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Mulheres na bolsa, e escolhendo de qual lado queremos estar

Mulheres na bolsa, e escolhendo de qual lado queremos estar

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Por: Pietra Guerra

No dia 04 de maio desse ano atingimos um importante marco que retrata o amadurecimento dos investimentos no Brasil: pela primeira vez o número de CPF de mulheres registrados na B3, a bolsa de valores do Brasil, atingiu 1.000.000. O avanço é grande, mas o caminho é longo. Por isso, o nosso movimento de Mulheres na Bolsa continua até os 2.000.000 de CPFs femininos, depois até sermos 50% dos investidores do Brasil e até chegarmos à equidade.

O que eu posso dizer, como mulher que vem construindo a carreira no mercado financeiro desde 2014, é a importância de termos outras mulheres para dialogar. Isso inspira e aproxima o tema de outras pessoas, além de trazer um olhar diferente para um mundo que ainda é muito homogêneo. Essa diversidade é fundamental em todos os participantes do mercado, seja entre investidores e investidoras, profissionais do mercado ou nas empresas que captam recursos na bolsa.

Estamos fazendo barulho sobre o crescimento da representatividade das mulheres como investidoras, como profissionais e porta vozes do universo de ações e devemos ter os mesmos olhos e ouvidos atentos se as empresas que investimos estão nesse mesmo movimento. O diálogo com as investidoras e a inclusão de um olhar plural não fica a cargo só dos agentes de mercado, mas também das empresas. Afinal, são elas que estão inseridas na economia real e tomam dinheiro através de ações ou outros instrumentos do mercado de capitais para financiar seus projetos.

Quando olhamos para os cargos de liderança e de tomada de decisão das empresas, as mulheres ainda não minoria no Brasil. Um estudo recente aponta que temos apenas cinco empresas brasileiras listadas com que o cargo de CEO (Chief Executive Officer, em português Diretor Executivo – a cadeira mais alta da hierarquia das empresas) é ocupado por uma mulher.

*Fonte: Teva Índices, XP Investimentos.

A Teva Índices considera no estudo um universo de 177 empresas brasileiras listadas, com três critérios de elegibilidade: (i) free float: não são consideradas as empresas que possuem menos de 4,0% de suas ações em circulação; (ii) valor de mercado: Não são consideradas empresas abaixo de R$ 300 milhões e (iii) volume negociado: não são consideradas empresas abaixo de R$ 100 milhões.

Expandindo esse olhar para o Conselho de Administração das empresas, a representatividade das mulheres também tem muito o que crescer nos grupos de decisores. Foram levantadas apenas sete empresas em que o número de conselheiras represente 40% ou mais do Conselho.

Empresas brasileiras listadas com mulheres representando 40% ou mais do Conselho*

*Fonte: Teva Índices.

A Teva Índices considera no estudo empresas com pelo menos 1% de ações em circulação (ou free float), capitalização de mercado mínima de R$ 300 milhões, volume de negociação no mês de referência (03/2021) superior a R$ 20 milhões e no mínimo duas mulheres no conselho de administração. O estudo também considera apenas cargos efetivos, exclui empresas em recuperação judicial ou extra judicial e aquelas que não estejam em dia com informes regulatórios.

Nesse contexto, o caminho também é longo por parte das companhias para trazerem a pauta da representatividade das mulheres nas cadeiras de decisão. Esse é inclusive um ponto de avaliação por parte de diversos investidores institucionais e internacionais, que cobram cada vez mais das empresas responsabilidade em questão ambientais (E), sociais (S) e de governança (G).

A análise ESG, um conceito global que avalia as empresas e os diferentes investimentos do ponto de vista de sustentabilidade tem ganhado força nos mercados internacionais, o que reflete na bolsa brasileira dado que quase 50% dos investidores da B3 são estrangeiros. Nessa análise, a representatividade das mulheres no quadro de funcionários e nos cargos de liderança das instituições é uma das métricas de diversidade, que está incluída no quesito de responsabilidade social (S) da empresa.

Por fim, para darmos continuidade ao movimento de mulheres na bolsa, é justo que estejamos nas diferentes cadeiras, nas diferentes posições de liderança e podendo escolher de que lado queremos estar: investidoras, profissionais do mercado financeiro ou empresárias de sucesso. O importante é lembrar que estamos conquistando nosso espaço, e tem muito lugar para ser alcançado ainda.