
Se você busca uma opção de Renda Fixa com previsibilidade e sem IR sobre os rendimentos, a LCI pode entrar no seu radar. A sigla significa Letra de Crédito Imobiliário e, na prática, você empresta dinheiro para uma instituição financeira que usa esses recursos em operações ligadas ao mercado imobiliário.
Em troca, você recebe o valor aplicado mais os juros definidos no título. Para pessoa física, os rendimentos da LCI são isentos de Imposto de Renda e o investimento pode contar com a proteção do FGC, dentro dos limites do fundo.
O principal ponto de atenção é o prazo. Diferente de aplicações para uso imediato, a LCI costuma exigir um período mínimo de permanência. Por isso, antes de investir, compare rentabilidade líquida, carência, vencimento, risco do emissor e limites do FGC. Também vale conferir se o produto combina com o seu perfil de investidor. Abaixo, mostramos como fazer essa análise. 👇
O que é LCI?
LCI é a sigla para Letra de Crédito Imobiliário, um título de Renda Fixa lastreado em créditos do setor imobiliário. Em termos simples, a instituição financeira capta o seu dinheiro e direciona esses recursos para operações como financiamentos imobiliários.
Isso não significa que, ao investir em LCI, você está comprando um imóvel ou cotas de um empreendimento. O investimento é feito no título emitido pela instituição financeira, que continua responsável pelo pagamento do valor aplicado e dos juros na forma contratada.
Além disso, as LCIs são regulamentadas pela legislação e supervisionadas pelo Banco Central. Hoje, além dos bancos e demais instituições já autorizadas, Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFIs) também podem emitir LCI. Na prática, isso aumenta o número de emissores e pode ampliar as opções de taxas e prazos para você comparar.
Como funciona a LCI?
Funciona assim: você aplica em uma LCI, a instituição usa essa captação em operações de crédito imobiliário elegíveis e, em troca, paga a remuneração combinada. Para ficar fácil de compreender, veja o caminho do seu dinheiro:
- 1. Você escolhe a LCI: compare taxa, prazo, carência, valor mínimo e instituição emissora antes de aplicar.
- 2. Você faz a aplicação: o dinheiro sai da sua conta de investimentos e fica aplicado no título conforme as condições da oferta.
- 3. Seu dinheiro rende: a remuneração segue a regra contratada. Pode ser uma taxa fixa, um percentual do CDI ou uma combinação de indexador + taxa fixa.
- 4. Você resgata no prazo combinado: o valor aplicado e os rendimentos são pagos no vencimento ou, se a LCI permitir, depois da carência. Por isso, confira sempre se existe resgate antes do prazo.
LCI tem garantia do FGC?
Sim. A LCI está entre os investimentos que contam com a proteção do FGC. Hoje, o limite é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado financeiro, considerando todos os produtos cobertos que você tenha naquele grupo. Também existe um teto de R$ 1 milhão em garantias pagas por CPF/CNPJ a cada período de quatro anos.
Um exemplo simples: se você tiver R$ 300 mil em produtos cobertos no mesmo conglomerado, o limite do FGC não sobe para R$ 300 mil. A proteção continua limitada a R$ 250 mil nas regras atuais. Por isso, além de olhar a taxa, vale acompanhar quanto você já tem aplicado em cada grupo financeiro.
Quais são os tipos de LCI?
Na hora de comparar LCIs, você vai encontrar três formas principais de remuneração: prefixada, pós-fixada e híbrida. O que muda é como os juros do seu investimento são calculados.
LCI prefixada
Na LCI prefixada, você já conhece a taxa no momento da aplicação. Se o título oferece, por exemplo, 12% ao ano, essa é a referência contratada para o período, desde que você respeite as condições do investimento.
Ela pode ser interessante quando você quer mais previsibilidade. O ponto de atenção é que, se as taxas de mercado subirem depois, podem aparecer novas aplicações pagando mais enquanto o seu dinheiro continua aplicado na LCI.
LCI pós-fixada
Na LCI pós-fixada, o rendimento acompanha um indexador. O mais comum é o CDI. Se uma oferta paga 95% do CDI, por exemplo, seu rendimento acompanha 95% dessa referência durante o período.
