[xp_hellobar][/xp_hellobar]

Selic em alta e dólar em baixa [Resumo Semanal 29/01]

Selic em alta e dólar em baixa [Resumo Semanal 29/01]

Navegue por assunto


Confira o que aconteceu no mercado na última semana (25/01 a 29/01) e quais são as perspectivas futuras

Na última reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária deixou clara a expectativa de alta para Selic neste ano e isso o mercado já esperava. A grande dúvida era quando isso iria ocorrer, se mais para o final do ano ou meados do ano, e para a surpresa de muitos uma terceira opção foi sinalizada na última ata do Copom: o mais breve possível.

Em um tom bem diferente e até  carregado de urgência, a ata elevou bastante a probabilidade de que a Selic saia de 2% para 2,25/50% na próxima reunião de 16/17 de março e essa decisão deve-se basicamente pelo aumento dos riscos monitorados pelo Bacen, que, no final das contas, justificam uma elevação das projeções de inflação.

“Observou-se a inversão do choque desinflacionário ocorrido nos primeiros meses do ano, a reversão da trajetória de queda das expectativas de inflação e a redução da ociosidade econômica, aproximando a projeção do cenário básico da meta de inflação no horizonte relevante. Por conseguinte, esses membros julgam que o Copom deveria considerar o início de um processo de normalização parcial, reduzindo o grau “extraordinário” dos estímulos monetários (…)” 

“Ao final, o Comitê concluiu que, apesar de alguma normalização no funcionamento da economia, o ambiente de incerteza quanto à dinâmica prospectiva das principais variáveis econômicas permanece acima do usual” 

Na fotografia atual, a curva de juros está literalmente dividida quanto a um aumento em março, sendo algo próximo de 50% entre alta de 0,25% ou 0,50% da Selic em março. O ponto pacífico é que pela leitura do mercado haverá aumento já na próxima reunião e isso não estava na conta.

Neste sentido, alguns bancos de investimentos já trabalham com Selic em 4% ao ano no final de 2021, ou seja, algo como 4 altas consecutivas de 50 pontos-base. Novamente, as últimas sinalizações do Copom não vislumbravam algo tão agressivo e me parece bastante puxado pensar nesse patamar no final do ano, ao passo que estou mais propenso aos 3,5% e por isso do call do último blog que o risco x retorno está interessante no momento — veja mais aqui.

Como consequência desta reprecificação da curva, que projeta alta de juro, o Brasil voltou a ficar atrativo para o capital especulativo do carry trade.

Tecnicamente falando essa operação consiste na arbitragem (combinação) entre uma posição vendida em moeda com taxa de juro baixa e comprada em moeda com juro elevado.

Ou seja, o investidor pega dinheiro (posição vendida) em um mercado desenvolvido, como os EUA/Japão/UE cuja taxa de juro é extremamente baixa ou até negativa, para ganhar (posição comprada) no diferencial de juros.

Com a expectativa de uma normalização mais rápida do que a esperada do juro brasileiro, esse diferencial de juros com exterior começa ficar atrativo, vide que nos EUA e na Europa o juro vai ficar em zero por muito tempo. Assim, o mercado brasileiro volta para o radar desta estratégia de investimento.

Como consequência direta, haverá uma maior entrada de dólares na economia, o que acaba pressionando o câmbio e quem sabe arrefecendo a inflação. Para o câmbio, uma boa notícia, mas não digo o mesmo para a economia como um todo, pois aumento da Selic = aumento de custo da dívida + nesse tempo de crise = redução de perspectiva de crescimento.

Eu, sinceramente, não fico nada feliz em ver o fim do ciclo de queda da Selic em troca de arrefecimento do dólar, ainda mais sabendo a fonte desse processo (capital especulativo), mas esse é o cenário e é preciso trabalhar com ele agora em diante.