Hedge cambial: saiba como proteger seus investimentos

Hedge cambial: saiba como proteger seus investimentos

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Por: Time Master Clear

24/02/2021 • Atualizado: 25/01/2022

13 minutos

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Hedge cambial é um conjunto de instrumentos usados para proteger investimentos e negócios dos riscos da variação do câmbio.

A estratégia pode ser adotada por empresas importadoras e exportadoras, investidores ou mesmo turistas que planejam viajar ao exterior.

O seu objetivo é travar o preço de uma moeda em data futura e garantir a previsibilidade da transação.

O propósito do hedge, portanto, não é gerar lucros, mas eliminar as incertezas futuras.

Quer saber como proteger investimentos com o hedge cambial?

Então, continue a leitura e descubra.

O que é hedge cambial em investimentos?

Hedge cambial em investimentos é uma estratégia que visa proteger o patrimônio do investidor de possíveis desvalorizações da moeda local.

Em momentos de crise, moedas de países emergentes, como o real, tendem a perder valor frente a moedas fortes, como o dólar.

Isso ocorre porque há uma fuga de investidores para ativos considerados seguros, como o dólar e o euro, elevando suas cotações.

Com uma boa estratégia de hedge, o prejuízo de um lado é compensado com o lucro do outro.

Há diferentes maneiras de fazer hedge cambial nos investimentos, tais como:

  • Dólar futuro
  • Fundos cambiais
  • Saldo em conta internacional
  • Investimento em ativos no exterior.

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Como surgiu o hedge?

O hedge como estratégia de proteção surgiu no século XIX no mercado de commodities agrícolas.

Produtores rurais de Chicago (EUA) adotaram a prática para evitar quedas acentuadas no preço da produção durante a safra, período de grande oferta.

Para garantir o lucro do negócio, os produtores negociavam antecipadamente com os compradores o preço da commodity para entrega em data futura.

Assim, uma eventual queda de preços devido ao excesso de oferta não impactaria o faturamento do produtor que travou seu preço com antecedência.

No mercado financeiro, as ferramentas de hedge foram aperfeiçoadas e deram origem a diversos tipos de derivativos, como as opções e os contratos futuros.

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Como funciona o hedge cambial no mercado futuro?

foco na mão de duas pessoas trocando notas de dinheiro

Mercado futuro é um ambiente dentro da bolsa de valores no qual se negocia contratos futuros derivados de algum ativo, os chamados derivativos.

Para fins de proteção contra os riscos cambiais, o investidor pode usar, por exemplo, o dólar futuro como estratégia de hedge.

Um contrato cheio (ou minicontrato) de dólar é negociado entre duas partes: comprador e vendedor.

No ato da negociação, as partes fixam o preço futuro da moeda (ou do contrato derivado da moeda) e o prazo de liquidação.

Na bolsa, os contratos futuros são padronizados.

A transação acontece porque o comprador acredita que o dólar pode estar mais caro no futuro. O vendedor pensa o contrário.

Como exemplo, imaginemos que o comprador de um contrato futuro é alguém que terá despesas no exterior, como viagem ou pagamentos.

Se ele acredita que o dólar vai subir, o contrato futuro da moeda com um preço travado será sua proteção.

Se de fato o dólar ficar mais caro, suas despesas no exterior serão maiores, mas o ganho com o hedge compensará o prejuízo. Lembra que ele comprou mais barato?

Caso ocorra o contrário e o dólar caia de preço, suas despesas no exterior ficarão mais baratas, mas a operação com o contrato futuro resultará em prejuízo.

De qualquer modo, a estratégia funcionou: uma operação anulou os efeitos da outra e a oscilação cambial foi neutralizada.

Importante ressaltar que contratos futuros de dólar não representam a moeda em si. São derivativos.

Na ocasião da liquidação, o comprador não recebe dólares, mas a diferença em reais entre o preço de compra e venda. Essa diferença, inclusive, é ajustada diariamente.

Uma das vantagens do uso de contratos futuros como hedge é que o investidor não precisa ter em conta o valor total dos contratos futuros. Apenas uma margem de garantia.

Ao longo do período de vigência do contrato, a bolsa faz os ajustes diários, debitando ou creditando as diferenças referentes às oscilações do contrato.

Ou seja, quem tem prejuízo paga para quem tem lucro, todos os dias, até o fim da operação.

Os contratos futuros de dólar podem ser:

  • DOL: contrato cheio que corresponde a uma movimentação de US$ 50 mil, sendo o lote mínimo de cinco contratos
  • WDO: minicontrato de dólar, que corresponde a 20% do contrato cheio (US$ 10 mil).