Como o CDI muda ao longo do tempo, você sabe a regra de cálculo, mas não o valor exato que receberá no final. Se quiser entender melhor essa referência, vale conhecer como o CDI funciona dentro da Renda Fixa.
LCI híbrida
Na LCI híbrida, você recebe uma parte ligada a um indexador e outra parte fixa. Um exemplo é IPCA + 6% ao ano. Nesse caso, a ideia é acompanhar a inflação e ainda acrescentar uma taxa prefixada. As condições variam de título para título.
Quanto rende a LCI?
Depende da oferta. Não existe uma taxa única de LCI: o rendimento muda conforme instituição emissora, prazo, carência, liquidez, valor mínimo e tipo de remuneração. Por isso, antes de escolher, compare a rentabilidade dos investimentos em condições parecidas.
Para pessoa física, a isenção de IR faz diferença nessa conta. Isso significa que uma LCI com percentual menor do CDI pode entregar um retorno líquido maior do que um CDB com taxa bruta mais alta.
Exemplo simples: imagine uma LCI que pague 90% do CDI. Em um CDB com prazo entre 181 e 360 dias, que tem alíquota de 20% de IR, seria preciso cerca de 112,5% do CDI para empatar com esses 90% líquidos, em uma conta simplificada. Ou seja: não compare só a taxa que aparece na tela; compare o que realmente fica no seu bolso.
Quanto rende R$ 100 mil em LCI por mês?
Não dá para responder com um número único sem saber a taxa da LCI. Se você aplicar R$ 100 mil em um título pós-fixado, por exemplo, o resultado vai depender do percentual do CDI contratado e de quanto o CDI acumulou no período.
Para fazer a conta, use a taxa do título e o período efetivo da aplicação. Como a LCI é isenta de IR para pessoa física, você não desconta Imposto de Renda dos rendimentos. Só evite transformar uma taxa anual em um “rendimento mensal fixo”, porque o resultado pode variar.
LCI paga Imposto de Renda em 2026?
Para pessoa física, não. Em 2026, os rendimentos da LCI continuam isentos de Imposto de Renda. A Receita Federal classifica LCI entre os títulos isentos de tributação para esse público.
Mas isento de IR não significa “não precisa declarar”. Se você estiver obrigado a entregar a declaração anual, deve informar o investimento e os rendimentos nas fichas corretas. Veja o passo a passo de como declarar investimentos no Imposto de Renda.
Qual é o prazo mínimo de uma LCI?
Hoje, a regra geral é simples: LCIs sem atualização mensal por índice de preços têm prazo mínimo de seis meses. O Conselho Monetário Nacional reduziu esse prazo de nove para seis meses em 2025.
Já a LCI atualizada mensalmente por índice de preços tem prazo mínimo de 36 meses. Esses são mínimos regulatórios: a instituição pode oferecer um vencimento maior. Por isso, antes de aplicar, confira a carência, o vencimento e a primeira data em que você poderá resgatar.
LCI tem liquidez diária?
Na maioria das ofertas, não. A LCI costuma ter carência ou resgate apenas no vencimento, embora existam produtos com condições diferentes. Por isso, não conte com o dinheiro antes da data prevista sem conferir as regras da oferta.
⚠️ Se existe chance de você precisar desse valor antes, olhe com atenção para a liquidez do investimento. Entender como funciona a liquidez nos investimentos ajuda a evitar colocar uma reserva de curto prazo em um título que só libera o dinheiro meses depois.
Principais vantagens da LCI
- Isenção de IR para pessoa física: você recebe os rendimentos da LCI sem desconto de Imposto de Renda nas regras vigentes.
- Proteção do FGC: LCIs elegíveis contam com cobertura dentro dos limites do fundo, o que adiciona uma camada de proteção em caso de problemas com a instituição emissora.
- Previsibilidade: antes de investir, você consegue ver taxa, prazo, carência e regra de remuneração.
- Diversificação na Renda Fixa: dá para distribuir seus investimentos entre emissores, indexadores e datas de vencimento diferentes.
- Retorno líquido competitivo: por ser isenta de IR para pessoa física, uma LCI pode entregar mais no líquido mesmo quando o percentual do CDI é menor do que o de um investimento tributado.
