COPOM: missão dada é missão cumprida [Resumo Semanal 07/08]

COPOM: missão dada é missão cumprida [Resumo Semanal 07/08]

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Por: Time Master Clear

07/08/2020 • Atualizado: 12/12/2021

5 minutos

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Comitê deixa claro seu comprometimento em manter a Selic em um nível estruturalmente baixo

Em uma decisão unânime e em linha com esperado pelo mercado, o Copom (Comitê de Política Monetária) cortou a Selic de 2,25% para 2,00% ao ano. Se o nono corte consecutivo não surpreendeu, não podemos falar o mesmo sobre o teor do comunicado.

Na última reunião de 17 de junho o Comitê tinha sinalizado que uma nova redução seria algo “incerto” e existia uma “assimetria de risco” desfavorável, desta forma sinalizando que a porta para um novo corte na reunião de agosto estava praticamente fechada.

Ao contrário disso, além de uma decisão unânime pelo corte, essa em grande escala motivada pelas perspectivas econômicas nada favoráveis para o Brasil, o Comitê não fechou a porta para novos cortes neste comunicado e como deixou sinalizado que caso preciso realizará um novo corte de 25 pontos-base caso a economia não evolua de maneira satisfatória. Ou seja, recuperação em “V” não é o cenário-base do Copom.

“Em relação à atividade econômica brasileira, indicadores recentes sugerem uma recuperação parcial. Os setores mais diretamente afetados pelo distanciamento social permanecem deprimidos, apesar da recomposição da renda gerada pelos programas de governo. Prospectivamente, a incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia permanece acima da usual, sobretudo para o período a partir do final deste ano, concomitantemente ao esperado arrefecimento dos efeitos dos auxílios emergenciais”.

Além desta sinalização de um possível, mesmo que limitado, corte da Selic, o que deixou o comunicado ainda mais dovish – favorável aos estímulos monetários – foi a diretriz que o Copom traçou para a curva de juros.

No comunicado passado, os membros do Comitê transpareceram toda desconfiança sobre a trajetória do rombo das contas públicas (fiscal), que realmente está caminhando para um nível alarmante após todos os estímulos dados e a paralisação da agenda de reformas, sendo esse um dos motivos para “elevar os prêmios de risco”, ou seja, interromper a sequência de corte da Selic.

Como o mercado trabalha com expectativa, o que é chamado de “miolo da curva”, que seriam as projeções para Selic entre 2 e 3 anos, já estavam apontando para um aumento da taxa básica de juro e isso influencia diretamente as taxas de financiamento de longo prazo, que, em grande parte, são as referências para os empréstimos corporativos.

Observando esse comportamento, o Copom deixou bem sinalizado em seu comunicado que a tão sonhada taxa de juro estruturalmente baixa é uma realidade e não antevê reduções no grau de estímulo monetário no ano que vem ou começo de 2022. Basta saber se haverá resposta contundente do lado do fiscal e se a inflação seguirá comportada como tal, pois, caso houver um ruído mais forte entre essas duas variáveis o mercado voltará precificar aumento de juros para o final de 2021.

Na minha visão esse foi um dos sinais mais positivos do lado de política monetária nos últimos tempos, pois não adianta cortar desenfreadamente, gerar um colateral (as vezes até negativo como uma explosão da inflação, por exemplo) na economia e depois reverter toda política.

Porém, uma coisa que não mudou dos últimos comunicados foi a preocupação sobre o rumo do fiscal e sua influência no rumo da Selic:

“O Copom avalia que perseverar no processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia”.

Em outras palavra, o Comitê avalia que a trajetória fiscal ao longo de 2020-2021, assim como a percepção sobre sua sustentabilidade, o que dependerá do andamento da agenda de reformas, serão decisivas para determinar o prolongamento dos estímulos monetários (tom dovish).

Agenda econômica da próxima semana

A segunda começa com o tradicional Boletim Focus (8h25), sendo que na terça a agenda começa pegar tração com a divulgação da inflação ao produtor norte-americano de julho (9h30).

Na quarta, logo pela manhã (6h00), será divulgada a produção industrial da Zona do Euro de junho e as vendas no varejo (9h00) brasileiro em junho. Logo após, às 9h30, será divulgada a inflação ao consumidor norte-americano do mês de julho.

Na quinta o mundo estará voltado para China, pois às 23h00 teremos a produção industrial, vendas no varejo e taxa de desemprego de julho.

A sexta começa com relatório de emprego e PIB da Zona do Euro (6h00), enquanto às 9h30 nos EUA teremos as vendas no varejo de julho. Um pouco mais tarde, às 10h15, será a vez da produção industrial norte-americana também referente ao mês passado.