Copom: o que esperar na próxima semana? [Resumo Semanal 23/10]

Copom: o que esperar na próxima semana? [Resumo Semanal 23/10]

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Por: Time Master Clear

23/10/2020 • Atualizado: 11/12/2021

4 minutos

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (19/10 a 23/10) e quais são as perspectivas futuras

Na última quarta-feira do mês será realizada a penúltima reunião de política monetária do Copom (Comitê de Política Monetária). É consenso que a Selic ficará estável e fechará 2020 em 2% ao ano, ao passo que o tema central desta (e das próximas potencialmente) será até quando o Comitê defenderá essa bandeira vide todo cenário doméstico.

Quando digo tema central quero dizer que o mercado estará atento as sinalizações do Copom com relação ao futuro do inflação, no “espaço remanescente para utilização da política monetária” que tanto aparece nos últimos comunicados e sobre as perspectivas sobre a política fiscal.

As sinalizações estão em ordem crescente de preocupação, ou seja, se houver uma deterioração forte quanto a percepção do regime fiscal não tenho dúvidas que o prêmio da curva será elevado novamente e isso representará na maior probabilidade de aumento da Selic no curto prazo — entenda como isso poderá impactar o mercado aqui.

Isso será realmente muito importante pois tanto no último comunicado (veja mais aqui), como no recente RTI (Relatório Trimestral de Inflação), o Bacen deixou claro que não prevê elevação do juro no curto prazo e quando olhamos a curva de juros está claro que o mercado está “trucando” o BC.

O alto grau de incerteza sobre o fiscal do ano que vem, o que engloba basicamente a falta de contrapartida de receita diante dos gastos com a crise do COVID + paralisação da agenda de reformas + sério risco do furo do teto de gastos, aliado ao salto forte dos índices de inflação não oficiais, que uma hora ou outra irá contaminar o IPCA e tem tudo para mover rapidamente as expectativas de inflação para 2021 até então bem ancoradas em 3%, coloca em xeque toda essa tranquilidade do Copom sobre o rumo da Selic.

Se, segundo o Copom, “questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros”, uma vez que a manutenção das expectativas de inflação estão diretamente relacionadas à condução do regime fiscal cada vez mais incerteza (componente de risco), ao mesmo tempo em que o ritmo atual da inflação segue em alta com o choque de oferta gerado pela crise, existem bons argumentos para afirmar que o Copom irá fechar a porta para novos cortes a partir deste encontro e corremos sério risco do Bacen ficar behind the curve, ou seja, acreditar demais na manutenção dos juros e ficar atrasado em relação ao mercado.

Digo isso pelo simples fato que o Copom que se realmente fechar a porta para novos cortes (ou não na pior hipótese) vai mudar sua postura de meses de política monetária expansionista e isso já é muito significativo, ao passo que esperar uma segunda mudança (essa bem brusca) sobre a manutenção da Selic em 2% por longo período é uma ilusão.

Se ele não fechar a porta para novos cortes vide tudo que foi dito por aqui na expectativa que a inflação ficará comportada por conta do nível de ociosidade da economia, que é uma probabilidade real, acredito que o mercado não pagará para ver e seguirá colocando mais peso nos riscos potenciais do que nas soluções prometidas pelo governo. Se o Copom mostrar real preocupação com o fiscal, assim como acender o sinal amarelo para inflação, acredito que o mercado ficará mais tranquilo em ver que o Comitê está ciente dos riscos e preparado para agir.

Vamos ver o que vai dar e espero você na próxima sexta para repercutir sobre a decisão.

Agenda econômica/resultados da semana

A semana não reserva uma agenda tão cheia do lado econômico, mas teremos eventos importantes, fato que não podemos dizer sobre a temporada de resultados.

Além do Copom na quarta às 18h10, a semana reserva na quinta a decisão de política monetária do BCE (9h00) e o resultado preliminar do PIB dos EUA (9h30) do terceiro trimestre.

Na sexta, às 7h00, teremos também a preliminar do PIB da Zona do Euro, enquanto às 9h00 a taxa de desemprego brasileira em outubro. Por fim, às 22h00, será divulgado na China o PMI industrial e de serviços de outubro.