O divisor de águas do mercado [Resumo semanal 21/08]

O divisor de águas do mercado [Resumo semanal 21/08]

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Por: Time Master Clear

21/08/2020 • Atualizado: 13/12/2021

5 minutos

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (17/08 a 21/08) e quais são as perspectivas futuras

Depois de quatro meses consecutivos de alta, perído que o Ibovespa saiu da faixa de 70 mil pontos para praticamente testar o topo de março em 110 mil pontos, o índice caminha para a última semana de agosto com uma queda semanal de 2% e uma questão fundamental para esse começo de semestre: haverá força para a manutenção dos 100 mil pontos?

O patamar, que foi a mínima de fevereiro e quando perdido em março deu o start para toda queda acompanhada, neste momento também pode ser considerado o divisor de águas do mercado, pois ele irá determinar o rumo do índice no curtíssimo prazo.

Como se pode observar na figura acima, a região entre 100/98K, representada pelo retângulo marrom do gráfico diário do Ibovespa, interliga o último topo rompido em meados de julho e o fundo formado neste mês, ou seja, uma única região interliga dois pontos de força do gráfico diário e por isso o investidor deve ficar muito atento ao patamar.

Dito isso, a questão fundamental é: existem argumentos para acreditar na manutenção dos 100 mil pontos?

Olhando para o gráfico e em vista da tendência de alta de curto prazo, essa conquistada justamente com o rompimento da faixa de 100K/98K, a probabilidade maior é pela manutenção do patamar no curtíssimo prazo e por isso ainda vale pensar em compra. Porém, quando olhamos os indicadores técnicos, é possível dizer que não há tanto compromisso dos comprados em ir muito adiante.

Abaixo do gráfico diário do Ibovespa temos o OBV (On Balance Volume), que é um indicador que relaciona mudanças no preço com as variações de volume. A ideia aqui é detectar a direção do fluxo do volume, ou seja, se está entrando ou saindo volume do ativo. Se determinado ativo está subindo, mas sem o apoio do OBV, a chance de um novo topo pode ser considerada baixa, pois não há um compasso entre a tendência vigente e o volume (interesse no movimento vigente).

Esse tipo de divergência é conhecida como divergência de baixa, sendo que o contrário é verdadeiro quando estamos falando de um divergência de alta (queda sem volume + perto de fundo importante = ficar de olho para comprar). Neste sentido, o que o investidor deve fazer?

Levando em conta o cenário descrito acima que o Ibovespa está em tendência de alta de curto prazo + defendendo seu importante suporte, a probabilidade maior fica por conta do rompimento de 102K e quando chegar na região entre 105K/106K não ficar tão animado para um novo topo no curto prazo, ou seja, não esperar pelo rompimento e o teste de 110K. Assim, evite comprar rompimento quando o mercado ficar próximo do topo deste mês e aperte seu stop loss/parcial assim que formado um candle de reversão, pois a chance de voltar para 100K e o mercado ficar travado por um período é grande (ou até que o OBV se prove ao contrário).

Para quem é extremamente agressivo, nada contra em fazer uma venda próximo de 105K, pois o stop loss será bem curto e o retorno pode ser bastante promissor, pois caso perder os 100K/98K nessa volta você estará vendido praticamente na máxima do movimento.

Por conta de tudo isso acredito que a queda nesta semana foi a última oportunidade de compra no curto prazo com base nos 100K e por tudo relatado não há um grande upside para capturar, e, assim, não fique imaginando que o mercado irá rasgar como nos últimos meses e fique atento para manejar sua posição de compra.

Todo esse cenário de alta até o último topo em 105K será automaticamente anulado caso perdida a faixa de suporte citada e o caminho estará aberto para a região de 90K. Acho difícil acontecer isso agora por conta da tendência de alta recém iniciada, mas se a cena política não colaborar e vendo esse baixo ímpeto do lado da compra não é uma loucura pensar nisso.

Agenda econômica da próxima semana

A segunda começa com o tradicional Boletim Focus (8h25), enquanto na terça (9h00) será divulgado o IPCA-15 de agosto. Na quarta, às 9h30, ficar de olho nos pedidos de bens duráveis de julho nos EUA e ao lucro industrial chinês do mesmo mês às 22h30.

Na quinta o destaque fica por conta do PIB norte-americano referente ao segundo trimestre (9h30) e ao discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, no Simpósio de Jackson Hole às 10h00. Por aqui, expectativa pelo resultado do CAGED durante a tarde.

Na sexta, às 9h00, está prevista a taxa de desemprego brasileira, enquanto nos EUA teremos a inflação medida pelo PCE (9h30) de julho, que é o índice de preço mais acompanhado pelo Fed, como vale ficar ligado em mais um discurso de Powell em Jackson Hole ao longo do dia.