Pagando para “V” [Resumo Semanal 10/07]

Pagando para “V” [Resumo Semanal 10/07]

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Por: Time Master Clear

10/07/2020 • Atualizado: 10/12/2021

3 minutos

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (06/07 a 10/07) e quais são as perspectivas futuras

Com a alta de 5% neste começo de mês o Ibovespa chegou na máxima da semana na marca de 100 mil pontos e acredito que até para o mais otimista com o mercado, aquele que comprou na região de 70/75 mil pontos, sem dúvida é um feito surpreendente.

Por trás deste otimismo, qual intitulo como um ajuste de expectativa, está a recuperação em “V” da economia.

Em termos conceituais, uma esse é uma recuperação mais vigorosa e rápida após uma queda brusca dos indicadores econômicos, algo como ocorreu em 2008/2009, quando o Brasil (e o mundo) afundou na crise financeira e 6 meses depois iniciou uma trajetória de recuperação até chegar em 2010.

Para ilustrar melhor uma recuperação em “V” observe esses indicadores econômicos dos EUA, Zona do Euro e Brasil:

gráfico pmi industrial brasil
gráfico pmi industrial eua
gráfico pmi industrial zona do euro
gráfico vendas varejo brasil
gráfico vendas varejo eua
gráfico vendas varejo zona do euro

Essa recuperação vigorosa sem dúvida pegou muita gente de surpresa e como consequência o debate sobre a recuperação em “V” voltou à pauta, motivando revisões positivas para as projeções de crescimento global, ao mesmo tempo em que sustentou o ambiente pró-risco nos últimos meses, em especial em junho.

Mas se tudo estava ruindo e o apocalipse estava programado, como os indicadores econômicos poderiam se recuperar tão rápido? A resposta está nos estímulos monetários.

Nunca se proveu tanta liquidez (muito mais que em 2008) para aos mercados financeiros e para a economia real através de programas de renda, afrouxamento monetário e suas variáveis de política monetária expansionista.

Esse verdadeiro colchão de dinheiro amorteceu a queda e muitos dos céticos esqueceram de colocar na conta esse efeito poderoso na economia e focaram apenas no lado perverso do COVID-19. Agora, com as expectativas sendo ajustadas e sem os exageros, vale a pergunta: esse efeito monetário é sustentável até quanto? Quais serão os efeitos subsequentes quando retirada essa bateria de estímulos?

Por enquanto é muito cedo de tirar alguma conclusão, mas de imediato é possível imaginar que não há muito upside para capturar com esse movimento de “desmame da economia”. Acredito que novos estímulos dependerão de uma piora significativa da economia, o que não parece o caso nas condições de hoje.

Em teoria, conforme essas medidas fiscais vão vencendo, o que restará será uma economia com o setor corporativo bastante endividado, taxa de desemprego elevada e a poupança familiar em baixa, sem falar do fiscal comprometido de todas as formas possíveis.

Obviamente, como não duvidei dos efeitos das políticas monetárias/fiscais em meio a pandemia, não posso duvidar da sua força nesse momento, mas me parece um pouco tarde (30 mil pontos tarde exatamente) aos 100 mil pontos/topo de março para se ligar nisso e sair comprando a qualquer preço. Assim sigo esperando uma correção mais forte (ou um choque de realidade) para voltar encher o carrinho.

bull market