4T20: o que esperar da temporada de resultados?

4T20: o que esperar da temporada de resultados?

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Por: Time Master Clear

05/02/2021 • Atualizado: 10/12/2021

4 minutos

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (01/02 a 05/02) e quais são as perspectivas futuras

Entre fevereiro e março serão divulgados os resultados do último trimestre/acumulado de 2020, ano que foi marcado pela pandemia e a batalha das empresas em minimizar os danos causados.

No geral, as companhias foram melhores do que os analistas esperavam em 2020, vide a recuperação do Ibovespa dos 70 mil pontos para 120 mil pontos justamente neste ajuste de expectativa. Além da capacidade de gestão, as medidas de estímulos monetários e de renda do governo foram fundamentais para essa recuperação e no 4T20 ainda veremos os resquícios dessas medidas.

Porém, entramos em 2021 com um rombo fiscal gigantesco e, com isso, probabilidade reduzida de novas medidas de estímulo da mesma magnitude. Assim, será importante ficar atento ao guidance das empresas para esse ano a fim de entender, especialmente, perspectiva de crescimento.

Dito isso, vamos começar falando sobre as perspectivas para o setor de varejo.

Se for elencar os setores que mais sofreram durante a pandemia, sem dúvida o setor de vestuário estará no topo da lista e o desempenho das ações da Lojas Renner, que estão próximas dos últimos fundos do ano passado, corrobora essa tese.

Porém, a aceleração das vendas online, com investimento da empresa na modalidade antes “secundária” como fonte de receita, sem falar da reabertura das lojas ao longo do 4T20 são ingredientes para surpreender positivamente o mercado, que espera por fracos resultados do setor de vestuário pela essência do negócio. Em suma, acredito que o fundo do poço foi alcançado no 3T20 e o nível de risco parece bem atrativo.

Na outra ponta da cadeia, as varejistas online com capacidade de logística, justamente as listadas em Bolsa, nadaram de braçada ao longo do ano passado e os analistas esperam por fortes números no último trimestre de 2020. Na minha visão, esperar resultados muito fortes diante do fim do auxílio é bem arriscado, mas os resultados devem ser bons, já que as vendas/ticket médio da Black Friday 2020 cresceram frente 2019, segundo dados da consultoria Ebit|Nielsen, sendo esse um período chave para receita no 4T.

Um setor que deve seguir com ótimos números é o de commodities, englobando aqui papel e celulose, siderurgia e mineração. Os preços do minério de ferro e celulose não deram folga no ano passado, em especial da commodity metálica, com redução de produção da Vale e demanda do mercado chinês.

Porém, o forte desempenho das ações ao longo do ano passado mais do que precificaram esse movimento, uma vez que a cotação das commodities está na tela e basta projetar isso no modelo para apurar receita, ao passo que a grande dúvida para esse começo de ano e que deve ser tema da teleconferência é a capacidade de repasse desses preços. Por isso, fique atento nisso, pois o resultado deve ser excelente, mas boa parte disso está no preço.

Na contramão disso está o setor de alimentos, aqui falando especificamente dos frigoríficos, que devem seguir sofrendo com a pressão das margens diante da disparada dos preços dos grãos. Para os mais dependentes do mercado doméstico, o resultado deve ser mais apertado, pois, mesmo com a alta da arroba sustentando receita, os custos serão bem pesados.

Para quem exporta e ganha com o câmbio, melhores números serão vistos e neste sentido vale ficar de olho em Marfrig, sendo que o melhor dos mundos está na JBS com suas operações nos EUA, tanto que abriu um spread gigante frente seus pares em Bolsa.

Um setor que gosto muito e que inclusive foi alvo de compra nesta última queda foi o de construção civil, com boas empresas, como no caso de Direcional, reportando recordes de vendas na prévia do 4T20, assim como EzTec com perspectivas animadoras para 2021. Acredito que o setor será destaque nesta temporada e os múltiplos ainda estão bem atrativos.

Por fim, sobre Petrobras, a queda dos números de produção no trimestre sem dúvida irá impactar o nível de Ebitda e pode decepcionar o mercado, mas não se pode esquecer que o petróleo seguiu com seu processo de recuperação no final de 2020, sem falar das constantes medidas de desalavancagem.

Por isso, olhe o resultado da empresa com cuidado e não só os grandes números, como muitos fizeram em outubro do ano passado no 3T20 e neste movimento foi aberta uma bela oportunidade de compra.

Não vou comentar sobre os bancos, pois os números dos bancos privados já foram divulgados, restando apenas Banco do Brasil que deve sofrer com redução de receita de tarifas, guidance ameno e ainda temos o lado político conturbado.