Bancos acordam e levam Ibovespa para ponto decisivo [Resumo Semanal 09/10]

Bancos acordam e levam Ibovespa para ponto decisivo [Resumo Semanal 09/10]

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Por: Time Master Clear

09/10/2020 • Atualizado: 11/12/2021

5 minutos

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (05/10 a 09/10) e quais são as perspectivas futuras

No blog da última semana de setembro (veja aqui) foi traçado um panorama completo sobre os rumos do Ibovespa e o real significado da perda dos 99/98 mil pontos, que no final das contas culminou no início de uma tendência de baixa no curtíssimo prazo.

Pois bem, com a alta de 4% nesta semana o índice retornou para o fundo perdido e aquele receio de uma correção mais forte vide que ficou 2 meses acumulando antes de tomar uma decisão (para baixo) ficou para trás, ao passo que uma compra contra a tendência de baixa de curtíssimo prazo sobre 95 mil pontos não está fora dos planos.

Essa valorização do mercado, que considero surpreendente uma vez que a tendência de baixa no curtíssimo prazo foi recém iniciada, foi basicamente conduzida pelas ações dos bancos e colocou o até então esquecido setor no radar dos investidores para esse trimestre.

Antes uma unanimidade nas carteiras, os bancos perderam muito appeal com o avanço dos bancos digitais e sua política de custo zero (ou muito baixo) nas intermediações financeiras, o que acabou roubando o até então garantido market share dos bancos tradicionais, sem falar da crise recente que afetou diretamente o resultado.

Com uma enxurrada de fatos negativos e alternativas mais baratas em bolsa houve uma debandada do setor desde o fim do ano passado e a cereja no bolo foi a crise deste ano com os ativos voltando para os níveis de 2016 no pior momento. Porém, esse chacoalhão foi o gatilho para analistas/gestores voltarem olhar os bancos com maior interesse e pelos últimos relatórios podemos entender que as ações de fato estão baratas.

Para entender melhor como estão descontadas vale fazer uma comparação entre Ibovespa o Índice Financeiro (IFNC): neste ano o principal índice da bolsa brasileira acumula queda de 16%, enquanto o benchmark do setor financeiro recua 26%. Vale lembrar que os bancos possuem grande participação no Ibovespa e que teoricamente não deveriam estar tão descolado.

Não existe dúvida que os bancos digitais são uma ameaça e vão reduzir a rentabilidade dos bancos tradicionais, sem falar dos efeitos de curto prazo do COVID com aumento da inadimplência, redução do fluxo de crédito, mas um descolamento desta proporção e os papéis próximos da mínima do ano implica em acreditar que os bancos não serão capazes de entregar resultados melhores do que os atuais que estão muito poluídos.

Em tempos de crise como de agora o correto é buscar por empresas bem capitalizadas e um sinônimo disso são os bancos, basta ver como os níveis de Basileia dos bancos tradicionais estão acima do exigido pelo BC, sem falar que não estamos em meio de uma crise financeira como de 2008.

O juro baixo e que deve ficar estruturalmente baixo irá afetar a margem financeira dos bancos, ou seja, aquela alta rentabilidade ficou para trás, sem falar que os ganhos de curto prazo serão pressionados por custos de crédito mais altos e volumes mais baixos. No entanto, os bancos não ficarão tanto para trás como a cotação de tela aponta à medida que o ciclo de crédito e os volumes sejam retomados, pois, no preço atual, parece que esse fundo do poço é a nova realidade dos bancos.

Para se ter uma ideia do nível de deconto dos bancos, quando utilizamos o consenso Bloomberg de preço-alvo para Itaú, Bradesco, Santander e Bradesco temos em média um upside de 30% dos níveis atuais.

“Ajustando o valuation de hoje pelo juro atual, os bancos estão negociando 40% abaixo do que negociavam no passado, na média. Eu realmente acho que isso é muito barato”, disse o analista da Absolute, gestora que possui R$ 2,5 bilhões dos R$ 16 bilhões de ativos sob gestão na estratégia de ações em painel sobre o setor de bancos elaborado pelo time do Stock Pickers — confira tudo nesse link.

Outro ponto bastante importante na hora de investir e que pode ser considerado uma raridade entre os bancos é o quão atrativo está o dividend yield do setor. Se levar em conta a projeção da Selic e o preço atual dos bancos as estimativas do time da XP apontam para um yield de 8,2% a 12,6% de 2021 a 2023 (incluindo JCP), o que chama muita atenção pois chega ultrapassar até mesmo de empresas do setor elétrico.

Essa combinação de múltiplos baratos e bom yield projetado fez com que os bancos acordassem nesta semana com uma efetiva “troca de mão” entre os investidores antes a realização de lucro no setor de commodities, que andou muito na esteira do minério de ferro, assim como com as perspectivas de melhores resultados para o terceiro trimestre uma vez que o último foi bem pesado.

Na carteira do InfoTrade já estamos comprados em Itaú e Santander e reforçamos nossa posição recentemente em vista de tudo isso que foi exposto. Acreditar que os bancos vão voltar para as máximas de 2019 está longe de ser uma realidade, mas sem dúvida o risco x retorno de comprar agora parece extremamente atrativo.