Riscos e pontos de atenção da LCI
- Risco de crédito: você depende da instituição que emitiu o título para receber. O FGC ajuda dentro dos limites, mas não substitui a análise do emissor.
- Liquidez limitada: dependendo da oferta, seu dinheiro pode ficar preso até o fim da carência ou até o vencimento.
- Custo de oportunidade: se você trava uma taxa e o mercado passa a oferecer condições melhores, pode não conseguir trocar de investimento antes do prazo.
- Limite do FGC por conglomerado: se você tiver vários produtos cobertos em instituições do mesmo grupo, eles compartilham o mesmo limite.
- Oferta muda com o mercado: taxas, prazos e valores mínimos podem mudar de um dia para o outro. Compare as condições disponíveis no momento da aplicação.
LCI vale a pena?
Pode valer, sim, desde que o prazo e a taxa façam sentido para você. A LCI costuma ser interessante para quem busca Renda Fixa, pode deixar o dinheiro aplicado até a data combinada e encontra uma rentabilidade líquida competitiva.
Ela pode combinar com objetivos de curto a médio prazo que tenham data mais previsível, como uma viagem, uma compra planejada ou uma etapa da formação de patrimônio. Se você está organizando vários objetivos ao mesmo tempo, veja também como montar uma carteira de investimentos.
LCI serve para reserva de emergência?
Em geral, não é a primeira opção. A reserva de emergência precisa estar acessível quando o imprevisto aparece, e muitas LCIs têm carência ou resgate só no vencimento. Se o seu objetivo é montar esse colchão financeiro, vale entender primeiro onde investir a reserva de emergência.
Para esse dinheiro, produtos com liquidez diária costumam fazer mais sentido. O Tesouro Selic é uma das alternativas que podem entrar na comparação; se quiser aprofundar, veja como investir em Tesouro Direto.
LCI e LCA: qual é a diferença?
LCI e LCA funcionam de um jeito bem parecido: nos dois casos, você empresta dinheiro para uma instituição financeira e recebe juros em troca. A diferença principal está no destino dos recursos.
- Lastro: a LCI está ligada ao crédito imobiliário; a LCA, ao crédito do agronegócio.
- Imposto de Renda: para pessoa física, as duas seguem isentas de IR nas regras vigentes.
- FGC: LCI e LCA estão entre os produtos protegidos pelo fundo, dentro dos mesmos limites de cobertura.
- Rentabilidade: as duas podem ter taxas prefixadas, pós-fixadas ou híbridas. Não existe uma que renda mais sempre.
- Na prática: compare taxa líquida, prazo, carência, liquidez e emissor. O nome do título sozinho não diz qual é a melhor escolha.
LCI ou CDB: qual é melhor?
LCI e CDB são títulos de Renda Fixa emitidos por instituições financeiras, mas têm diferenças importantes. Para pessoa física, a LCI é isenta de IR; o CDB paga Imposto de Renda pela tabela regressiva. Em compensação, é comum encontrar CDB com liquidez diária, enquanto muitas LCIs têm carência.
Então, esqueça a comparação automática de “90% do CDI contra 100% do CDI”. O que importa é quanto sobra no líquido e quando você poderá usar o dinheiro. O nosso guia de Renda Fixa ajuda a entender melhor essas diferenças entre os principais títulos.
LCI ou Tesouro Direto?
Aqui muda o emissor: no Tesouro Direto, você compra um título público federal; na LCI, você investe em um título emitido por uma instituição financeira e ligado ao crédito imobiliário. Na LCI, existe ainda a proteção do FGC dentro dos limites do fundo.
A liquidez também muda. No Tesouro, você pode vender o título em dias úteis, mas o preço pode oscilar se o resgate acontecer antes do vencimento. Na LCI, você precisa seguir a carência e as regras da emissão. Para comparar direito, vale entender o funcionamento do Tesouro Direto antes de decidir.
Como escolher uma LCI?
Antes de clicar em “investir”, faça um checklist rápido. Ele ajuda a evitar escolher só pela maior taxa:
1. Defina seu objetivo e o prazo: quando você pretende usar esse dinheiro? A resposta já elimina títulos incompatíveis com a sua necessidade. Se ainda estiver em dúvida, confira como funciona o perfil de investidor.
