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Investir: você não está sob controle

Investir: você não está sob controle

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Quando você está diante da tomada de decisão de investimento, você pensa primeiro na rentabilidade ou no risco envolvido?

Eu não tenho em mãos uma pesquisa para apontar o percentual, mas acredito que a esmagadora maioria pensa na rentabilidade e tiro essa conclusão com base na “febre dos ganhos rápidos” que tomou conta do mercado financeiro.

Obviamente, ninguém entra em qualquer negócio ou toma uma decisão na vida pensando em perder, não estou questionando positividade nas atitudes, mas acreditar piamente que vai dar certo e não considerar as margens de erro gera um viés cognitivo chamado de ilusão de controle.

O que é “ilusão de controle”?

Em poucas palavras, ilusão de controle é a “capacidade” de controlar situações futuras, ou seja, simplesmente acreditar que vai dar certo e ponto final. Isso, dentro da economia comportamental, esbarra em outro viés conhecido como excesso de confiança.

Poderia ficar aqui citando inúmeros exemplos desses dois vieses, mas a ideia aqui é trazer uma ideia para enfrentar esse problema. Por isso, vou deixar apenas uma pequena reflexão: se você tem o hábito de SUPERestimar seus acertos e SUBestimar seus erros, sem dúvida você está preso nesse viés.

“Não seja um herói. Não tenha ego. Sempre questione a si mesmo e as suas habilidades. Nunca pense que você é muito bom. O momento em que pensar. Você está morto.” Paul Tudor Jones

Falar sobre o viés de ilusão do controle foi um gancho para explorar um tema que gosto muito e muitas vezes é negligenciado uma vez que não dá clique, pois implica em algo negativo: possibilidade de erro.

No final das contas, ninguém consegue prever o futuro e a única opção que sabemos quando entramos em qualquer investimento é o risco que estamos tomando.

Parece uma coisa óbvia, mas quando a operação está indo ao contrário do esperado, a primeira coisa que o investidor vai buscar são notícias para corroborar sua tese e cego nesta convicção não raro compra mais fora do seu preço, ou seja, provavelmente não está obedecendo seu setup.

Neste exato momento, você coloca a camisa e vira torcedor.

Como evitar isso?

Eu sei, você pensou stop loss.

Sem dúvida ele é a salvação de tudo isso, mas não estou aqui para ser fiscal de trading e dar lição de moral para quem não encerrou uma posição perdedora, mas sim mostrar uma abordagem diferente sobre construção de setup.

Ao invés de pensar no lucro, porque não começar pensando no prejuízo? Ao invés de pensar em projetar Fibonacci para imaginar que aquela operação vai dar certo, porque não pensar em quanto posso perder nessa operação?

Quando você começa olhar o mercado por esse prisma e desenvolver um setup, seja de day trade ou de position trade, a primeira coisa que você vai pensar na hora de investir é se aquela operação tem boa probabilidade de acerto, sendo que neste conceito entra operar a favor da tendência, teste de importante suporte gráfico e volume (interesse do mercado).

Se sim qual o risco se tudo der errado? Se ele está compatível com seu gerenciamento de risco e aqui entram conceitos como tamanho de lote operado e tamanho do stop loss x tolerância de risco por trade, essa operação se encaixa no seu setup e você pode executar sem medo. Sabe por quê?

Porque, se perder, vou perder pouco, mas se estiver trabalhando com a probabilidade ao meu favor tenho um bom potencial de valorização para aproveitar.

Na minha opinião, quando você muda a chave de “vou ganhar” para “quanto posso perder”, a chance de comprar nos momentos de baixa do mercado, ou seja, quando o risco x retorno é bastante atrativo, é extremamente grande e por isso eu prefiro pensar em investimento desta forma.

Tendo isso como base, minha sugestão para quem está construindo um setup ou está revistando seu sistema (sempre faça isso) é focar no quanto você perde/ganha nas operações, pois não adianta (na minha visão) ter um nível de acerto alto com rentabilidade pequena e quando o stop loss é acionado o prejuízo financeiro é igual ou até maior que o lucro.

Por isso, pense primeiro no risco, pois, inevitavelmente, o retorno deve ser maior quando a operação caminhar ao seu favor.