Taxa referencial (TR): o que é e como é calculada

Criada no âmbito do Plano Collor e implementada em 1990, a taxa referencial (TR) foi concebida com o propósito de servir como uma referência para a correção de ativos financeiros.  

Em um contexto de hiperinflação, a TR visava proteger os investimentos da desvalorização provocada pela inflação, sendo utilizada como índice de correção monetária em diversos tipos de investimentos, incluindo contas de poupança e títulos públicos. 

Ao longo dos anos, a TR deixou de ser o instrumento de correção monetária devido à metodologia de cálculo que não era suficiente para capturar a variação de preços. Como resultado, muitos investidores passaram a buscar alternativas para proteger seus investimentos

Neste conteúdo, explicaremos o que é taxa referencial, como calculá-la e qual sua importância nos investimentos.  

Vamos lá? 👇  

O que é taxa referencial (TR)?

A taxa referencial (TR) é um índice de correção monetária, criado para proteger os investimentos da desvalorização causada pela inflação. 

Devido à inviabilidade de acompanhar adequadamente as variações de preços, a TR deixou de ser utilizada como instrumento de correção. 

Ela ainda é utilizada para determinar a rentabilidade de algumas aplicações financeiras, como: cadernetas de poupança, alguns títulos públicos, títulos de capitalização e FGTS, bem como ao corrigir o saldo devedor de alguns financiamentos imobiliários.💰 

Atualmente, a referência para correção monetária de ativos financeiros é a Taxa Selic, criada em 1996 como parte da modernização do sistema financeiro.  

A Selic é definida pelo Comitê de Política Monetária (COPOM) e representa a taxa básica de juros da economia brasileira. Além de ser um instrumento fundamental de política monetária, ela é utilizada para controlar a inflação e regular a atividade econômica. 

Como calcular a taxa referencial?

O cálculo da taxa Referencial até o ano de 2018 era dado pela média ponderada das taxas de juros diárias dos Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) prefixados ofertados pelas 30 maiores instituições bancárias do Brasil. A média obtida era denominada como Taxa Básica Financeira (TBF). 

A nova metodologia adotada em 2018 consiste em um novo cálculo para a TBF dado pela média ponderada das taxas de juros das operações de empréstimos interbancários, empréstimos ao governo e títulos públicos federais. 

Os dados são coletados, calculados e disponibilizados pelo Banco Central do Brasil (BCB) e o cálculo da TR é feito conforme descrito abaixo: 

R = a + b x TBF 

Em que: R é igual ao redutor; a é igual à constante no valor de 1,005 (definido pelo Banco Central na criação da TR), definido para que a taxa referencial não tenha valores negativos e seja igual a zero; b depende do valor da TBF e é divulgado pelo Banco Central e TBF equivale à Taxa Básica Financeira. 

Após calcular o valor do redutor, é possível encontrar o valor da taxa referencial: 

TR = 100 x {[(1 + TBF / 100) / R] – 1} 

 
Confira a variação no valor da TR para cada um dos meses do ano de 2024:  

Mês de referência TR no mês Acumulada 12 meses Acumulada 2024 
Janeiro 0,09% 1,64% 0,09% 
Fevereiro 0,01% 1,56% 0,10% 
Março 0,03% 1,35% 0,13% 

E os mesmos valores correspondente ao ano de 2023: 

Mês de referência TR no mês Acumulada 12 meses Acumulada 2023 
Janeiro 0,21% 1,78% 0,21% 
Fevereiro 0,08% 1,87% 0,29% 
Março 0,24% 2,01% 0,53% 
Abril 0,08% 2,04% 0,61% 
Maio 0,21% 2,09% 0,83% 
Junho 0,18% 2,12% 1,01% 
Julho 0,16% 2,11% 1,17% 
Agosto 0,22% 2,09% 1,39% 
Setembro 0,11% 2,02% 1,50% 
Outubro 0,11% 1,98% 1,61% 
Novembro 0,08% 1,90% 1,69% 
Dezembro 0,07% 1,76% 1,76% 

Qual a diferença entre TR Diária e TR Mensal

A diferença entre a TR Diária e a TR Mensal reside na frequência com que são calculadas. Enquanto a TR Diária é derivada da Taxa Básica Financeira (TBF) do dia, a TR Mensal é o acumulado das TRs diárias ao longo do mês
 
A taxa diária é empregada no cálculo da rentabilidade de investimentos de curto prazo, resgatados em menos de 30 dias. Por outro lado, a taxa mensal é aplicada na correção monetária de investimentos de médio e longo prazo, como poupança e FGTS.  

Assim, a principal distinção está na frequência de cálculo e, consequentemente, no prazo da aplicação financeira que utiliza o valor da taxa referencial. 

Qual o impacto da taxa referencial nos investimentos?

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Mulher sentada num sofá, com expressão sorridente, pesquisando em seu celular como a taxa referencial pode afetar seus investimentos.
Alguns investimentos ainda utilizam a taxa referencial como seu componente de rendimento.

Confira abaixo o impacto da taxa referencial nas principais aplicações financeiras em que ela é utilizada: 

Poupança 

O investimento mais comum que faz o uso da TR para o calcula de sua rentabilidade é a poupança, desde 1991 a TR é utilizada para o cálculo do rendimento e a partir de 2012 o cálculo é feito da seguinte forma: 

  • Selic maior que 8,5% ao ano: rendimento de 0,5% ao mês + TR; 
  • Selic menor que 8,5%: rentabilidade de 70% da taxa Selic + TR. 

FGTS 

O FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) é um direito dos trabalhadores brasileiros que funciona como uma poupança compulsória que pode ser usada em caso de demissão sem justa causa, doenças graves, compra do imóvel próprio, complemento da aposentadoria, entre outras situações. 

Mensalmente o empregador deposita 8% do salário pago ao trabalhador no Fundo de Garantia, que possui uma rentabilidade de 3% ao ano + taxa referencial. 

Títulos públicos

Um título público federal é uma dívida emitida pelo governo brasileiro para captar recursos para financiamento da dívida, projetos e atividades, bem como para controle da política monetária.  

Na data de vencimento, o comprador recebe o valor investido acrescido de juros. Os títulos atrelados à TR não estão mais disponíveis para compra. 

No entanto, o Tesouro Nacional oferta títulos atrelados à taxa Selic, atrelados ao IPCA e títulos prefixados, como:  

  • Tesouro Prefixado (LTN); 
  • Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F); 
  • Tesouro IPCA (NTN-B Principal); 
  • Tesouro IPCA com Juros Semestrais (NTN-B) e Tesouro Selic (LFT). 

Títulos de capitalização  

O título de capitalização é oferecido por instituições financeiras e o comprador pode concorrer a prêmios enquanto o dinheiro aplicado será custeado por parte do valor investido.  

A rentabilidade de títulos de capitalização é calculada pela TR + taxa de juros definida pela instituição financeira.  

Financiamentos imobiliários 

A partir de 2018, o Banco Central acabou com a obrigatoriedade de utilização da TR na correção de contratos que não fazem parte do Sistema Financeiro de Habitação (SFH). 

Para os financiamentos que fazem parte do SFH, como, por exemplo, os da Caixa Econômica Federal, o montante é ajustado pela TR + taxa de juros determinada pela instituição financeira. 

Onde consultar a Taxa Referencial? <h2> 

A Taxa Referencial é calculada e divulgada pelo Banco Central. Para consultar a TR, você pode acessar o site oficial do Banco Central do Brasil.  

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