2. Compare o retorno líquido: olhe a taxa da LCI e coloque lado a lado com CDB, Tesouro e outras opções de prazo semelhante.
3. Confira carência e liquidez: veja qual é a primeira data de resgate e se existe possibilidade de resgate antes do vencimento.
4. Olhe para o emissor e para o FGC: confira qual instituição emitiu o título e quanto do seu limite já está ocupado naquele conglomerado.
5. Diversifique: em vez de concentrar tudo em um único emissor ou vencimento, você pode distribuir os recursos conforme os objetivos da sua carteira. Veja como diversificar sua carteira de investimentos.
Como investir em LCI?

Para investir em LCI, você precisa ter conta em uma instituição ou corretora que ofereça esse tipo de título. Como as ofertas mudam ao longo do tempo, taxa, prazo, carência e valor mínimo podem ser diferentes a cada consulta.
1. Abra ou acesse sua conta: complete seu cadastro e mantenha o perfil de investidor atualizado para visualizar os produtos adequados ao seu perfil.
2. Transfira o valor que deseja investir: envie os recursos para sua conta de investimentos e deixe o saldo disponível.
3. Entre na área de Renda Fixa: procure pelas LCIs disponíveis e compare emissor, taxa, vencimento, carência e valor mínimo.
4. Compare com outras opções: olhe o retorno líquido e veja se a LCI faz mais sentido do que outros títulos com prazo parecido.
5. Revise e confirme: leia as condições da oferta, confira quando poderá resgatar e só então finalize a aplicação.
Se você está começando agora, vale consultar também o guia de investimentos para iniciantes da Clear antes de montar sua primeira carteira.
Conclusão
A LCI pode ser uma boa peça da sua Renda Fixa: você encontra opções com diferentes formas de remuneração, conta com isenção de IR para pessoa física e pode ter a proteção do FGC dentro dos limites do fundo.
O cuidado principal está no prazo. Antes de investir, confira carência, vencimento, liquidez, taxa e emissor. Depois, compare o retorno líquido com CDB, Tesouro e outras alternativas que tenham um prazo parecido.
Fazendo essa conta com calma, fica mais fácil escolher um título que combine com o seu objetivo — e não apenas com a maior taxa da tela. Se quiser continuar estudando, veja o conteúdo completo da Clear sobre Renda Fixa.
Perguntas Frequentes (FAQ)
LCI é isenta de Imposto de Renda?
Sim. Para pessoa física, os rendimentos de LCI seguem isentos de IR em 2026. Se você estiver obrigado a declarar, ainda precisa informar o investimento e os rendimentos nas fichas corretas.
LCI tem garantia do FGC?
Sim. A LCI está entre os produtos protegidos pelo FGC. O limite é de até R$ 250 mil por CPF/CNPJ por instituição ou conglomerado, com teto de R$ 1 milhão em garantias pagas a cada quatro anos.
Qual é o prazo mínimo de uma LCI?
Em geral, seis meses. A exceção são LCIs atualizadas mensalmente por índice de preços, que têm prazo mínimo de 36 meses. A oferta pode ter vencimento maior.
É possível perder dinheiro em LCI?
Sim, existem riscos. O principal é o risco de crédito da instituição emissora, além da possibilidade de o dinheiro ficar indisponível até a carência ou o vencimento. O FGC oferece proteção dentro dos limites aplicáveis.
O que rende mais: LCI ou CDB?
Depende. A LCI é isenta de IR para pessoa física; o CDB é tributado. Por isso, compare a taxa líquida, o prazo e a liquidez dos dois antes de escolher.
LCI é boa para reserva de emergência?
Na maioria dos casos, não é a primeira opção, porque muitas LCIs têm carência. Para uma reserva de emergência, prefira investimentos que permitam acesso rápido ao dinheiro.
Qual é a diferença entre LCI e LCA?
A LCI direciona recursos ao crédito imobiliário; a LCA, ao agronegócio. Para pessoa física, ambas seguem isentas de IR e contam com proteção do FGC dentro dos limites aplicáveis.
Quanto rende R$ 100 mil em LCI por mês?
Depende da taxa e do indexador da LCI. Não existe um valor mensal fixo. Para calcular, use a taxa contratada e o período efetivo da aplicação.