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Selic: até onde pode cair? [Resumo semanal 13/05]

Selic: até onde pode cair? [Resumo semanal 13/05]

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (06/04 a 13/04) e quais são as perspectivas futuras

Em uma decisão que podemos classificar como surpreendente o Copom cortou a Selic para 3% ao ano (veja mais aqui) na semana passada e no seu comunicado junto da decisão deixou a porta aberta para mais um corte na reunião de 17 de junho, mas com diversos “se” sobre a magnitude.

Então veio a ata do Copom nesta semana com o cenário traçado pelos membros e com base nela vamos dedicar esse blog para responder: até onde a Selic pode parar?

Se depender da inflação a taxa de juro pode ir para zero, uma vez que o Bacen está muito tranquilo com a trajetória de preços: “diversas medidas de inflação subjacente se encontram abaixo dos níveis compatíveis com o cumprimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a política monetária”.

Essa tranquilidade quanto ao rumo dos preços está ancorada na brutal queda do petróleo, que é um componente inflacionário importante dentro da cadeia produtiva, como também o fraco desempenho da economia ao longo do ano.

O Banco Central apontou que não vê uma recuperação da atividade econômica em V, ou seja, retomada proporcional ao movimento de queda, mas sim uma recuperação gradual a partir do segundo semestre com possíveis “reviravoltas”. Na sopa de letrinhas dos economistas estamos mais próximos de um W, que seria com altos e baixos até uma recuperação.

Se pelo lado da inflação está tudo liberado e rumo a taxa zero como até alguns defendem em uma época extrema de crise, não podemos esquecer estamos no Brasil e somos (infelizmente) um eterno país emergente e isso é traduzido dentro do mercado financeiro como prêmio de risco (diferença entre o rendimento de um título público de um país em relação a outro investimento considerado seguro).

Esse prêmio tende a ser maior no Brasil em vista da fragilidade em si da nossa política fiscal e consequentemente das incertezas quanto sua trajetória em um tempo que os gastos públicos só crescem para amenizar os efeitos da pandemia na economia, enquanto a poupança do setor privado só diminui.

Como estamos longe de uma compensação entre gastos públicos e poupança do setor privado, ou seja, trajetória crescente do déficit fiscal, os investidores sem dúvida olham o caos se formando e ficam no mínimo ressabiados, exigindo, portanto, um prêmio maior devido ao aumento do risco de calote, o que resulta em uma maior taxa de juros necessária para financiar a dívida pública.

“Nesse contexto, já estaríamos próximos do nível onde reduções adicionais na taxa de juros poderiam ser acompanhadas de instabilidade nos mercados financeiros e nos preços de ativos”, segundo aponta a ata do Copom.

Colocando todos os pesos na balança e esse sinal do Comitê que estamos próximos do fim do ciclo podemos colocar na conta mais um corte de 50 pbs em 17 de junho, levando a Selic para 2,5% ao ano, sendo que não ficaria assustado com um corte de 25 pbs + comunicado bem dovish.

Porém, acreditar em 75 pbs parece bem arriscado, somente se as projeções de inflação arrefecessem ainda mais para o final do ano/começo de 2021 e os dados econômicos projetados para semelhante período piorassem muito mais e de forma rápida (isso pode acontecer ao longo do terceiro trimestre e aí valeria uma nova avaliação do BC).