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Entre a cruz e a espada [Resumo Semanal 26/06]

Entre a cruz e a espada [Resumo Semanal 26/06]

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (22/06 a 26/06) e quais são as perspectivas futuras

Na primeira semana de abril, através do texto “Recessão ou depressão?”, abrimos a discussão sobre como seria importante monitorar as projeções econômicas diante dos potenciais efeitos da pandemia e deixei um recado:

“Como visto não está nada fácil prever o rumo da economia e neste momento complicado não busque por um número, mas procure entender a tendência para tomar uma decisão”

Isso foi fundamental em toda análise de cenário que fizemos no InfoTrade e nos Fechamentos de Mercado para não entrar em onda de pânico, já que virou tendência prever um caos absoluto sem nenhuma base base estatística ou dados antecedentes (leia-se proxy para PIB), ao mesmo tempo que agora virou tendência prever uma recuperação rápida só por conta dos dados antecedentes que saíram (especialmente PMIs).

Por isso, ao invés de ficarmos tentando acertar algo extremamente volátil de prever (fundo do poço da economia diante da pandemia), vamos mais uma vez trabalhar com cenários prováveis e ir tomando as decisões conforme os mesmos vão ganhando corpo.

Para esse exercício será utilizado o último Relatório do FMI (Fundo Monetário Internacional) que foi publicado nesta semana intitulado “A Crisis Like No Other, An Uncertain Recovery”, que fundamenta muito bem os impactos da pandemia nos mercados desenvolvidos e emergentes (fatos) e lá no final traz 2 cenários alternativos (projeções) bem interessantes.

Como o mercado financeiro trabalha com expectativas (entenda mais sobre clicando aqui), então vamos ao que interessa de fato: aos cenários projetados.

Segunda onda de COVID-19

Depois de um longo período de quarentena, boa parte do globo começou flexibilizar suas regras de isolamento social. Porém, em alguns países onde o surto parecia estar minimamente controlado houve um aumento de casos/mortes e isso gerou um alerta sobre uma segunda onda do vírus.

Neste cenário, um novo surto imediatamente significa: i) retomada das regras rígidas de quarentena; ii) redução das projeções econômicas pela paralisação das atividades. Isso pensando rápido e somente no trivial do lado econômico (uma vez que a base do relatório econômico do FMI, não do relatório de saúde da OMS).

Porém, segundo as projeções do FMI, uma segunda onda teria metade do impacto da primeira onda, tanto pelo lado estatístico (base de comparação fraca), mas principalmente ao assumir que não estamos mais totalmente no escuro sobre origem/propagação/efeitos do COVID-19 e as medidas de isolamento social seriam focadas nos chamados grupos de risco.

Obviamente, como alerta o FMI, uma redução adicional das projeções econômicas em um cenário já bastante deteriorado sem dúvida é negativo e será sentido na pele em todos os setores da economia, em especial varejo, sem falar no Consumo das Famílias e na Taxa de Poupança. Segundo a instituição, o cenário base de recuperação seria a partir da segunda metade de 2021 ou somente 2022.

A resposta dos bancos centrais seria imediata ao injetar maior liquidez no mercado e financiar a economia, deteriorando ainda mais o fiscal. Apesar da resposta das políticas públicas, uma nova onda causaria cicatrizes mais profundas pelo lado da oferta, assim descreve o FMI, com o aumento das falências causando maior destruição de capital, maior nível de ociosidade da indústria e comércio, o que acarreta em menor produtividade, sem falar no aumento do desemprego. E pela lógica é fácil imaginar que os emergentes vão sofrer mais do que os desenvolvidos neste processo.

Para resumir, obviamente uma nova onda não é um quadro positivo, muito longe disso, mas pelo cenário exposto pelo FMI não será aberto o alçapão do fundo do poço. O que vale adicionar neste cenário e que na minha opinião vai abrir o tal do alçapão é caso ocorra uma mutação significativa do vírus e tudo que foi estudado/desenvolvido sobre o COVID-19 seja jogado fora.

Recuperação rápida

No segundo cenário, o FMI projeta uma recuperação mais rápida do que o esperado, com os agentes econômicos mais confiantes após as severas regras de isolamento social, ou seja, avanços consistentes com medicamentos/vacinas e sucesso das medidas preventivas para proliferação do vírus em razão do menor distanciamento social.

Isso implicaria em uma recuperação mais rápida da capacidade produtiva, que engatilha no aquecimento da economia e acabaria freando a atual deterioração das projeções econômicas. Segundo a instituição, neste cenário já haveria uma melhora ao longo do final do ano e 2021 seria um ano de efetivo crescimento (não só por base de comparação fraca).

Assim como no primeiro cenário, essa segunda hipótese merece uma série de ressalvas e que na minha opinião são ainda mais severas que a primeira. Por isso, esse cenário de recuperação em “V” me parece pouco provável.

No meio do caminho

O que parece plausível e que os últimos dados econômicos estão mostrando é que existe uma grande probabilidade de uma recuperação em “U”, ou seja, vamos passar por um período de recessão, mas sem entrar em uma depressão profunda, assim como acredito no sucesso das medidas preventivas para proliferação do vírus. Por isso estou no time que chamo de meio do caminho, o famoso “cautelosamente otimista”.

Traduzindo isso para a bolsa de valores, ainda não estou convencido que tomar risco em 98-100 mil pontos seja uma boa estratégia, vide que parece precificar uma melhora muito rápida, mas sem dúvida levando em conta o cenário econômico atual um retorno para 70-80 mil pontos será uma bela oportunidade de compra vide que neste nível estará precificado o pior cenário.

Como visto estamos literalmente entre a cruz e a espada em termos de projeção de cenário, sendo que essa discussão da economia global estar mais próxima de uma depressão ou de uma recuperação irá reverberar por todo segundo semestre.