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Selic em 6% ainda esse ano? [Resumo Semanal 19/03]

Selic em 6% ainda esse ano? [Resumo Semanal 19/03]

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Confira o que aconteceu no mercado na última semana (15/03 a 19/03) e quais são as perspectivas futuras

Surpreendendo o mercado, o Copom subiu a Selic de 2% para 2,75% ao ano e deixou bem claro duas coisas:

  • Na próxima pelo menos +0,75 p.p;
  • Tudo será feito no âmbito da política monetária para combater o aumento da expectativa de inflação.

“O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2021 e, principalmente, o de 2022”

Esses dois aumentos, vide que já foi sinalizado que na reunião de 5 de maio pelo menos vamos para 3,5% ao ano, tem exclusivo objetivo de reduzir a probabilidade de não cumprimento da meta para a inflação deste ano em 5,25%, como manter a ancoragem das expectativas para horizontes mais longos e, assim, ajustar a inclinação da parte longa da curva.

Se o problema é inflação, o que faz todo sentido uma vez que estamos no regime de Metas de Inflação, então o Copom tem realmente um grande problema. Ao observar o comportamento de alta das commodities, que estão longe de dar um alívio no curtíssimo prazo, os próximos dados de inflação ainda devem se mostrar bastante pressionados pelo atacado, o que vai forçar o Bacen aumentar o ritmo de alta da Selic no curtíssimo prazo (esse ano).

Portanto, um aumento de 1,00 p.p na próxima reunião não deve ser descartado, ainda mais com dados de inflação acima do esperado ao longo de março/abril. No ritmo que está caminhando a inflação e como a parte curta da curva não para de subir, pensar em Selic em 5,50% ao fim deste ano para “zerar o juro real” é um cenário-base conservador vide tudo que foi dito pelo Copom e pensar em 6% não está fora da realidade.

A sinalização que precisa agir rápido e com intensidade para não prejudicar as perspectivas para os próximos anos ajuda a conter especulações, mas, sem dúvida, mostra um descompasso com toda a comunicação passada. O bom de tudo isso é que o mercado queria uma resposta rápida do Copom e aceitousem problemas. Do contrário….

O Copom classificou essa mudança de postura como um “processo de normalização parcial” e observou que as perspectivas atuais não pedem mais estímulos monetários “extraordinários”. Aqui é preciso um comentário importante sobre 2022 (até o fim da eleição): será dada uma porrada agora, mas isso não significa que o Copom não está de olho na economia. Digo isso, pois os “estímulos monetários” ainda estão no comunicado.

Por isso, o desenrolar da pandemia será muito importante para o rumo do curtíssimo prazo (1-2 anos), pois, se a economia não andar a inflação por força da demanda irá perder um pouco de força e o Copom não vai apertar tanto o passo em 2022 para não travar ainda mais a economia.

Isso será bom? Muito longe disso, pois 2021/2022 será marcado por anos de estagnação econômica e inflação, a situação desastrosa do Dilma II.

O Copom segue muito preocupado com o rumo do fiscal e deixou novamente bem claro que sem reforma = mais um motivo para subir a Selic além do combate à inflação: “o risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária”.