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Recessão ou depressão? [Resumo semanal 03/04]

Recessão ou depressão? [Resumo semanal 03/04]

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (30/03 a 03/04) e quais são as perspectivas futuras

A profundidade da desaceleração econômica gerada pelo coronavírus será o grande tema de abril entre economistas e analistas do mercado financeiro. Não só os números que serão divulgados ao longo do mês, mas em especial as projeções.

O trabalho de projetar envolve diversas variáveis e exercícios de probabilidade de cenário. Porém, projetar a taxa de contágio do COVID-19 está sendo muito mais do que um desafio, na verdade está beirando o impossível, uma vez que o grau de disseminação do coronavírus é muito alto.

Por essa questão em particular e pelo grande nível de desconhecimento sobre essa doença (exponencialmente) contagiosa de uma hora para outra o mundo entrou em quarentena para evitar um apocalipse na saúde e essa forma relâmpago acabou desencadeando uma crise financeira, o que acabou engatilhando outras crises em paralelo.

O que quero dizer elencando essa cronologia é: a saúde será a chave para reverter esse quadro.

Os mais diversos laboratórios e empresas não só do ramo de saúde estão dia e noite pesquisando para encontrar uma vacina contra coronavírus com avanços importantes nos últimos dias. Enquanto nada de concreto sai, autoridades governamentais e de saúde discutem alternativas de isolamento, bancos centrais injetam quantias recordes no sistema financeiro para a mantê-lo rodando e cada vez mais fica tensa a relação entre avanço do coronavírus / isolamento + eficácia das políticas monetárias / suporte econômico + resiliência do setor privado / sociedade.

Desta relação complexa, do que depende do lado econômico, a grande dúvida será a efetividade e soluções das políticas econômicas.

Lá fora um arsenal de programas de estímulos foi lançado e ainda há mais bala na agulha, por aqui o governo finalmente começou correr atrás do prejuízo e a chamada “PEC do orçamento de guerra” está em tramitação, assim como a proposta do Bacen comprar títulos de dívida para não travar o fluxo de caixa das empresas.

Com tantas variáveis voláteis, em especial pelo lado da saúde, cravar um número para qualquer variável econômica é praticamente impossível. Por isso, entender a trajetória das variáveis é o que realmente ajudará rascunhar como poderá ser o processo de recuperação econômica para 2020/21.

Se ao longo do segundo trimestre o quadro de evolução da doença se estabilizar, o que permitirá que as regras de distanciamento sejam flexibilizadas, podemos imaginar que neste ano teremos um quadro de recessão econômica, uma vez que os estímulos monetários e fiscais tendem impedir uma degradação maior da condição econômica (em especial do desemprego) e teremos uma demanda reprimida para ser atendida. Não podemos esquecer também da evolução dos estudos de uma vacina.

Do outro lado, se ao longo dos próximos meses o quadro pandêmico piorar ainda mais, não houver qualquer evolução sobre uma vacina e por consequência as regras de quarentena não serão flexibilizadas, os estímulos governamentais por mais crescentes não serão suficientes para suportar a retração do nível de atividade econômica, ou seja, comércio vazio e fábricas paradas, o nível de desemprego será ascendente e aí vamos entrar em uma verdadeira depressão econômica.

Como visto não está nada fácil prever o rumo da economia e neste momento complicado não busque por um número, mas procure entender a tendência para tomar uma decisão.

Agenda econômica da próxima semana

A semana começa com feriado na China (Festival Ching Ming) e com o Boletim Focus (8h25) com as perspectivas do mercado para a economia brasileira.

Na terça serão divulgadas as vendas no varejo brasileiro em fevereiro (9h00), na quinta o IPCA de março (9h00) e na sexta as bolsas pelo mundo estarão fechadas por conta da Sexta-Feira Santa.

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