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Uma questão de inflação [Resumo Semanal 24/01]

Uma questão de inflação [Resumo Semanal 24/01]

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (20/01 a 24/01) e quais são as perspectivas futuras


Nem mesmo a queda dos bancos ou a reviravolta do setor de commodities foi capaz de impedir o Ibovespa de renovar máxima histórica na semana, que foi beijar os 120 mil pontos.


O vetor do movimento foi justamente uma das maiores preocupações dos investidores ao longo do ano: o aumento da inflação.
 

Na primeira publicação do ano sobre as perspectivas e riscos de 2020, um dos riscos citados no case de compra da bolsa foi o avanço da inflação.


Isso porque, com os preços subindo, o ambiente para novos cortes da Selic fica menos atrativo e dependendo do avanço da inflação podendo colocar em xeque a manutenção do juro na mínima histórica por mais tempo.

Isso reflete diretamente na curva de juros (inclinação para cima) > que reflete no upside das ações (negativamente) > que em geral deixa a bolsa cara > que abre caminho para uma realização > que oferecerá um ponto de entrada mais atrativo (ajuste de preço-alvo). 

Entendido bem resumidamente o efeito direto da inflação, vamos falar do número que causou apreensão.

Falando nisso

Na quinta (23) foi divulgado o primeiro IPCA-15 de 2020, dado especialmente importante pois serve de proxy do IPCA (que sai 7 de fevereiro).


A inflação medida subiu 0,71% em janeiro e ficou em linha com o esperado, mas cinco núcleos aceleraram inesperadamente e acenderam um sinal de alerta de que a inflação pode ser não tão comportada como vimos no ano passado.

Levando em conta esse cenário, que até mesmo pode se agravar com o aquecimento da economia, os operadores de renda fixa começaram mudar a cabeça e aquela expectativa de Selic abaixo de 4,5% ao ano foi perdendo força ao longo da manhã de quinta e pressionando o Ibovespa por todo aquele esquema explicado acima. 


Porém, no começo da tarde, o presidente do Bacen, Roberto Campos Neto, veio colocar panos quentes nessa tese.

Em entrevista, Campos Neto disse que está tranquilo com o comportamento da inflação e que esse avanço é algo pontual, patrocinado pela forte alta das carnes, ao passo que o Bacen está “confortável” com a inflação.

A fala mitigou o movimento de alta e reforçou as apostas de corte de 0,25 pp na Selic em 5 de fevereiro, aliviando a pressão exercida pelo setor financeiro e de commodities.

A queda dos bancos (peso grande no índice) e a correção das commodities impediram um avanço maior do mercado, sendo que este último fator é o que mais preocupa o mercado doméstico/internacional.

A correção global do setor de commodities, em especial do lado de mineração, foi registrada em meio à preocupação de que o novo coronavírus (infecções respiratórias) originário na China possa prejudicar o crescimento global, em especial do gigante asiático.

Com as comemorações do Ano Novo chinês iniciadas nesta sexta (24), o risco de contágio no país aumenta, já que os chineses costumam aproveitar os 7 dias de folga para viajar.


Tendo como cenário que muitos cancelarão suas viagens (não saíram dados oficiais) vide o risco de contágio, o setor de varejo e em especial hoteleiro serão afetados sem menor dúvida, sem falar que isso também passa na cabeça do turista que pretende ir para a China.


Do lado da produção industrial, que afeta diretamente as commodities metálicas e celulose, uma crise de saúde com potenciais impactos ao surto do SARS (Síndrome Respiratória Aguda Severa) de 2003 nunca é uma boa notícia, mas não deve ter um impacto tão relevante como no varejo.


Porém, uma pequena redução da produção + cotações nas máximas, em especial do minério de ferro, já bastam para chacoalhar o mercado.

Agenda econômica 

A última semana de janeiro será bastante importante nos EUA, uma vez que teremos a primeira decisão de política monetária do Fed na quarta (16h00) e a preliminar do PIB do quarto trimestre na quinta (10h30).


Na sexta (10h30), será revelado o PCE acumulado em 2019, que é a medida de inflação mais acompanhada pelo BC norte-americano.
 

 

Ainda falando sobre exterior, a bolsa chinesa voltará funcionar na sexta após as comemorações do Ano Novo.

Por aqui não estão previstos dados relevantes nesta semana, mas na segunda começa a temporada de resultados do quarto trimestre (calendário de divulgação).

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