Cálculo do hedge cambial

Fazer hedge cambial usando as ferramentas do mercado de derivativos é como contratar um seguro. Tem custos.

Os principais são custos operacionais, do spread bancário e da própria formação do preço futuro do dólar.

Quando comprador e vendedor travam o preço do dólar para daqui a seis meses, por exemplo, não é possível prever como estará o câmbio na data de vencimento do contrato.

São avaliados, então, alguns elementos que podem influenciar a taxa futura:

  • Taxa à vista (spot): ponto de partida para referência da cotação futura
  • Taxa de juros em reais (pré)
  • Taxa de juros em dólares (cupom cambial).

A fórmula de cálculo é a seguinte:

  • Futuro (BRL/USD) = Spot (BRL/USD) x Juros (BRL) / Juros (USD).

Hedge cambial: importação e exportação – o que significa?

Para empresas que atuam no comércio exterior, seja de importação ou exportação, o hedge cambial tem importância fundamental.

Afinal, as flutuações do câmbio podem prejudicar o fluxo de caixa e as margens de lucro.

Para uma empresa importadora, uma escalada do dólar é ruim para os negócios, caso não seja possível repassar o custo do câmbio ao cliente.

O hedge cambial garante, em casos assim, mais previsibilidade, principalmente se o pagamento do produto importado estiver agendado para data futura.

Para empresas exportadoras, a lógica é inversa: dólar em alta significa mais lucro. Dólar em baixa, prejuízo.

Para o exportador, uma proteção cambial só seria vantajosa, portanto, em caso de valorização da moeda local.

Vantagens e importância de fazer um hedge cambial

A proteção cambial é importante e vantajosa tanto para empresas que atuam no comércio internacional quanto para investidores com exposição a ativos estrangeiros.

São operações que têm custos, semelhante à contratação de um seguro, mas que podem ser úteis em momentos de grande volatilidade cambial.

Quais são os tipos de hedge cambial?

Entre as ferramentas usadas como proteção cambial podemos listar:

Contratos futuros

Os contratos futuros mais usados para hedge cambial são os de dólar.

Como descrito anteriormente, comprador e vendedor decidem antecipadamente o preço futuro do derivativo da moeda e o prazo de vencimento.

SWAP Cambial

Swap cambial é a troca dos indexadores que remuneram o capital.

Por exemplo, uma empresa que tem dívida em dólares e acredita que a moeda possa se valorizar, faz um swap e troca o indexador (balizado em moeda nacional) pela variação do câmbio.

Assim, se o dólar subir, o capital da empresa acompanhará e a capacidade de pagamento da dívida em dólares no futuro estará garantida.

Fluxo de caixa internacional

No caso de empresas que operam em diferentes países, a manutenção de um fluxo de caixa internacional também funciona como um hedge natural.

Quais são as formas de fazer hedge cambial: saiba as principais

Agora, vamos falar sobre as estratégias utilizadas ao fazer hedge cambial.

Acompanhe!

NDF

NDF (Non Deliverable Forward) é um contrato a termo de moeda sem entrega física.

Trata-se de uma operação na qual os envolvidos estabelecem antecipadamente uma taxa para o câmbio em data futura.

No vencimento, o contrato é liquidado, considerando a diferença entre a taxa contratada e a taxa de mercado.

Quem teve prejuízo paga a quem teve lucro.

Fundos cambiais

Os fundos cambiais, que investem em ativos relacionados à variação do câmbio, são opções práticas, principalmente para o investidor pessoa física.

Ao investir em um fundo cambial que replica o desempenho do dólar, por exemplo, o investidor não precisa se preocupar com a gestão dos ativos.

Caso a moeda se valorize, seu patrimônio também será maior e vice-versa.

Trava de câmbio

Trava de câmbio é uma alternativa oferecida por diversos bancos especializados em operações de câmbio, com foco em empresas importadoras e exportadoras.

Semelhante ao NDF, fixa a cotação da moeda para uma uma data futura, a fim de resguardar a previsibilidade do fluxo de caixa da operação de quem a contrata.

Exemplos práticos de como um hedge cambial funciona

Vimos até aqui algumas das várias opções de hedge cambial que o mercado oferece.

Para facilitar o entendimento, vamos a alguns exemplos.

Viagem ao exterior

Você planeja uma viagem aos Estados Unidos e fez uma reserva para os gastos com o passeio.

A viagem ocorrerá daqui a 30 dias e ninguém sabe qual será o preço do dólar até lá.

Pela cotação atual, os custos da viagem cabem no seu orçamento, mas, se o dólar subir, suas férias podem ser comprometidas.

Com o hedge cambial, você trava o câmbio usando as diversas ferramentas disponíveis e viaja tranquilo, sem se preocupar com a oscilação da moeda nos próximos 30 dias.

