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Bolsa é PIB? [Resumo 21/02]

Bolsa é PIB? [Resumo 21/02]

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (17/02 a 21/02) e quais são as perspectivas futuras

No mundo dos investimento existe uma discussão/literatura extensa sobre a relação entre PIB x Bolsa e as conclusões são no mínimo controversas.

Do lado dos defensores do “Bolsa não é PIB”, temos nada mais do que Jeremy Grantham, estrategista-chefe da renomada GMO, que atualmente possui US$ 62 bilhões sob gestão. Em seu paper publicado em 2013 (veja aqui), ele comprovou que essa afirmação é falsa e que na verdade há uma correlação negativa entre os fatores.

Na verdade, segundo estudo publicado pelo Banco Central Europeu (veja aqui), a conclusão mais sensata é relacionar que a alta do mercado acionário antecipa o crescimento econômico, não o contrário.

Se então Bolsa não é PIB, porque os investidores seguem fazendo esse tipo de relação direta e descontam imediatamente no mercado?

Quem sou eu para brigar com estatística ou mesmo peitar Jeremy Grantham, mas se aumento/queda do PIB está para aumento/queda de receita nas projeções dos modelos de valuation (ceteris paribus), ao passo que a primeira linha para o cálculo do fluxo de caixa livre é composta por Receita Líquida, como não fazer imediatamente uma relação direta?

Como os estudos apontam fazer essa relação direta e direcionar sua alocação por esse caminho beira a irracionalidade, mas, convenhamos, quem ainda postula racionalidade no mercado financeiro é tão louco quanto.

Quem sabe a economia comportamental através das heurísticas (atalhos que utilizamos para “maximizar” a tomada de decisão) possam explicar melhor essa irracionalidade. O fato é: no primeiro impacto (curto prazo) a redução/aumento das projeções de crescimento afetam as expectativas de lucro, que por sua vez afetam os múltiplos.

Toda essa introdução para justificar o receio dos investidores com o crescimento chinês por conta do coronavírus, nada mais justo levando em conta que estamos falando da segunda maior economia do mundo e principal parceiro comercial do Brasil.

O primeiro sinal mais forte dessa preocupação veio do Relatório Focus, que surpreendeu (pelo menos fiquei surpreso) com uma redução de 2,30% para 2,23% para o crescimento da economia brasileira este ano. Em seguida vieram os bancos reduzindo suas estimativas para o PIB.

O BNP Paribas cortou de 2% para 1,5% sua estimativa para o crescimento em 2020, mesma linha de raciocínio adotada pelo Banco Fator, que reduziu de 2,2% para 1,4%. Coincidência ou não, o BC reduziu compulsório bancário sobre depósitos a prazo, de 31% para 25%, destravando R$ 49 bilhões a partir de 16 de março, segundo estimativas da autoridade monetária.

Para a economia chinesa, o banco francês reduziu sua expectativa de crescimento para este ano de 5,7% para 4,5%, que seria um verdadeiro desastre tratando-se de China. “Essa queda no crescimento terá um impacto significativo sobre o Brasil, para o qual já mantínhamos uma projeção de aumento do PIB abaixo do consenso para 2020”, afirmou em relatório Gustavo Arruda, economista-chefe do BNP no Brasil.

Se “Bolsa não é PIB” no longo prazo, no curto prazo pelo menos isso impacta, como também está na lista de risco que elaboramos no primeiro blog do ano com relação ao potencial do mercado – confira aqui.

Só para fechar a análise e não deixar o texto tão longo para explicar a nova alta do dólar: menor crescimento projetado = menor expectativa de inflação = aumento na expectativa de corte da Selic = redução no diferencial de juros = menor atratividade do carry trade. Não entendeu? Clique aqui e entenda!

Agenda econômica da próxima semana

A semana do Carnaval promete ser agitada nos EUA.

Na quinta, às 10h30, teremos os Pedidos de Bens Duráveis de janeiro e o PIB do quarto trimestre, enquanto na sexta neste mesmo horário a divulgação da inflação do PCE, que é o índice de preço mais acompanhado pelo Fed.

No final da noite, mais precisamente às 22h00, todos ligados no PMI Industrial chinês de fevereiro para medir os impactos reais do coronavírus.

Só para lembrar que haverá pregão na B3 a partir de quarta às 13h00.