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Por que o real está apanhando tanto? [Resumo semanal 10/04]

Por que o real está apanhando tanto? [Resumo semanal 10/04]

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (06/04 a 10/04) e quais são as perspectivas futuras

Não é novidade para ninguém que o dólar é um ativo líquido e uma das principais rotas de fuga dos investidores em tempos de crise.

Não por acaso que a divisa norte-americana está forte contra grande parte das moedas do mundo no acumulado do ano, ocorrência que fica ainda mais gritante contra os países emergentes.

Nesta corrida da desvalorização da moeda o Brasil não sai da dianteira. No topo do estresse deste mês, quando atingiu a marca histórica de R$ 5,324 no spot, atingimos a casa de 30% de desvalorização e abrimos uma larga diferença frente nossos pares, abrindo espaço para duas perguntas: Por que o real está apanhando tanto? Há de fato um exagero?

Para começar explicar é preciso relembrar o primeiro texto sobre o dólar feito em fevereiro (clique aqui) entre a relação a expectativa de queda da Selic vs carry trade. Sem dúvida a queda abrupta do diferencial de juros ajudou no processo, mas está longe de ser o fator determinante desta disparidade.

O aumento do nível de aversão ao risco, como comentado no primeiro parágrafo, sem dúvida ajuda entender boa parte deste processo de desvalorização, mas teoricamente não haveria justificativa para uma discrepância tão grande entre os pares mundiais.

O que realmente preocupa o mercado e coloca o Brasil na liderança das moedas mais desvalorizadas do mundo é a equação entre situação econômica vs saída da crise.

Depois de tortuosos anos graças a Nova Matriz Econômica que jogou o País no buraco, vínhamos de um ano uma verdadeira reformulação da política monetária/econômica e cujos frutos serão colhidos ao longos de 2020, o que acabou virando um sonho diante da crise atual.

Todas projeções de crescimento foram revistas para no mínimo uma estagnação de uma base de comparação já precária, sem falar que o governo precisou abrir os cofres (e ainda vem mais) para minimizar os impactos do COVID-19 na atividade econômica. O que isso significa? Adeus fiscal.

Para se ter uma ideia do tamanho do rombo nas contas públicas, no começo do ano as expectativas para a dívida bruta não passavam de 76% do PIB, sendo que agora esse é o cenário mais conservador projetado e este número deve chegar facilmente nos 90% do PIB.

Com uma das economias mais fechadas do mundo, altamente dependente do fluxo das commodities, que reduziu bastante por conta da crise, e uma economia interna que sonhava em crescer este ano, não tem como pensar que existirá uma contraparte (receita) suficiente para amenizar esse quadro.

Esse quadro econômico muito mais desafiador para o Brasil frente a maioria dos seus pares ajuda explicar a forte desvalorização da nossa moeda. Dito isso, podemos esperar novos recordes ou há um exagero do mercado?

Em termos econômicos, sem dúvidas a evolução da pandemia será a chave para essa resposta como explicado no último blog (veja mais aqui) e projetar qualquer coisa neste momento é cedo demais, mesmo com a redução do número de casos pela Europa e a aparente solução da exponencial contaminação na China (maior parceiro comercial do Brasil), lembrando que na América a fase mais crítica está sendo agora.

Seguindo essa tendência de redução dos casos e avanço na cura da doença a expectativa é por uma redução do nível de aversão ao risco e a probabilidade de novos recordes neste cenário será baixa.

Sobre se há exagero, o quadro econômico sem dúvida é preocupante, mas o que o mercado estava esperando era uma resposta contundente do Bacen em vista da grande disparidade criada e ela finalmente veio nesta semana com leilões de swap mais agressivos, assim como uma posição mais dura do presidente Roberto Campos Neto: “Estamos preparados, as reservas são grandes…temos atuado e podemos, a qualquer momento, atuar muito mais forte do que temos atuado até então”.

Em suma, não estou aqui para cravar quanto vai fechar o câmbio, mas por tudo que está passando neste momento é possível tirar a lição de que houve um exagero do mercado e que novos recordes somente com uma deterioração ainda mais fenomenal da economia ou uma segunda fase da pandemia. Agora, seguindo nessa toada + ajuda do Fed, existe uma grande probabilidade de acomodação do dólar sob a máxima atual.

Agenda econômica da próxima semana

A semana começa com as principais bolsas europeias fechadas por conta da Páscoa e com o Boletim Focus (8h25) com as perspectivas do mercado para a economia brasileira.

No começo da tarde de terça será divulgada a balança comercial chinesa de março, enquanto na quarta nos EUA teremos às 9h30 as vendas no varejo e às 10h30 a produção industrial ambos de março.

Na quinta, logo pela manhã (6h00), sai a produção industrial da Zona do Euro em fevereiro, enquanto às 9h30 dados do setor imobiliário dos EUA de março. Por fim, às 23h00, todos atentos para o PIB chinês do primeiro trimestre, além da produção industrial e taxa de desemprego de março.

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