Os estragos (até agora) do coronavírus em números [Resumo semanal 17/04]

Os estragos (até agora) do coronavírus em números [Resumo semanal 17/04]

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Por: Time Master Clear

17/04/2020 • Atualizado: 24/03/2022

6 minutos

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (13/04 a 17/04) e quais são as perspectivas futuras

Foi na virada do ano, quando a euforia tomava conta do mercado, que foi reportado o primeiro caso do novo coronavírus na China. De lá para cá os números mais atualizados apontam para 2,2 milhões de infectados ao redor do mundo.

Como consequência desse alastre o mundo entrou em quarentena e a economia global que há anos luta para não entrar no vermelho literalmente “enfiou o pé na jaca” com quadro recessivo já dado pelos economistas.

Toda essa temática e seus possíveis desdobramentos foram abordados nos últimos blogs com simples e único objetivo de projetar cenários. Mas como estamos agora? Qual a situação da economia nesse momento? E os números do coronavírus? Justamente essa fotografia que vamos revelar agora.

Evolução do Coronavírus

Desde o nosso primeiro papo sobre coronavírus e a grande chance de correção para o mercado na última semana de janeiro (confira aqui), os números cresceram em uma escala monstruosa, mas a proporção entre curados x falecimentos não mudou tanto assim.

Segundo dados coletados pelo Worldometers, que utiliza como base as fontes oficiais, 80% dos 710.796 casos fechados (até 17/04) são de pessoas curadas. No entanto, o número de novos infectados segue em alta na medida que a doença foi se espalhando da Ásia > Europa/África > América e a grande dúvida agora será se essa proporção positiva de 4 para 1 será mantida.

Situação Econômica

Os impactos econômicos do COVID-19 na economia ficam ainda mais latentes quando olhamos o nível da atividade (industrial e varejo), impactos no mercado de trabalho e na confiança do consumidor/empresário.

Para entender a situação atual vamos começar falando da China, onde foi o epicentro e que agora está flexibilizando a quarentena, passar pelos EUA, que se tornou o grande centro da pandemia, e por fim a economia doméstica.

Os efeitos da desaceleração econômica são sentidos na pele do setor industrial e em especial do lado do varejo, que em sua essência depende muito da circulação mesmo na era digital.

Na China, a indústria inesperadamente está surpreendendo de forma positiva. Depois de uma vertiginosa queda de 13,5% em março e interrompendo uma série de 10 anos apontando expansão em base anual, a produção retraiu 1,1% em abril diante uma expectativa de -7,3%. Os economista não esperam um retorno para o campo positivo, mas pelo menos uma estabilização em níveis baixos.

Do outro lado, o varejo chinês segue bastante pesado. As vendas recuaram 15,8% na comparação anual, após uma prévia contração de 20,5% nos primeiros 2 meses do ano. O resultado ficou aquém da previsão (-8,0%) e revela a sangria do setor, algo que não é exclusividade chinesa.

Nos EUA, as vendas despencaram 8,7% entre fevereiro e março e cravando o pior resultado da série acumulada desde 1992. A indústria norte-americana também sofreu bastante e a produção caiu 5,4% em março na mesma base mensal, sendo a maior queda desde janeiro de 1946.

Por aqui ainda não temos os dados da atividade industrial de março, mas o índice PMI do setor, que é calculado pelo instituto Markit e que serve muito bem como uma proxy do dado oficial, recuou de 50,9 para 37,6 na passagem de fevereiro para março.

Essa “desatualização” também é vista no índice da atividade do varejo, cujo número de fevereiro foi divulgado no começo de abril, mas uma boa amostra e que é colhida diretamente é o ICVA (Índice Cielo do Varejo Ampliado). Segundo os dados sazonalizados, tivemos uma queda de 10,5% em termos nominais, o pior resultado desde a criação do índice em 2014, liderado pelo segmento de turismo e vestuário.

Com a economia parada, mas com os custos longe dessa dinâmica e com a tributação sempre em dia, o mercado de trabalho é o primeiro entrar em colapso. Nos EUA os pedidos de auxílio-desemprego somam 22 milhões nas últimas 4 semanas, enquanto em março foram fechadas 701 mil vagas de trabalho por lá, algo que não era visto desde a Grande Depressão.

Na China a taxa de desemprego subiu para 6,2% na passagem de janeiro para fevereiro, mas esse número deve chegar na faixa de 8% nos próximos meses conforme as projeções de diversos bancos internacionais.

Por aqui estamos sem um norte da taxa de desemprego uma vez que o governo suspendeu os dados do Caged, mas o cenário projetado não é nada animador. Segundo estudos do FMI, a taxa de desemprego brasileira deve chegar na marca de 15% este ano, sendo que atualmente está em 11,6%, ou seja, o número de desempregados no país pode saltar para cerca de 17 milhões.

Tudo isso sem dúvida nenhuma mina a confiança de todos e esse indicador, muitas vezes desprezado, ajuda entender bastante o apetite dos principais atores da economia.

Nos EUA, o índice de confiança do consumidor caiu de 131 para 120 entre fevereiro e março, ao passo que para abril e maio as projeções apontam para o mais próximo da faixa de 70, que seria no nível da crise do subprime.

No Brasil o índice já vem em queda desde dezembro e em março atingiu 80,2, sendo que a estimativa é por uma correção mais forte aos níveis dos piores momentos da crise de 2016. Se para o consumidor está ruim, para o empresário não está diferente. O Índice de Confiança do Empresário Industrial registrou uma queda recorde de 25,8 pontos em abril, atingindo o nível de 34,5, o menor patamar desde o início da série histórica em 2010.

Como dito no começo, o propósito deste texto foi retratar em números a situação atual e revelar a fotografia devastadora do quadro atual. Minha ideia é fazer esse mesmo texto na virada do semestre para comparar os cenários. E sempre lembre-se: o mercado trabalha com expectativa!