Os efeitos do dólar no mercado [Fechamento semanal 22/11]

Os efeitos do dólar no mercado [Fechamento semanal 22/11]

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Por: Time Master Clear

22/11/2019 • Atualizado: 11/12/2021

6 minutos

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (18/11 a 22/11) e quais são as perspectivas futuras

Resumo semanal: os efeitos do dólar no mercado

Encerrando a semana com alta de 2%, o Ibovespa mostrou a força de compra ainda presente na faixa de 105 mil pontos e está mais uma vez muito próximo do topo histórico em 109.670 pontos.

Porém, o grande destaque da semana, quiçá do mês, foi o dólar.

Com mais uma semana de valorização e batendo máxima em R$ 4,21 (maior patamar desde o Plano Real), a disparada da moeda neste mês vem tirando o sono do mercado, em especial sobre as projeções de inflação.

Pilar da nossa política monetária, a evolução dos preços é acompanhada de perto pelos investidores em vista do futuro da Selic e o câmbio é considerado (dentro da teoria econômica) um componente inflacionário.

Uma forte alta (ceteris paribus) gera upside para a inflação e dentro dos modelos de precificação de juros é traduzido em um BC menos propenso em cortar/manter o juro.

Sabemos que a economia avança em passos lentos, assim como o desemprego segue alto, fatores que de alguma forma mitigam o efeito inflacionário pelo lado da (falta de) demanda, mas é muito difícil ver o dólar disparando e não fazer ajustes na precificação da Selic no ano que vem, ainda mais após a fala do presidente do BC, Roberto Campos Neto.

Diante dessa verdadeira porrada do dólar, Campos Neto foi convocado para uma audiência pública na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado e sua naturalidade em avaliar toda essa desvalorização do Real na verdade assustou o mercado.

Segundo ele, a disparada é um efeito pontual, gerado pelo frustração com o resultado do leilão da cessão onerosa, com muitos agentes de mercado na recompra de dólar para cobertura de posição, como o efeito calendário de final de ano das empresas, que estão comprando dólar para quitarem suas dívidas no exterior e equilibrando seus balanços.

“Essa desvalorização do câmbio, ao contrário do que acontecia no passado, veio acompanhada de melhora de percepção de risco.

Você teve uma desvalorização que não influenciou expectativa de inflação. As inflações esperadas futuras caíram. Entendemos que a forma de atuar era diferente. Se, por uma razão, uma desvalorização contínua começar a afetar o canal de expectativas de inflação, vamos ter que fazer uma atuação diferente”, assim afirmou o presidente do BC.

Com essa percepção de que estamos vivendo uma fase, não uma nova realidade, Campos Neto descartou gastar as reservas com intervenções mais pesadas no mercado de câmbio como os investidores clamam, somente se houver um desalinho muito grande da moeda.

De fato o cenário macro ainda fraco e o avanço das reformas suportam a tese do presidente do BC, mas o mercado começa fazer seus ajustes para este cenário de “desalinho”.

Nos preços atuais, a curva de juros praticamente descarta uma Selic abaixo de 4,5% no ano que vem, ou seja, vem o corte prometido para dezembro e manutenção para o ano que vem. Vale lembrar que ventilou-se um corte de 25 pbs no começo de 2020.

Do outro lado, toda essa valorização do dólar frente nossa moeda está abrindo o apetite do investidor estrangeiro, que está vendo na bolsa brasileira uma assimetria positiva de risco x retorno.

Ao longo da semana bancos como JPMorgan Chase, UBS, Morgan Stanley, Credit Suisse e Bank of America Merrill Lynch reforçaram apostas para ações brasileiras, destacando que em dólares o mercado está barato e olhando as projeções econômicas o Brasil está com um comportamento muito atrativo, vide as perspectivas de crescimento para o PIB, enquanto a inflação está muito bem controlada, sem falar que estamos com múltiplos atrativos e baratos em relação aos pares.

Essa mesma percepção do lado do fundamento pode ser vista no lado gráfico.

O EWZ é um ETF (Exchange Trader Fund) que representa os papéis com maior peso no Ibovespa e nada mais é do que o maior fundo de índice de ações brasileiras negociado lá fora.

O iShares MSCI Brazil Capped Index, como é denominado formalmente, sem dúvida é um ótimo termômetro da demanda dos estrangeiros pelas ações brasileiras e fazer sua análise junto com o Ibovespa é crucial para entender o comportamento do mercado, uma vez que os estrangeiros estão de olho mesmo no Ibovespa em dólares.

ewz

Como podemos ver no gráfico mensal acima, o EWZ está muito longe do topo histórico, ao contrário do nosso Ibovespa, sendo que demos um passo muito importante entre 2018 e 2019 que foi anular o canal de baixa que durava uma década e consolidar fundos ascendentes, ou seja, de fato iniciar uma tendência de alta.

Se aqui temos a barreira dos 110 mil pontos para romper e mudar de patamar, lá fora o ponto está em 47 pontos. Se finalmente se livrar desse patamar, que casaria com o maior interesse dos gringos e a entrada de fluxo por aqui (alta do Ibovespa + queda do dólar), temos um potencial de pelo menos 20%.

Agora só falta o gringo acordar (e parece que está muito mais atento após esses relatórios), fazer as contas e trazer o tão sonhado fluxo que está devendo. Se isso acontecer, não tem gráfico/fundamento que segure, pois será verdadeiramente uma enxurrada de liquidez. Vamos ver!

Calendário econômico para próxima semana

A agenda econômica da última semana do mês estará totalmente concentrada nos EUA.

Na quarta, às 10h30, será divulgada a segunda estimativa do PIB do terceiro trimestre, assim como os pedidos de bens duráveis de outubro. Às 12h00 teremos o núcleo do PCE de outubro, inflação mais acompanhada pelo Fed, e para fechar às 15h00 será publicado o Livro Bege referente a última reunião do BC norte-americano.

A concentração de números deve-se ao feriado do Dia de Ações de Graças entre quinta e sexta, sendo que no dia 28 não haverá bolsa, enquanto no dia 29 o mercado irá encerrar o pregão mais cedo às 13h00. Portanto, os dois últimos dias da semana prometem baixíssima liquidez para o mercado.

Ainda falando sobre o cenário internacional, na China será divulgada na sexta (22h00) a produção industrial de novembro. Por aqui, na quinta (9h00) teremos a reunião do CMN (Conselho Monetário Nacional).