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Fazendo a digestão [Resumo Semanal 07/02]

Fazendo a digestão [Resumo Semanal 07/02]

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (03/02 a 07/02) e quais são as perspectivas futuras

5 de fevereiro de 2020: esse dia ficará marcado na memória do investidor pela interrupção do ciclo de cortes da Selic pelo Copom.

Desde o primeiro corte de 25 pbs em 19 de outubro de 2016, a taxa básica de juro saiu de 14% para 4,25% ao ano, medida fundamental para criar o cenário de expectativa de crescimento que estamos vivendo.

Feito todo esse trabalho de alimentar a economia, o Copom deixou bem claro que chegou a hora de fazer a digestão:

“O Copom entende que o atual estágio do ciclo econômico recomenda cautela na condução da política monetária. Considerando os efeitos defasados do ciclo de afrouxamento iniciado em julho de 2019, o Comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária”, conforme o penúltimo parágrafo do comunicado.

A decisão faz todo sentido em vista do que os economistas chamam de defasagem do mecanismo de transmissão da política monetária.

Para ser realmente bem suscinto sobre o assunto, os estudos macroeconômicos apontam que as mudanças nos juros não afetam imediatamente a economia, ou seja, atividade e crédito (que são os principais canais afetados ligados ao PIB) serão afetados em cheio por esse processo de corte de juros ao longo do segundo semestre do ano.

Tendo isso como um pressuposto verdadeiro, a defasagem possui implicações importantes para a condução da política monetária, uma vez que o banco central deve “olhar para frente”, ou seja, considerar os desdobramentos futuros ao atuar no mercado, uma vez que não considerando este efeito afetará diretamente (para cima) as expectativas de inflação e inconsequentemente um superaquecimento da economia.

Se para você tudo isso ficou muito técnico e quer uma tradução mais literal, basta relembrar o trágico legado da Nova Matriz Econômica.

Explicar esse conceito é muito importante para entender a decisão do Copom de interromper o ciclo de corte e não deixar dúvidas sobre. Primeiro para controlar a expectativa de inflação, tema esse que foi recorrente no comunicado e tratado com muito cuidado.

O Comitê fez questão de falar que está trabalhando com um cenário mais próximo do centro da meta de inflação, ao contrário do que vinha sendo feito até o fim do ano passado, quando as projeções rondavam o piso da meta. Esse deslocamento por si já justificaria uma pausa nos cortes.

Um outro ponto importante foi a comunicação com o mercado. A sobriedade e sensatez do comunicado, com mudanças cirúrgicas nas expressões, revela um Copom um passo a frente dos fatos e isso é fundamental na construção da expectativa dos investidores.

Isso é muito sério, pois se a autoridade monetária desconsiderar as defasagens existentes será inevitável o descumprimento da meta de inflação (rompimento do teto da expectativa) e gerar uma instabilidade generalizada, sem falar da irresponsabilidade, evento ainda mais agravante em um país emergente como o Brasil.

Falando em inflação, nesta sexta saiu o primeiro IPCA do ano e surpreendeu positivamente o mercado. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo de janeiro subiu 0,21% na comparação mensal, o menor resultado para um mês de janeiro desde o início do Plano Real (1994) e abaixo da expectativa de 0,35%. A desaceleração no grupo alimentação e bebidas, em especial das carnes, contribuiu no resultado.

Agenda econômica para semana que vem

A semana será cheia na cena doméstica, com os investidores ansiosos pela Ata do Copom na terça (8h00) vide a sinalização do fim deste ciclo de corte de juros, como também ao resultado do Varejo no acumulado de 2019/dezembro na quarta (9h00).

Além dos dados econômicos, vale destacar a temporada de resultados do quarto trimestre (calendário de divulgação), com a semana começando com os números do Itaú após o fechamento do mercado.

Lá fora, o foco ficará para sexta. Logo pela manhã, às 7h00, será divulgado o resultado preliminar do PIB da Zona do Euro. Às 10h30 teremos as vendas ao varejo norte-americano, enquanto às 11h30 o desempenho da indústria, todos dados do primeiro mês do ano.