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O que esperar da última reunião do Copom do ano? [Resumo Semanal 04/12]

O que esperar da última reunião do Copom do ano? [Resumo Semanal 04/12]

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (30/11 a 04/12) e quais são as perspectivas futuras

Na próxima quarta (9), a partir das 18h30, será divulgada a última decisão de política monetária do Copom (Comitê de Política Monetária) de 2020. A expectativa é pela manutenção

 da Selic em 2% ao ano, mas o que realmente importará será o teor do comunicado, em especial sobre as projeções de inflação.

No último encontro do colegiado, o mercado ficou surpreendido com a tranquilidade que o Comitê está observando o avanço da inflação ao seguir com diagnóstico de que o choque de preços iniciado em meados deste ano é simplesmente temporário.

Dois meses passaram e a inflação não arrefeceu, muito pelo contrário, com IGP-M (índice que reajusta os alugueis) acumulando alta de 24,5% em 12 meses, enquanto o rali das commodities não para e o aumento do custo dos alimentos sendo repassado ao consumidor, ao mesmo tempo em que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) retomou o sistema de bandeiras tarifárias e subiu o preço da conta de luz.

Se tudo isso não for motivo para revisar o quadro inflacionário e uma mudança da comunicação com o mercado, em especial a questão da conta de luz que bate diretamente no IPCA (inflação oficial), sinceramente não sei o que mais tem que acontecer para o Copom mudar seu tom ou o Comitê sabe de algo que ninguém está colocando na conta.

Levando em conta que o Comitê utiliza as projeções do Boletim Focus e do lado da inflação estão subindo sistematicamente, a projeção para o ano que vem do IPCA saiu de 3,22% para 3,40%, o que ainda está abaixo da meta de 3,75%, e como consequência não tenho dúvida que o Copom seguirá defendendo a manutenção “do grau de estímulo monetário” com a justificativa que a economia seguirá fraca.

O resultado do PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre divulgado na quinta (3), que cresceu 7,7% frente ao trimestre passado e ficou bem abaixo da variação do IBC-BR (9,5%), assim como da expectativa do mercado (8,7%), reforçará a tese de manutenção da Selic em níveis historicamente baixos por longo período.

Não tenho objeção alguma que nossa taxa básica de juros siga os países desenvolvidos e fique onde está por muito tempo, a questão que a inflação está chegando muito rápido e um grau estimulativo elevado como de agora pode agravar esse cenário e uma subida repentina do juro não é o melhor remédio para 2021.

No Focus já se trabalha com Selic em 3% ao ano para o final do ano que vem e a curva de juros, que antes estava exageradamente inclinada, deu uma boa arrefecida com os avanços do governo em prol do fiscal e a captação forte do Tesouro nesta semana, mas segue trucando esse cenário de flores para a inflação projetado pelo Copom.

Na minha opinião o Comitê deveria ajustar seu discurso em vista da perspectiva de aumento da inflação para o ano que vem. Caso isso não acontecer ficarei muito curioso para entender todo racional na ata que será divulgada na antepenúltima semana do ano.

Agenda econômica da próxima semana

A semana começa com o tradicional Boletim Focus (8h00) e às 15h20 o resultado da balança comercial chinesa em novembro.

Na terça, às 7h00, será divulgado a preliminar do PIB da Zona do Euro do terceiro trimestre, enquanto às 9h00 o IPCA de novembro e às 22h45 o PMI de Serviços (Caixin) chinês de novembro.

Na quarta, além da decisão do Copom, vale ficar de olho nos estoques de petróleo dos EUA em vista da queda inesperada na última semana.

Na quinta, às 9h00, teremos as vendas do varejo de outubro no Brasil, enquanto às 9h45 será divulgada a decisão de política monetária do Banco Central Europeu. Um pouco mais tarde, às 10h30, olho na inflação ao consumidor norte-americano de novembro.

Na sexta o único destaque será a inflação ao produtor norte-americano de novembro às 10h30.