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Desce a saideira e fecha a conta [Resumo Semanal 19/06]

Desce a saideira e fecha a conta [Resumo Semanal 19/06]

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (15/06 a 19/06) e quais são as perspectivas futuras

Pela oitava reunião consecutiva o Copom (Comitê de Política Monetária) cortou a Selic e agora a taxa básica de juro está em 2,25% ao ano. O corte de 75 pontos-base era amplamente esperado pelo mercado, como já estava “marcado” na curva, sendo que o foco estava no tom do comunicado para entender os próximos passos do colegiado.

Como toda semana de Copom vamos dissecar o comunicado, mas se for para resumir em uma frase e ilustrar da maneira mais clara possível usaria uma de boteco: “desce a saideira e fecha a conta”.

Desde o início da pandemia, que alterou completamente o discurso do Copom de hawkish para dovish, o colegiado nunca esteve tão confortável com a inflação em vista da ociosidade da economia, tanto que neste comunicado deixou bem claro que a inflação tem tudo para encerrar 2020 abaixo do piso da meta e para 2021 o cumprimento da meta é a maior probabilidade.

O que genuinamente preocupa o Copom é a trajetória do fiscal e neste comunicado o Comitê deixou um alerta bem claro sobre isso: “Por outro lado, políticas fiscais de resposta à pandemia que piorem a trajetória fiscal do país de forma prolongada, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem elevar os prêmios de risco”.

Em outras palavras, o corte de juro (estímulo monetário) + programas de recomposição de renda (estímulo creditício) + paralisação da agenda de reformas (cenário político) + recessão econômica (menor receita) são ingredientes pesados na balança e geram o que o Copom classificou como “assimetria de risco”. Diante disso, o parágrafo que justifica o título desse blog:

“O Copom entende que, neste momento, a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário extraordinariamente elevado, mas reconhece que o espaço remanescente para utilização da política monetária é incerto e deve ser pequeno. O Comitê avalia que a trajetória fiscal ao longo do próximo ano, assim como a percepção sobre sua sustentabilidade, são decisivas para determinar o prolongamento do estímulo”.

Portanto, caso não houver uma resposta robusta do lado do fiscal, que depende justamente do andamento das reformas, que por sua vez passa pela articulação do governo, 2,25% ao ano será de fato a mínima histórica.

Se houver uma resposta do lado do fiscal e os impactos da pandemia na atividade econômica forem ainda maiores, novas reduções devem ocorrer, mas em um ritmo bem menor em vista de todo cenário de risco. Neste sentido, o mercado precificará um corte de 25 bps.

De uma forma ou de outra podemos dizer que o Copom deixou uma fresta na porta para um novo corte, mas, sem dúvida, uma nova rodada de estímulo monetário dependerá de uma combinação de fatores que leva crer que os membros já pediram a saideira.

Agenda econômica da próxima semana

No domingo (22h30) temos a decisão de política monetária do Banco Central Chinês, que originalmente seria na quinta, mas foi adiantada em vista do feriado chinês que ocorrerá neste dia e sexta.

Na segunda o tradicional Relatório Focus (8h00) é o único evento econômico importante. Na terça a agenda está cheia com PMIs (6h00) na Europa e nos EUA (10h45) de junho, sem falar da Ata do Copom (8h00).

Na quinta vale ficar atento para a última revisão do PIB dos EUA (9h30) referente ao primeiro trimestre, enquanto na sexta aos núcleos de inflação do PCE (9h30) de maio.

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