Coronavírus e Petróleo: qual o impacto das recentes notícias em seus investimentos?

Coronavírus e Petróleo: qual o impacto das recentes notícias em seus investimentos?

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Por: Time Master Clear

11/03/2020 • Atualizado: 07/04/2022

5 minutos

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Confira na íntegra a entrevista com o analista Rafael Ribeiro sobre a influência das últimas notícias na economia global e nos seus investimentos

Não à toa, investidores de todo o mundo estão preocupados com a recente queda da Bolsa de Valores motivada por dois principais fatores: a disputada comercial entre os gigantes do Petróleo, Arábia Saudita e Rússia, e o surto global do novo coronavírus.

O impacto do noticiário causou nesta semana, por quatro vezes, o fenômeno do circuit breaker – mecanismo utilizado pela B3 como forma de proteger o mercado da volatilidade em momentos de oscilações inesperadas e repentinas.

Por isso, conversamos com o analista da Clear Rafael Ribeiro, sobre a influência das recentes notícias na Bolsa de Valores e o que o investidor deve esperar para os próximos meses. Confira!

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Clear: Como a disputa comercial entre a Arábia Saudita e a Rússia impactam o mercado?

Rafael Ribeiro: Essa guerra comercial que fez o petróleo desabar impacta o mercado basicamente por duas frentes.

A primeira pela oscilação pura da commodity, uma vez que o setor de Óleo & Gás possui bastante peso nos índices de ações pelo mundo. No Ibovespa, por exemplo, as ações da Petrobras (ON e PN) possuem peso de 8% no índice.

O outro impacto fica por conta do nível de aversão ao risco. Uma mudança abrupta da política de preços gera desconfiança entre os investidores que vão em busca de ativos com menor risco, o que é chamado no mercado como Flight to Quality. Neste processo desfazem de suas ações e isso acaba gerando uma onda de pânico nos mercados como visto nesta semana.

Clear: E o Coronavírus? Como um “vírus” pode afetar tanto o mercado? 

RR: O coronavírus gerou uma onda de aversão ao risco global, tanto do lado da saúde, como do lado da capacidade de crescimento.

Em um mundo que já vem reduzindo sua capacidade de crescimento a cada ano, a notícia de que a China (segunda maior economia do mundo) está paralisada, sem falar os impactos em outros países, leva o mercado a revisar para baixo a expectativa de crescimento, que acaba afetando a expectativa de receita das empresas e que por derivada acaba afetando o preço das empresas em bolsa.

Clear: Diante desse cenário, o que esperar para os próximos dias ou meses? Há chances de um novo Circuit Breaker?

RR: No caso do coronavírus, esse cenário de menor crescimento projetado para a China foi colocado na mesa no final de janeiro (quando os casos cresceram vertiginosamente) e teve seu impacto na semana do carnaval.

Os investidores sabem que o primeiro trimestre está comprometido e isso está na conta, agora será preciso monitorar os números de atividade industrial do segundo trimestre para saber se essa onda negativa irá perdurar ainda mais.

No caso do petróleo, realmente fica muito difícil trazer um prognóstico, pois estamos falando de uma guerra política e entre nações conhecidas por medidas pouco ortodoxas. A questão será entender como Rússia e Arábia Saudita vão lidar como uma queda tão forte do petróleo sendo (o petróleo) parte relevante do PIB.

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Clear: O que podemos esperar do dólar? A expectativa é que suba ainda mais esse ano?

RR: Com o nível de aversão ao risco alto, os investidores vão em busca de dólares para compor seu portfólio no movimento do Flight to Quality. Por conta disso tivemos uma forte alta da moeda em todo mundo durante esse período de pânico.

Do outro lado, temos o Bacen preocupado com o atual nível da moeda, que para coibir uma maior valorização da moeda norte-americana está atuando via leilões no mercado de dólar, como também os principais BCs do mundo, em especial o Fed (Banco Central americano), que avisou já estar pronto para lançar mais estímulos monetários para conter essa crise de aversão ao risco criada.

Isso significa maior liquidez no mercado financeiro e tem como impacto um maior fluxo de dólares na economia, o que deve pressionar a moeda como um todo.

Por isso, acredito que o dólar deverá interromper essa escalada frenética de alta, mas esperar que a moeda devolva toda a valorização do ano e voltar para a faixa de R$ 4,00 é extremamente improvável, uma vez que temos ainda o efeito do carry trade, operação consiste na arbitragem (combinação) entre uma posição vendida em moeda com taxa de juro baixa e comprada em moeda com juro elevado.

Ou seja, o investidor pega dinheiro (posição vendida) em um mercado desenvolvido, como os EUA/Japão/UE cuja taxa de juro é extremamente baixa ou até negativa, para ganhar (posição comprada) no diferencial de juros.

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