Empresa importadora

Uma empresa importadora compra produtos no valor de US$ 100 mil para pagar em dois meses.

Supondo que o dólar está a R$ 5,00, sua fatura em moeda nacional é de R$ 500 mil.

Para garantir que a dívida de R$ 500 mil não saia do controle, o empreendedor estrutura uma operação de hedge.

Por meio de uma compra a termo, por exemplo, ele fixa o preço futuro da moeda a fim de garantir a capacidade de pagamento.

Passados os dois meses, o dólar subiu para R$ 6,00 e a dívida da empresa passou para R$ 600 mil.

Mas a operação a termo, por outro lado, resultou em lucro.

Então, com a diferença, a empresa compensa o aumento da dívida sem impactos negativos no fluxo de caixa.

O que é necessário para fazer um hedge cambial

Para fazer hedge cambial, basicamente, você só precisa seguir dois passos.

Veja quais são:

1° passo: Abrir conta em uma corretora

Se você deseja se proteger dos riscos cambiais por meio dos derivativos, o primeiro passo é abrir conta em uma corretora de valores.

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2° passo: Escolher a operação

O passo seguinte é identificar qual o melhor instrumento de proteção.

Você é importador e quer se proteger de uma possível alta do dólar? Ou exportador?

Se é investidor, provavelmente, quer resguardar seu patrimônio de uma eventual desvalorização do real.

Para cada caso, é preciso analisar as opções disponíveis e considerar os custos antes de decidir.

Hedge cambial para empresas: por que investir?

Para as empresas com atuação no exterior, proteger-se das variações do câmbio é uma forma de garantir margens de lucro sem surpresas.

No caso das importadoras, a proteção será sempre contra a desvalorização do real. No caso das exportadoras, a lógica é contrária.

Em alguns setores da economia, a empresa consegue repassar a variação cambial ao cliente ou consumidor final, logo, o hedge tem menos importância.

Em outros casos, isso não é possível.

Qual o melhor momento para fazer hedge cambial?

A escolha do melhor momento para fazer hedge cambial deve levar em conta diversos fatores macro e microeconômicos.

A taxa de câmbio é mais suscetível a oscilações bruscas em momentos de instabilidade econômica, quando as crises afetam com mais força moedas de países emergentes.

O desafio do investidor é antever esses eventos.

Como dissemos, hedge é como um seguro.

Deixar para contratá-lo em momentos de grande incerteza pode custar caro.

A análise, portanto, precisa ser cuidadosa.

Perguntas frequentes sobre hedge cambial

Ainda com dúvidas?

Veja respostas às perguntas mais comuns sobre hedge cambial.

Hedge e diversificação de investimentos: qual a diferença?

Hedge é o uso de instrumentos financeiros (em geral, derivativos) com o objetivo de anular os riscos de perda do patrimônio.

Diversificação tem como objetivo diluir os riscos e tornar uma carteira de investimentos mais resiliente em momentos de crise.

São estratégias diferentes, mas complementares.

Hedge elimina todos os riscos do mercado financeiro?

Não.

O hedge pode mitigar o risco de mercado (oscilação de preços dos ativos).

Mas há vários outros riscos que devem ser considerados, como risco de crédito, operacional, de liquidez, dentre outros.

Qual é o valor mínimo para adquirir um ativo de hedge?

O valor mínimo depende do tipo de instrumento e dos preços de mercado.

Os derivativos, por exemplo, aceitam operações alavancadas, o que reduz o capital exigido nas operações.

Qual é o melhor instrumento de hedge do mercado financeiro?

Depende de cada situação.

O melhor instrumento para uma empresa importadora pode não ser o mesmo para um investidor que busca proteção do patrimônio.

Para quem o hedge é indicado?

Para investidores com perfil de risco adequado ao tipo de operação e que compreendem o funcionamento das ferramentas, além de empresas que precisam proteger suas operações das variações cambiais.

Investir de forma segura pode ser para você

Adotar estratégias de proteção com derivativos e outros instrumentos do mercado financeiro é uma das formas de cuidar do patrimônio.

Outra dica importante é diversificar.

Um portfólio balanceado dilui os riscos e potencializa as oportunidades de ganhos.

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Conclusão

Dos produtores agrícolas no século XIX aos dias atuais, o hedge evoluiu, foi adotado pelo mercado financeiro e passou a ser usado para diferentes fins.

Se você pretende fazer hedge cambial em seus investimentos, avalie as opções, custos e funcionamento de cada ferramenta.

Caso identifique a real necessidade de proteção, certamente encontrará boas alternativas no mercado.

Conte com a Clear para aprender cada vez mais sobre investimentos!