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Copom: Um Sim, Um Não, Uma Linha Reta, Uma Meta [Resumo Semanal]

Copom: Um Sim, Um Não, Uma Linha Reta, Uma Meta [Resumo Semanal]

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (14/09 a 18/09) e quais são as perspectivas futuras

Em sua 233ª reunião, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a Selic em 2,00% a.a. e colocou fim ao ciclo de 9 cortes consecutivos. A decisão era amplamente esperada pelo mercado, ao passo que a grande dúvida era se o Comitê de Política Monetária ficaria firme com sua Meta de manter a Selic estruturalmente baixa e a resposta foi Sim.

Desde meados do mês passado foi ganhando força a tese que a inflação de alimentos atual iria impedir a manutenção do viés dovish (inclinado para políticas monetárias expansionistas) do Bacen e como o mercado trabalha com expectativa tratou de colocar isso na curva de juros. O chamado “miolo da curva” (precificação para 2021, 2022 e 2023) inclinou para cima e isso acabou gerando um prêmio.

Em poucas palavras, o prêmio seria a diferença entre os rendimentos observados na curva de juros (referência) e as expectativas dos investidores para as taxas de juros (projeção). A ideia de antecipar sua estratégia, o que acaba gerando o prêmio, é lucrar na conversão do que apelidei como referência para projeção, uma vez que você já estará alocado para tal movimento e pagou mais barato para isso. Fazendo um paralelo com ações / escolas de análise, seria antecipar um bom resultado de uma empresa ou uma reversão de tendência.

Porém, estamos vivendo um choque de oferta e há um grande hiato do produto (disparidade entre demanda e oferta) por conta da crise gerada pelo COVID-19, uma consequência direta da capacidade ociosa das empresas em vista da restrição orçamentária da população. Em outras palavras, não há disposição das famílias de comprar e isso deve ancorar a inflação mesmo com o aumento dos custos.

“O nível de ociosidade pode produzir trajetória de inflação abaixo do esperado, notadamente quando essa ociosidade está concentrada no setor de serviços. Esse risco se intensifica caso uma reversão mais lenta dos efeitos da pandemia prolongue o ambiente de elevada incerteza e de aumento da poupança precaucional”

Com o Copom pouco preocupado com alta da inflação no curto prazo diante do argumento de que a capacidade ociosa, principalmente quando concentrada nos serviços, pode produzir trajetória de inflação aquém do esperado, ele reforçou a meta de manter a Selic estruturalmente baixa e deixou sinalizado que até o ano que vem ficaremos na mínima histórica de 2%, inclusive repetiu que se houver espaço para novo corte será pequeno. Ou seja, pensar em alta não é opção.

Ao mesmo tempo em que o comunicado minimizou alta recente da inflação, o alerta sobre o rumo do fiscal e do avanço da agenda de reformas foi reforçado, sem elevar o tom como esperava, mas uma Linha Reta que deve ser perseguida por esse (ou qualquer) governo de emergente para a manutenção da estratégia de juro baixo no longo prazo.

“As políticas fiscais de resposta à pandemia que piorem a trajetória fiscal do país de forma prolongada, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem elevar os prêmios de risco (…) O Copom avalia que perseverar no processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia”

Conclusão: novas medidas de estímulos somente se a economia estagnar ainda mais; aumento da Selic somente em caso de descontrole da inflação (IPCA) ou piora na percepção sobre o fiscal; cenário base respeitado taxa de juro em níveis historicamente baixos por um bom tempo (tendência mundial).

Agenda da próxima semana

A agenda começa no domingo (22h30) com a decisão de política monetária chinesa. A segunda começa com o tradicional Boletim Focus (8h25) e às 11h00 teremos discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, no Congresso norte-americano.

Na terça (8h00) será divulgada a ata do Copom, dados de vendas de casas nos EUA (11h00) e meia hora depois mais um discurso do presidente do Fed no Congresso.

A quarta começa com o PMI industrial e de serviços da Zona do Euro (5h00) e às 9h00 todos estarão atentos para o IPCA-15, ao passo que o PMI industrial dos EUA será divulgado às 10h45. Todos os dados são de setembro.

Na quinta (9h30) teremos o tradicional pedidos de seguro-desemprego nos EUA, enquanto na sexta os pedidos de bens duráveis no país em agosto.