúvida estamos em um momentum positivo para a bolsa de valores, em uma clara tendência de alta para o mercado, mas o timing para compra não é exatamente o melhor.

Com o Fed contrariando todas as expectativas e com o Ibovespa muito próximo da máxima histórica, uma compra neste momento é bastante assimétrica, ou seja, um risco x retorno pouco atrativo, sendo que estou propenso em voltar comprar quando o índice retornar para a faixa de 102/101 mil pontos. Neste patamar teremos uma relação bem mais favorável.

Porém, se você é investidor de curto/longo prazo, isso realmente pouco importa, já que está surfando a tendência de alta e correções pontuais como essa prevista não afetam em nada. Se for seu caso, pode comprar que ainda temos espaço para avançar e esqueça esse ruído de curtíssimo prazo que foi explicado aqui.

Em suma, estou bastante otimista com o mercado no curto/longo prazo e acredito que ainda temos espaço para subir por conta da precificação de uma Selic abaixo de 5% até o final do ano (entenda mais aqui), vide que ainda temos em 11 de dezembro a última reunião do Copom e, teoricamente, teremos mais um corte da Selic e isso não está precificado na curva, mas vou aguardar uma leve correção para comprar blue chips, por exemplo.

Enquanto isso, o melhor será vasculhar oportunidades nas small caps.

+ O que é uma small cap

Destaques de alta/baixa do Ibovespa

Com valorização de 14,7%, a Marfrig figura pela segunda semana consecutiva como destaque de alta entre as ações que fazem parte do Ibovespa, ainda surfando a onda do aumento da demanda vinda da China, fato que levou o mercado revisar seus números para a empresa e aumentar o preço-alvo para as ações, vendo mais upside por conta desse aumento potencial de receita.

Na ponta negativa, o destaque ficou por conta das ações ordinárias da Eletrobrás, que recuaram 7,73%, após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmar que os senadores não estão dispostos a aprovar o projeto de privatização da empresa seguindo o modelo proposto.

Calendário econômico para próxima semana

Não tem folga! Depois da semana mais importante do mês (e talvez do ano), a agenda econômica da semana que vez também vem forte.

Por aqui, as atenções estarão focadas para terça (8h00), quando será divulgada a ata da última reunião do Copom, com as percepções dos membros do Comitê sobre o rumo da economia e os fatores que influenciaram na tomada de decisão pelo corte de 50 pontos-base da Selic. A ata também é importante uma vez que ajuda entender os próximos passos do Copom no âmbito da política monetária.

Nos EUA, os investidores estarão ligados na quinta (9h30) com a divulgação da última revisão do PIB do segundo trimestre, enquanto na sexta (9h30) teremos a inflação medida pelo PCE, que é o referencial de preços mais acompanhada pelo Fed nas decisões de política monetária, assim como os pedidos de bens duráveis (9h30), ambos dados de agosto.

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