2T20: foi tão ruim assim? [Resumo Semanal – 04/09]

2T20: foi tão ruim assim? [Resumo Semanal – 04/09]

Navegue por assunto


Por: Time Master Clear

04/09/2020 • Atualizado: 12/12/2021

3 minutos

Compartilhar:

Confira o que aconteceu no mercado na última semana (31/08 a 04/09) e quais são as perspectivas futuras

Nesta semana foi encerrada a temporada de resultados do segundo trimestre e no final das contas os meses marcados pelo pior impacto das medidas de isolamento social para o combate do coronavírus não foi tão ruim assim.

Sem dúvida tivemos uma queda generalizada de receita e ebitda por parte das empresas, mas diferentemente do que foi projetado por muitos investidores/analistas os resultados não foram catastróficos e podemos colocar na conta das medidas de estímulo monetário e de renda para famílias e empresas.

Esse “pequeno” detalhe que muitos não colocaram na conta e que não justificava uma compra próximo do fundo de 2017 foi determinante para que 43% dos resultados ficassem acima do esperado pelo mercado, segundo projeções cruzadas entre XP Investimentos e o consenso Bloomberg.

Outro ponto positivo nesta temporada de resultado foi o compromisso de grande parte das empresas em reduzir custos e priorizar a liquidez mesmo isso custando o lucro líquido. Segundo pesquisa do Economatica, o lucro líquido acumulado das empresas não financeiras no primeiro semestre de 2020 recuou 82% frente ao mesmo período do ano passado, sendo que o grande impacto foi no segundo trimestre.

Neste trimestre ficou mais do que comprovado que olhar somente os grandes números (receita, ebitda e lucro) está longe de ser parâmetro de análise de balanço, sendo necessário olhar o operacional da empresa para entender a dinâmica do resultado.

Neste sentido, a pandemia foi bastante dura para as companhias aéreas e o setor de turismo, como também para os bancos, que precisaram aumentar bruscamente suas provisões contra perdas por inadimplência e esses recursos devem ficar represados ainda por um tempo uma vez que a crise está artificialmente amparada pelas medidas de estímulo do governo. Ou seja, ainda é cedo para falar em pico de inadimplência, desemprego, etc.

Na ponta oposta, o destaque ficou por conta do varejo, em especial online, que com os canais de venda já desenvolvidos (do site até logistica) conseguiram capitalizar com o isolamento social mesmo com o fechamento das lojas físicas. As empresas de commodities em que boa parte de suas receitas vem de exportações, pertencentes principalmente aos setores Papel & Celulose, Mineração & Siderurgia, Bens de capital e Proteínas, sendo beneficiadas pela alta do dólar e também forte demanda na China .

Passado o era para ser o pior trimestre do ano, o que esperar para o terceiro trimestre? Com a reabertura da economia e maior concentração, as varejistas de departamento devem mostrar uma melhora em sua receita, mas acredito que insuficiente para crescer frente ao 3T19, ao passo que o varejo online deve seguir nessa toada de crescimento e cada vez mais ser realidade na vida do brasileiro.

Imaginando isso, dos setores ligados à atividade doméstica, os shoppings, que recuaram forte no primeiro semestre, possuem grande potencial de surpreender neste terceiro trimestre. Vale também fazer uma bela varredura no setor imobiliário, pois com taxas tão atrativas as empresas com sólido caixa e gestão devem aproveitar melhor esse momento em detrimento da situação econômica.

Passado esse trimestre e com a bolsa travada abaixo dos 105 mil pontos, vale fazer a lição de casa e revisitar os cases que gosta ou pretende investir para saber se estão atrativos, pois estamos longe do último topo e mais próximos dos suportes mais importantes do gráfico semanal.