Dólar: chegou a hora do ajuste? [Resumo Semanal 22/05]

Dólar: chegou a hora do ajuste? [Resumo Semanal 22/05]

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Por: Time Master Clear

22/05/2020 • Atualizado: 10/12/2021

5 minutos

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (18/05 a 22/05) e quais são as perspectivas futuras

Em uma clara tendência de alta no curto prazo e com 16 altas nas últimas 20 semanas, o que sem dúvida comprova a primeira afirmação, o dólar caminha para a pior semana do ano após flertar com os R$ 6,00 uma semana atrás.

Essa mudança abrupta de comportamento sem dúvida chama atenção para quem está de olho na compra dos setores que são mais beneficiados pela alta do dólar (confira aqui), dos quais papel e celulose gosto bastante, como para quem realiza operações com a moeda para retirar o inabalável viés de compra do gráfico diário (veja mais aqui)

Para começar entender vamos para origem do movimento de alta: queda da Selic x carry trade. Em todos os textos sobre Selic escrevo sobre essa relação e no último sob o título “Selic em 3% a.a e dólar aos R$ 6?” tem uma explicação bem completa desta relação e os motivos para chegar nessa projeção.

Como sabe (ou está sabendo agora) essa relação influencia diretamente nossa moeda e pelo exposto na última ata do Copom (veja mais aqui) estamos próximos do fim do ciclo de cortes, mais precisamente falando, podemos colocar na conta mais um corte de 50 pbs em 17 de junho, queda para 2,5% ao ano que está mais do que precificada pelo mercado.

Portanto, pelo lado da taxa de juros não há um grande potencial de valorização para ser capturado pelo dólar frente ao real.

Um fator global que deixou o dólar forte contra todas as moedas do mundo foi a pandemia do COVID-19 e o efeito devastador na economia global. Essa variável já se provou muito imprevisível para precificar e pelo seu alto nível de risco que a tendência de alta principal do dólar não deve mudar tão cedo pelo menos contra as moedas emergentes.

Porém, no caso brasileiro, essa valorização do dólar está acima dos seus pares no mundo e esse prêmio de risco pode ser explicado pela instabilidade do ambiente político, que sofreu bastante com a mudança de ministros, mas que pelas últimas notícias tudo indica que deveremos ter um pouco de tranquilidade após Bolsonaro, governadores e os presidente de Câmara e Senado selarem um acordo para vetar o reajuste dos servidores e sinalizarem uma trégua política entre os poderes.

Com a acentuada depreciação da moeda brasileira, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que o BC pode ampliar intervenção no câmbio se necessário e que o aumento das atuações nos últimos dias se deveu a um descolamento que a autoridade percebeu em relação aos pares.

Esse descolamento pode ser visto melhor por meio desta comparação anual entre as principais moedas emergentes: https://analises.clear.com.br/wp-content/uploads/2020/05/moedas.jpg

Como pode ver a nossa moeda está bastante depreciada frente seus pares e com o presidente do BC deixando bem claro que tem bala na agulha, no caso aqui, venda de reservas, para corrigir essa disparidade não podemos descartar um ajuste para o dólar nos próximos dias.

No caso dos setores dolarizado, aguardar por um sinal mais concreto de reversão para fazer uma entrada uma vez que boa parte das empresas estão em tendência de alta e vamos passar por uma rotatividade neste momento, enquanto para quem negocia dólar (no meu caso day trade) entender que vender entre 5.650/700 é uma realidade no momento.

Sobre “até onde esse ajuste pode ir?” temos como importante suporte a faixa de 5.300/200, que foi o topo rompido em abril que abriu caminho para a máxima do ano, queda do patamar atual que casa com o descolamento com nossos pares emergentes.

Não estou dizendo que vamos para lá de uma hora para outra, uma vez que a variável política é uma incerteza que impede um prognóstico tão agressivo, mas essa análise de cenário deixa (pelo menos fico) uma maior tranquilidade em trabalhar na venda em regiões que eram vistas como ponto de compra um mês atrás.

Agenda econômica da próxima semana

A última semana de abril começa com o feriado nos EUA na segunda e fica a expectativa pela divulgação do CAGED no Brasil pela parte da tarde.

Na terça teremos o IPCA-15 de maio (9h00), enquanto na quinta às 9h30 teremos uma bateria de indicadores nos EUA: pedidos de bens duráveis (abril), PIB do primeiro trimestre (segunda versão), pedidos de auxílio desemprego (última semana).

Na sexta (9h00) será a vez do PIB brasileiro do primeiro trimestre e às 9h30 o núcleo de inflação do PCE de abril nos EUA que é o índice de preços utilizado pelo Fed em suas projeções econômicas.

Por fim, no final de semana serão divulgados dados de atividade industrial na China referentes ao mês de maio.