“Se acostume com o câmbio mais alto” [Fechamento Semanal 29/11]

“Se acostume com o câmbio mais alto” [Fechamento Semanal 29/11]

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Por: Time Master Clear

29/11/2019 • Atualizado: 11/12/2021

6 minutos

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (25/11 a 29/11) e quais são as perspectivas futuras

Encerrando a semana com queda de 0,42%, mas ainda marcando o terceiro mês consecutivo de alta com valorização de 0,95%, o Ibovespa segue no seu dilema entre o topo histórico em 109.672 pontos e o fundo cravado na faixa de 106 mil pontos.

Como está em tendência de alta no curto prazo, a probabilidade maior segue pelo rompimento da máxima histórica e ir em busca do próximo alvo em 115 mil pontos. Para chegar lá, além dos avanços da economia e do cenário político, em especial das reformas, o investidor vai precisar colocar na conta um “novo normal” segundo as palavras do ministro da economia, Paulo Guedes, na última terça:

“O dólar está alto. Qual o problema? Zero. Nem inflação ele [dólar alto] está causando. Vamos exportar um pouco mais e importar um pouco menos. É bom se acostumar com juros mais baixos e com o câmbio mais alto por um bom tempo“,

Como debatido no último blog (veja mais aqui), um dólar implica em um maior prêmio para comprar Bolsa e isso querendo ou não afugenta o sonho dos 115 mil pontos no curtíssimo prazo, mas isso significa que o mercado não tem potencial para chegar lá no curto prazo? Para entender isso, temos que entender a origem da alta da moeda norte-americana e podemos resumir em alguns tópicos:

  1. decepção com a cessão onerosa (capital estrangeiro não veio pelas regras);
  2. indefinição sobre a guerra comercial (novela que não acaba);
  3. protestos na América Latina (Brasil está no pacote Latam);
  4. dúvidas sobre o crescimento econômico (gringo não coloca a mão no fogo pelo Brasil depois de tudo que sofreu);
  5. remessas de lucros e recompra de dívida das empresa (efeito técnico);
  6. diferencial de taxa de juros do Brasil e EUA (acabou a molezinha do carry trade);

Obviamente existem outros fatores que influenciam a variação da moeda, mas acredito que esses seis são que mais pegam neste momento quando o assunto é o rumo do câmbio.

Dentre os citados, podemos dizer que 1, 3 e 5 são efeitos não-recorrentes, ou seja, não afetam os fundamentos da moeda. O 2 certamente afeta o rumo da moeda, pois estamos tratando da balança comercial das duas maiores potências do mundo e toda essa angústia sobre o rumo das negociação leva o investidor em busca de uma moeda forte, ao passo que o dólar se valoriza contra todas as moedas do mundo.

O que compete ao Brasil, ou seja, 4 e 6, aponta que não devemos nos preocupar com o rumo da Bolsa, mas ver o dólar abaixo de R$ 4,00 está mais para sonho do que realidade em vista deste “novo normal” de juros estruturalmente baixos.

Com o governo tocando sua agenda de reformas e a economia (demanda e oferta) absorvendo os efeitos positivos do juro baixo, naturalmente haverá aumento da atividade econômica como está previsto, o que deve chamar o capital estrangeiro já cansado em acreditar no famoso potencial do País. Essa sem dúvida é a principal via para a queda do dólar e será um impulso enorme para a Bolsa, vide que o “Ibovespa gringo” está barato como discutido no último Blog. Agora, o número 6, esse sim é um problema que será difícil de resolver e justifica a fala de Guedes.

Historicamente o mercado brasileiro foi o principal destino para o carry trade, ou seja, o gringo pega dinheiro barato em um país desenvolvido por um custo mínimo e aplica em países com taxas altas como era o nosso caso. Com os juros estruturalmente mais baixos, essa entrada certa de moeda estrangeira, que valorizava o Real, se fechou e não somos mais destino do capital especulativo.

Em um regime de câmbio flutuante e sem a contrapartida do investidor estrangeiro, que não se importa em pagar mais caro mas quer ver tudo funcionando para aportar no Brasil com capital “produtivo”, a moeda fica livre para oscilar como vimos. Obviamente, uma disparada como a vista que levou o spot para R$ 4,27 e um novo recorde nominal, gera medo por conta da alta volatilidade do câmbio (que não é bom para ninguém) e nada mais certo do que o Bacen intervir para corrigir exageros.

Diante deste cenário, realmente é bom se acostumar com juros mais baixos e com o câmbio mais alto por um bom tempo, isso é dólar na faixa de R$ 4,20 / 4,10 e Selic estabilizada na região de 5% ao ano pelo menos até a metade do ano que vem.

Calendário econômico para próxima semana

A agenda econômica da primeira semana de dezembro está bastante carregada. Logo no domingo (22h45) será divulgado o PMI industrial chinês referente ao mês de novembro elaborado pelo instituto Caixin, enquanto na terça (22h45) será divulgado pelo mesmo centro de pesquisa o PMI do setor de serviços.

Nos EUA, após a ressaca do feriado de Ações de Graças e da Black Friday, na segunda (11h45) será divulgado o PMI industrial, enquanto na quarta (10h15) teremos o ADP Employment e na sexta (10h30) o mais do que aguardado Relatório de Emprego, todos números referentes ao mês de novembro.

Para fechar a agenda internacional, na Zona do Euro teremos na quinta (7h00) uma reunião entre os ministros do bloco, com atenção especial para as diretrizes de política monetária da nova presidente do BCE, Christine Lagarde, assim a divulgação do PIB do terceiro trimestre.

Por falar em Produto Interno Bruto, na terça (8h00) será divulgado pelo IBGE o nível da atividade econômica brasileira no terceiro trimestre, enquanto na quarta (8h00) teremos a atividade industrial de outubro. Por fim, na sexta (9h00) haverá o resultado do IPCA de novembro.