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Selic a 3% a.a. e dólar em alta: Conheça os setores que se beneficiam com essa valorização

Selic a 3% a.a. e dólar em alta: Conheça os setores que se beneficiam com essa valorização

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Roberto Indech, estrategista-chefe da Clear Corretora, explica o recente corte na taxa básica de juros e a valorização do dólar frente ao real

Em meio à pandemia causada pelo novo coronavírus e incertezas econômicas e políticas no governo de Jair Bolsonaro, a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, sofreu um corte de 0,75 ponto percentual, atingindo a marca de 3% ao ano, o menor patamar da história.

“Segundo o Boletim Focus, um compilado de várias instituições financeiras e economistas dando as suas perspectivas para os indicadores no final do ano, divulgado na última segunda-feira (04/05), a perspectiva da Selic é de recuar até 2,5% ao ano. Ou seja, ainda podemos estar distante do limite de queda esperado”, diz Roberto Indech.

Reflexos da queda da Selic na alta do dólar

Com os cortes na taxa de juros, os investidores estrangeiros tendem a vender seus investimentos aqui e aplicam fora do país, o que motiva a alta do dólar.

“Com os juros na casa de 6% ao ano ou acima disso, valia a pena para o investidor estrangeiro ter aplicações no Brasil, no entanto, quanto menor os juros, menos atrativo esses investimentos ficam para eles, já que o nosso risco, por tudo que estamos passando na política e na economia, é muito maior do que investir lá fora. Vendo que a relação risco vs. retorno não está mais valendo a pena, eles tiram o dinheiro daqui e, com isso, o dólar sobe”, explica o estrategista-chefe da Clear.

Mas, segundo Indech, isso não deve ser levado como regra. Não é porque o COPOM cortou a Selic hoje que os investidores estrangeiros vão sair ainda mais do país, uma vez que esse processo já vem acontecendo ao longo dos últimos meses, desde que os juros começaram a ceder.

“Essa é uma das razões pela qual a nossa moeda é tão desvalorizada. A relação risco vs. retorno para o investidor estrangeiro investir nos ativos aqui, na visão deles, fica cada vez menos atrativa”, explica.

“Na comparação do dólar vs. outras moedas de países emergentes, no Brasil, foi onde mais caiu. Claro que não temos só a questão da economia, mas a questão política que acaba também agregando nesse risco maior do real. O dólar em 2020 subiu 42%, em maio já avançou 4%, e se avaliarmos o fluxo de janeiro, fevereiro, março e abril, vamos ver que foram quatro meses consecutivos de alta da moeda americana frente ao real”, conclui.

Empresas que podem se beneficiar com a valorização do dólar

Mesmo com a valorização do dólar frente ao real, alguns papéis de empresas essencialmente exportadoras acabam se destacando na Bolsa de Valores, como por exemplo a Vale.

“Claro que a Vale também é muito dependente do preço do minério de ferro no mercado internacional e sobretudo da economia da China, mas é uma empresa exportadora que tende a se beneficiar com esse câmbio mais apreciado”, diz Indech.

A Suzano, do setor de papel e celulose, é outra empresa que também tende a se favorecer. “Em maio, a ação da empresa subiu 5% e no acumulado do ano, 4,5%. Ou seja, está relativamente estável, mesmo com a bolsa caindo 30% em 2020”, explica.

Outra empresa citada por Indech é a JBS, de proteína animal. “A JBS tem um nível de exportação bastante elevado. Nos últimos 30 dias a rentabilidade das ações vêm subindo 12%, mas em 2020 caiu 8%. Mas, de novo, essa é outra empresa que também pode se beneficiar, por ser uma empresa com grande participação no comércio internacional”, explica.

Além disso, vale citar as empresas de varejo online, que devem apresentar aumento expressivo de suas vendas e estão no azul, como Magazine Luiza, Lojas Americanas e Via Varejo.

“Estou falando isso para mostrar que, mesmo em momento de crise, nem de tudo na bolsa é ruim. Temos algumas ações boas, mesmo com um cenário menos atrativo na economia e com tantas incertezas que temos pela frente”, conclui.

Por fim, o que podemos esperar?

Dependendo do cenário político, com uma Selic caminhando para 2,5% no final do ano, como prevê o Boletim Focus do Banco Central, a relação risco vs. retorno fica cada vez mais atrativa para a bolsa. “Claro que temos muitas incertezas ainda na economia do Brasil, mas têm alguns setores que acabam se beneficiando, como por exemplo as empresas essencialmente exportadoras que citei acima e empresas de varejo online”, diz

Segundo Roberto, é importante que o investidor pense também em diversificação de carteira, especialmente olhando para o mercado de ações.

“A tendência é que as pessoas corram um pouco mais de risco. Não à toa, a bolsa tem visto crescer bastante o número de pessoas físicas, investidores. No Master Trader online, evento da Clear ontem (05/05), o Gilson Finkelsztain, presidente da B3, falou que tivemos em torno de 300 mil novos CPFs cadastrados ativamente na bolsa no mês de março e mais 100 em abril. Ou seja, 400 mil nos últimos dois meses. É um aumento expressivo, inclusive por ser um momento de grande crise”, diz.

Para finalizar, Roberto explica que é essencial olhar para a simetria de risco vs. retorno. “Com os juros em 2,5% ao ano, será que a vale a pena deixar o dinheiro guardado embaixo do colchão e investir na poupança que rende 70% da Selic, ou vale correr um pouco mais de risco no mercado de ações? ”, conclui.

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