Na corda bamba [Resumo semanal 11/09]

Na corda bamba [Resumo semanal 11/09]

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Por: Time Master Clear

11/09/2020 • Atualizado: 11/12/2021

5 minutos

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (07/09 a 11/09) e quais são as perspectivas futuras

Com a queda de 2% nesta semana o Ibovespa efetivamente testou a base inferior da congestão que dura cerca de dois meses entre 106 — 98 mil pontos, por onde passa justamente a média móvel de 72 dias ascendente. Ou seja, o comportamento do mercado na próxima semana será decisivo para o restante do mês.

Mas antes de entrar na parte gráfica em específico, vamos falar um pouco do cenário para entender quais são as perspectivas a partir do movimento desta semana.

Não é novidade para ninguém que a questão fiscal é extremamente importante para o futuro de qualquer mercado emergente e atualmente estamos vivendo o que os investidores institucionais apelidaram como “trilema fiscal”: Ausência de Reformas, Renda Brasil e Teto de Gastos.

Enquanto não houver uma vitória contundente do governo quanto ao avanço da agenda de reformas, que será a consagração da articulação política aos olhos do mercado, os investidores ficaram com um pé atrás para aumentar posição que justifique o rompimento da base superior da congestão em 106 mil pontos e as palavras de Luis Stuhlberger, gestor da Verde Asset, na última carta aos investidores explica muito bem isso:

“As dúvidas sobre a gestão fiscal dominaram o debate, e vieram para ficar. Não há saídas fáceis, e o elevado nível de endividamento que fica como herança da COVID demanda prêmios de risco mais altos”.

Uma prova recente deste momento conturbado do lado fiscal foi o volume recorde de LTNs ofertado em leilão nesta semana e que surpreendeu o mercado após o repasse de R$ 325 bilhões do Bacen ao Tesouro. Todo mundo sabe da necessidade real de financiamento do governo, mas esse aparente desespero abre 3 hipóteses: 1) corrida para cobrir o rombo fiscal em vista da preocupação com o fato; 2) as reformas não vão andar e o teto de gastos será estourado (muitos economistas já apostam nisso); 3) financiamento de agenda populista mesmo em tempos de crise fiscal.

Se a parte doméstica não inspira muita confiança, lá fora uma correção foi iniciada depois da recuperação meteórica desde abril. Os principais índices de ações dos EUA renovaram máxima histórica na semana passada, como o caso do S&P 500 que atingiu a marca de 3.600 pontos, para logo após iniciar uma correção em vista dos “múltiplos esticados” como relatado por boa parte dos gestores focados em EUA.

Ao ler os principais fóruns de discussão gringos e algumas cartas de fundos é perceptível o incômodo com a falta de um risco x retorno atrativo neste momento, como também há bastante preocupação com as eleições norte-americanas em novembro.

Ninguém sabe o futuro e muito menos quem vai ganhar, mas o que é bastante óbvio que se existe esse tipo de incerteza a volatilidade irá aumentar e ela atualmente está baixa, ou seja, existe um bom prêmio neste momento para comprar uma proteção barata e aí que entra o movimento de correção, pois vende-se parte das posições para aproveitar essa “oferta” para proteger o portfólio.

Sempre lembrando que o mercado trabalha com expectativa e se for esperar chegar próximo de novembro para fazer esse tipo de proteção o preço não será o mesmo e sem dúvida estará mais caro.

Com o trilema fiscal em voga e um movimento de correção em curso nos EUA fica muito difícil de acreditar em altas relevantes para o Ibovespa, ou seja, difícil de acreditar no rompimento da base superior da congestão. Do outro lado, estamos diante do primeiro teste da média móvel de 72 dias ascendente e por se tratar de um importante suporte fica a expectativa de um último movimento de alta para o mercado.

Neste sentido, se está em busca de compra para o curtíssimo prazo ao menos você terá um bom risco x retorno comprando agora e então vale buscar uma entrada “no giro” visando o topo intermediário em 103 mil pontos (sendo bastante otimista). Se está posicionado muita atenção para esse repique, pois ele será o gatilho para fazer parcial de posição e deixar o caixa livre para um eventual ganho de volatilidade.

Em suma, não fique tomando muito risco em cenário de cogestão e principalmente não vai operar rompimento, pois você estará vendendo na contra tendência de alta de curto prazo, ao mesmo tempo que estará comprando com uma forte divergência de baixa pelo OBV (On Balance Volume) — entenda mais neste link.

Agenda da próxima semana

Segunda começa com a produção industrial na Zona do Euro (6h00) de julho e o tradicional Boletim Focus (8h25). Às 23h00 temos uma bateria de dados chineses e o destaque fica por conta da atividade industrial.

Na terça será iniciada a reunião do Copom e às 10h15 divulgada a produção industrial norte-americana de agosto. Na quarta teremos as vendas do varejo dos EUA (9h30) de agosto, decisão do Fed (15h00) e do Copom (18h00).

Para fechar a semana, na quinta teremos dados do setor de construção civil nos EUA (9h30) de agosto, enquanto na sexta (11h00) índices de confiança do consumidor de setembro.