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Selic em 3% a.a e dólar aos R$ 6? [Resumo semanal 24/04]

Selic em 3% a.a e dólar aos R$ 6? [Resumo semanal 24/04]

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (20/04 a 24/04) e quais são as perspectivas futuras

Com alta anual beirando 40% e flertando com R$ 5,50, o dólar não para de subir e desta vez um fator doméstico que colocou mais lenha na fogueira da divisa norte-americana: expectativa de queda da Selic.

Quando o mercado não esperava por mais cortes agressivos da taxa básica de juro pelo Copom, algo que o próprio Comitê de Política Monetária havia sinalizado no último comunicado, o presidente do Bacen realmente surpreendeu nesta semana.

Roberto Campos Neto reforço mais de uma vez o compromisso do BC na recuperação da economia e no fluxo de crédito, como agora consegue enxergar com mais clareza o cenário que requisita de política monetária expansionista.

Esse tom mais favorável aos estímulos foi chave para a percepção do mercado uma vez que na última ata do Copom da reunião de março o comitê avaliou que tanto uma redução maior no juro quanto afrouxamentos monetários adicionais poderiam se tornar “contraproducentes”. Esse foi o estopim para uma reprecificação da curva de juros para níveis até então nunca sonhados pelo mercado.

Com a inflação mais do que ancorada para este ano e começo de 2021, contração da economia dada e recuperação lenta para o próximo ano diante da crise econômica gerada pelo COVID-19, fatores que propiciam esse cenário estimulativo, a curva de juros já precifica uma redução de 0,75 ponto percentual na Selic na reunião de 6 de maio. Ou seja: Selic em 3% ao ano.

Levando em conta que a taxa de juros é o principal veículo de remuneração dos instrumentos de renda fixa, essa redução da Selic tornará a renda fixa ainda menos atrativa, sendo que os investidores precisarão ir para o risco para conseguir algum rendimento, como traz um grande alívio ao nível de endividamento das empresas e na redução no principal parâmetro de risco dos modelos, o que acaba gerando maior potencial de valorização.

Do outro lado temos os efeitos no dólar — em especial no nível de atratividade do carry trade. Tecnicamente falando essa operação consiste na arbitragem (combinação) entre uma posição vendida em moeda com taxa de juro baixa e comprada em moeda com juro elevado.

Ou seja, o investidor pega dinheiro (posição vendida) em um mercado desenvolvido como os EUA/Japão/UE cuja taxa de juro é extremamente baixa ou até negativa para ganhar (posição comprada) no diferencial de juros.

Por exemplo: vamos supor que o investidor estrangeiro tomou emprestado euro, converteu os recursos em reais e comprou títulos públicos nos áureos tempos que a Selic rendia 1% ao mês.

Levando em conta que o juro na UE por muitas vezes operava com rendimento zero, ele lucrava sem muito esforço 1% ao mês levando em conta que a taxa de câmbio permanecesse dentro da sua faixa de hedge.

Obviamente a taxa de câmbio não ficava fixa, mas o grande fluxo de dólares na nossa economia por meio deste capital especulativo pressionava o real para baixo e deixava esse custo de hedge bem convidativo, ainda mais com esse diferencial de juro alta.

E assim foram longos anos até a reviravolta da política monetária e o processo de queda da Selic iniciado em outubro de 2016, sendo que neste ano acelerou ainda mais (e muito mais do que esperado) em vista de toda crise gerada pelo COVID-19. Assim, esse diferencial de juros está muito achatado e todo aquele fluxo de capital pesado sumiu e a “pedra” que até então travava o dólar foi “removida”.

O retorno do dólar irá depender do fluxo estrangeiro e os gringos somente colocarão grana de forma relevante quando tivermos provas consistentes de crescimento econômico (no ambiente atual melhor investir nos EUA ou no Brasil?) e a agenda de reformas de fato deslanchar, o que diretamente dependerá de uma boa articulação política.

Agenda econômica da próxima semana

A última semana de abril será bastante intensa nos EUA, uma vez que na quarta teremos a versão preliminar do PIB do primeiro trimestre (9h30) e durante a tarde a reunião do Fed (15h00). Ainda neste dia, às 22h00, teremos produção industrial chinesa de abril.

Na quinta o destaque fica por conta da Zona do Euro, com o resultado da versão preliminar do PIB do primeiro trimestre (6h00) e a reunião do BCE (8h45).

No feriado do Dia do Trabalho, quando a bolsa brasileira estará fechada, vale ficar de olho no desempenho dos ADRs e também ao resultado do PMI Industrial norte-americano de abril às 10h45.

Por aqui, além do Relatório Focus (8h25) na segunda, na terça (9h00) será o IPCA-15 de abril.