Vieses cognitivos: como estão afetando seus investimentos?

A foto mostra uma menina em pé com um caderno nas mãos, olhando para o lado com expressão pensativa e fazendo alguma anotação. Ao fundo, uma lousa com coisas escritas.

Se você nunca parou pra pensar o que a Psicologia tem a ver com a sua maneira de investir, talvez essa seja a hora de dar uma chance para a teoria dos vieses cognitivos. Através deles, conseguimos identificar comportamentos tendenciosos da mente humana que nos impedem de tomar decisões pautadas em informações e acontecimentos reais. 

E mais: são duas as linhas científicas que exercem bastante influência no mercado financeiro: a Economia e a Psicologia. Assim, o estudo sobre viés cognitivo é interessante para entender como as pessoas têm suas interpretações de fatos e dados afetadas por algum deles. 

A seguir, fique por dentro dos tipos de vieses cognitivos mais conhecidos e saiba como identificar aquele que mais tem a ver com a sua mentalidade. Segue! ⤵️ 

Finanças comportamentais: um breve resumo 

Finanças comportamentais são um tipo de vertente dos estudos de Economia, que busca compreender o que leva o indivíduo a tomar decisões no âmbito financeiro, a partir de suas motivações, da própria estrutura comportamental humana e, de certa forma, da Psicologia. 

Essas duas ciências (Economia e Psicologia) têm um nível de ligação, mesmo que nunca tenham fixado um ponto comum entre si. Quer ver? 

A Economia, durante muito tempo, foi o campo de pesquisa a respeito de elementos que seguiam um ideal econômico, isto é, o “Homo Economicus”. Nesse caso, a Economia se dedicava a estudar os seres humanos que seguem somente sua própria racionalidade para pautar suas decisões de produção para consumo. 

Bom, e se há um objetivo que a Psicologia busca, é a compreensão da racionalidade por trás das motivações de nossas escolhas (embora a gente nem sempre consiga decidir o que é melhor para a gente, né?). 

Quando esses estudos de embasamento psicológico adentraram o terreno da Economia, foi originada uma linha de pesquisa cuja finalidade seria explicar os comportamentos autossabotadores e, por vezes, contraditórios, que abrangem o aspecto emocional humano nas teorias econômicas. 

Nesse sentido, os vieses cognitivos de decisão são uma espécie de tendência sistemática que nos leva a violar os princípios da racionalidade ampla.  

Nos termos das finanças comportamentais, significa dizer que criamos ilusões com base em pré-conceitos e fazemos julgamentos rasos tanto sobre as probabilidades quanto sobre quantidades. 

Viés cognitivo: o que é? 

Viés cognitivo é uma espécie de maneira tendenciosa de pensar, tomar decisões e fazer julgamentos sobre o mundo ao nosso redor. Embora o ser humano deseje acreditar que age de forma lógica e objetiva, o fato é que os vieses cognitivos moldam seu pensamento e suas ações subconscientemente. 

Enfim, os vieses cognitivos são uma maneira de o inconsciente expressar seu sentido íntimo de parcialidade, de modo que, ao realizarmos qualquer análise, por exemplo, seja ela simples ou complexa, será feita de maneira tendenciosa, com base na percepção que um indivíduo tem de determinada situação ou assunto, e não baseada em evidências. 

Apesar de o cérebro humano ter uma notável capacidade de raciocínio e resolução de problemas, também está sujeito a certas limitações. Nesse sentido, adotar um viés cognitivo pode ser interpretado como certa limitação do nosso pensamento, que pode estar associada a: 

  • Influência social; 
  • Falta de compreensão sobre algum assunto; 
  • Atalhos no processamento de informação (heurística);
  • Capacidade limitada da mente ao processar informações. 

As finanças comportamentais estudam os vieses cognitivos porque eles têm influência direta na capacidade de tomar decisões pautadas na lógica, afetando sua compreensão sobre o mercado e seus investimentos financeiros. 

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Tipos de vieses cognitivos

A foto mostra três mulheres sentadas, olhando para o celular de uma delas e se divertindo. São mulheres diferentes entre si, para representar os diversos tipos de vieses cognitivos.
Cada pessoa é diferente e se identifica com um tipo de viés cognitivo, o que vai depender muito da personalidade, contexto cultural e social, e da maneira como as pessoas recebem informações.

Popularmente, existem muitos tipos de vieses cognitivos reconhecidos pelas finanças comportamentais, como o viés de confirmação e o viés da ancoragem. Hoje, a gente trouxe alguns dos tipos que tendem a exercer mais influência na mentalidade trader. Veja quais são: 

1. Viés de confirmação 

O viés de confirmação é uma forma inconsciente de procurar, interpretar e buscar referências em perspectivas sustentadas por uma visão pré-existente do mundo ao seu redor, ou seja, uma confirmação de preconceitos. 

Um dos lados não tão positivos desse tipo de viés cognitivo é que ele leva as pessoas a desconsiderar e, até mesmo, ignorar opiniões, ainda que sejam válidas, que possam ameaçar seu ponto de vista.   

É fato que as pessoas gostam da ideia de concordar com ideologias, pensamentos, textos e outras pessoas que concordem com elas, então, sim: é muito difícil abandonar esse nosso estado. 

Se a pessoa investidora que se encaixa no viés de confirmação estiver constantemente exposta a ideias, suposições e composições (o que se tornou muito fácil hoje com a internet), terá sua capacidade de avaliação influenciada por esses fatores.  

Por exemplo, ela pode acreditar que uma determinada companhia é um investimento certeiro somente por procurar por informações que confirmem seu ponto de vista, não necessariamente realizando análises mais técnicas e históricas antes de bater o martelo. 

2. Viés da ancoragem 

De maneira geral, o viés da ancoragem é um dos tipos de vieses cognitivos que mais afeta as decisões da nossa vida.  

Basicamente, o viés da ancoragem leva uma pessoa, exposta previamente a uma determinada informação, a considerar esse pensamento forte o suficiente para formular estimativas e até mesmo tomar uma decisão, ainda que o fato não tenha relevância ou confirmação. 

Uma das razões pelas quais a mente humana é levada pelo viés da ancoragem é a tendência de avaliarmos ineficientemente as magnitudes absolutas, ou seja, nós sempre procuramos um ponto de referência na hora de basearmos nossos julgamentos e estimativas. 

No contexto do mercado financeiro, a pessoa que é trader pode ser levada a tomar decisões equivocadas ao ser exposta a termos técnicos, por exemplo, que a façam a avaliar um investimento como vantajoso, através de palavras como: “lucros exorbitantes, promoção, pechincha, vantagem”, ainda que não existam fatos lógicos que sustentem a premissa. 

3. Falácia de apostador 

Em inglês, esse viés cognitivo é conhecido como “Gambler’s Fallacy”, e é originado pela falha na compreensão lógica sobre independência estatística. Esse viés faz com que a pessoa “projete” a probabilidade de um acontecimento baseando-se na quantidade de incidências que um fato aconteceu. 

Por exemplo, a falácia de apostador pode levar a pessoa que tirou “coroa” muitas vezes seguidas no jogo de Cara ou Coroa a acreditar que suas chances de vencer são maiores do que 50%. 

Ao pensar em quem investe ou opera trade, não é difícil imaginar que muitas pessoas acabam se identificando com esse viés. No caso de ter seus investimentos afetados por uma série de valorizações em um mesmo papel, por exemplo, a pessoa pode se sentir impelida a vender suas ações. 

Ou seja, mesmo que não haja uma explicação racional para que ocorra uma queda, seu raciocínio entra em um tipo de mecanismo de correção que te leva a tomar decisões impensadas. 

4. Viés de recência 

A foto mostra duas mãos, uma de homem e outra de mulher, se apertando em sinal de negociação.
No viés de recência, você toma suas decisões de negócios baseadas em resultados recentes (e só).

Um dos tipos de vieses cognitivos com o qual muitas pessoas podem se identificar, especialmente quando falamos de decisões de investimentos. 

Viés de recência significa o ato de concentrar as decisões de negociação apenas nos resultados mais recentes, não importa se são bem-sucedidos ou não. Isso significa que a pessoa trader pode abandonar o pensamento lógico e a visão estratégica de uma negociação sólida devido à influência emocional, podendo elevar suas perdas futuras. 

Se você se identificou com esse viés cognitivo, recomendamos tentar abordar cada operação como se ela fosse única e nova, e sempre se lembrar dos objetivos definidos no seu planejamento. Assim você consegue se aproximar novamente dos motivos pelos quais aplicou em alguns investimentos e/ou negociou com outras pessoas. 

5. Viés pró-escolha 

O viés pró-escolha leva uma pessoa a justificar suas decisões sem qualquer embasamento científico. Por isso, também pode ser considerado um viés ideológico.  

Um dos exemplos mais tradicionais que fala sobre como ele interfere nas escolhas de uma pessoa é: quando dois indivíduos, que torcem para o mesmo time, discutem algo sobre o assunto com alguém que torce para outro time, e que utiliza de argumentos lógicos para provar seu ponto. As pessoas que torcem para o time 1 irão continuar com a torcida devido a sua paixão, não a algum embasamento científico. 

Esse tipo de viés cognitivo é um dos responsáveis por fazer pessoas investidoras a tomarem decisões emocionais, comprando ou vendendo ações em momentos inoportunos, por exemplo, por terem sido influenciadas por questões ideológicas, ainda que saibam que a escolha foi baseada no calor do momento. 

6. Viés do ponto cego 

O viés do ponto cego representa a tendência da mente humana de identificar todos os demais tipos de vieses cognitivos no comportamento de outros indivíduos, mas não sendo incapaz de identificar isso em si mesmo. 

De maneira bem simples, o ponto cego é parte de um panorama ou um elemento cujo observador não consegue identificar, por conta de sua posição. Isso faz com que sua capacidade de julgamento seja influenciada pela falta de perspectiva e vivência sobre o fato em questão. 

Esse é um dos tipos de vieses cognitivos que mais afeta o mercado financeiro. Um exemplo é quando uma pessoa trader aponta os erros de outra investidora, mas permanece buscando justificativas para seus atos por internalizar que é mais sábia do que outras profissionais. 

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